Para combater criminosos, pequenas cidades da região apelam para câmeras de vigilância

Videomonitoramento não tem sido exclusividade de grandes cidades

Por Felipe Nabinger

Um ataque a única lotérica do município de Lindolfo Collor, no começo do mês, durante a madrugada, poderia ser evitado caso as câmeras de videomonitoramento já estivessem em operação. Pelo menos é o que acredita o secretário do Conselho Pró-Segurança (Consepro) do município, Alcirio Wiedthauger. "Foi um ataque que levou dois minutos, mas a central conseguiria notificar e informar a Brigada Militar. A própria presença da câmera já inibe", acredita. Wiedthauger lembra que antes deste arrombamento da lotérica e do cofre do estabelecimento, o posto bancário do Banrisul de Lindolfo Collor fora alvo de criminosos com o uso de explosivos no início do ano passado. "Eles vão para as cidades pequenas. Se atacam um posto bancário, corre-se o risco de que levem a folha de pagamento inteira do município", afirma.

Foto por: Marco Dieder/Divulgação
Descrição da foto: Picada Café: instalação das câmeras ocorreu em seis pontos da cidade

CERCAMENTO

Com pouco mais de seis mil habitantes, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município é o menor entre aqueles que receberá ainda neste ano as câmeras do sistema OCR que compõem o cercamento eletrônico da região. O Consepro participou da definição dos locais onde os quatro equipamentos serão instalados junto com a administração municipal. Duas ficarão na Avenida Capivara, uma no limite com Ivoti e outra na rótula do Curtume Minuano; outra na Avenida Sertão Capivara, em direção a Portão; e a quarta na Picada 48 Baixa. "Em outras vezes que passamos por assaltos a bancos e caixa eletrônicos, essas foram as rota de fuga", afirma o representante do Consepro local.

Instalação ainda neste ano

As câmeras de Lindolfo Collor fazem parte de uma iniciativa da Associação de Municípios do Vale do Rio do Sinos (Amvars) que contempla seis cidades. Novo Hamburgo (com 26 câmeras), Campo Bom (16), Dois Irmãos (6), Sapiranga (11) e São Leopoldo (37) terão kits de videomonitoramento como sistema OCR, que reconhece caracteres de placas de veículos, aumentando a vigilância no combate ao roubo e furto de veículos, além de crimes cometidos com a utilização destes, nos próximos meses. Ainda na segunda quinzena de setembro, está prevista pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) uma cerimônia que formalizará o repasse de cerca de R$ 4,5 milhões, oriundos de emenda parlamentar de deputados federais da região.

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Made withVisme

Picada Café instalou seis câmeras em julho

Outro município que apesar de estar entre os 15 menos populosos da região também adotou o uso de câmeras foi Picada Café. Com cerca de 5,7 mil habitantes, com base na estimativa do IBGE, a instalação de seis equipamentos foi concluída em julho deste ano. Segundo a prefeitura, eles foram colocados em espaços estratégicos, especialmente em entroncamentos de grande fluxo de veículos. Estes equipamentos não fazem parte do pacote da Amvars. "Fechamos o cercamentos das principais entradas e saídas. Nosso município é tranquilo, mas é rota de fuga e com as câmeras procuramos inibir", afirma o presidente do Consepro de Picada Café, André Fernando Schmitt. As imagens poderão ser visualizadas em tempo real e ficarão armazenadas. A Brigada Militar poderá fazer esse acompanhamento tanto em seu destacamento ou mesmo em algum dispositivo móvel, como smartphone ou tablet, com acesso à internet. 

PASSO QUE FALTAVA NA SEGURANÇA, DIZ CONSEPRO

Schmitt diz que o investimento da prefeitura de Picada Café foi complementado com valores obtidos em eventos do Consepro. O valor aplicado este ano foi de R$ 30 mil, devido aos custos de instalação, mas que para os próximos anos, já com a manutenção, o investimento anual deve girar na casa dos R$ 20 mil. "Acredito muito em parcerias público-privadas. Contratamos seis câmeras, mas por ser um sistema aberto, três câmeras instaladas por comerciantes também jogam as imagens para o sistema", explica. Além de valores aplicados, a prefeitura também arcou com pontos de internet necessários para o funcionamento dos equipamentos. "O monitoramento era o passo que faltava", enfatiza o presidente do conselho.

Segurança integrada entre cidades

A maioria dos municípios da região de circulação do Jornal NH está entre aqueles que aderiram ao Sistema de Segurança Integrada com os Municípios (SIM). Ao todo, no Estado, são 322 cidades conveniadas com o Estado para a integração de informações para o combate à criminalidade. Através do programa, o governo estadual orienta e ajuda a viabilizar ações, entre elas o cercamento eletrônico.

As verbas não vêm da SSP, mas por meio de Consulta Popular do Estado as cidades podem ter projetos aprovados e receber recursos públicos. Outras opções adotadas para a aquisição e instalação de câmeras são por linha de crédito junto ao Badesul Mais Cidades ou por meio de emendas parlamentares. As imagens capturadas pelas câmeras de um município são concentradas em centrais regionais, que dividem a informação com a pasta da Segurança Pública. 

 

Especialista diz que tem que haver estudo

Para o especialista em Segurança Pública e professor da Universidade Feevale Charles Kieling as câmeras são eficazes, mas com a ressalva de um planejamento bem feito quanto ao local de instalação. "Havendo esse investimento, o sistema é bom. Porém é necessário fazer antes um estudo, o que não é feito. Falta um diagnóstico melhor dos locais de instalação", garante Kieling, que não vê os municípios agindo de forma assertiva neste mapeamento. 

Ele também ressalta a necessidade de manutenção constante dos equipamentos. "A questão das câmeras impacta em um primeiro momento, dando sensação de segurança. Mas a instalação e a manutenção dos equipamentos é muito cara. A criminalidade não se intimida pelas câmeras. É preciso um constante controle e manutenção a cada dois ou três meses", afirma.

Kieling diz que problemas não se restringem a cidades pequenas e até mesmo na Capital não vê as câmeras utilizadas da melhor forma. "Em Porto Alegre não estão sendo efetivas. Simplesmente se acorda e se pensa em resolver tudo colocando câmeras. Coloca-se câmeras em entradas e saídas da cidade, mas o restante das áreas ficam sem cobertura", analisa.

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