Olá leitor, tudo bem?

Use os í­cones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, ví­deos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Jornal NH, 99 - Bairro Ideal - Novo Hamburgo/RS - CEP: 93334-350
Fones: (51) 3065.4000 (51) 3594.0444 - Fax: (51) 3594.0448

PUBLICIDADE
Segundo dia de julgamento

Psicóloga diz que Bernardo 'era dócil, sensível, carinhoso e pedia abraços'

Ariane Schmitt também pediu que os réus não estivessem presentes no Salão do Júri
12/03/2019 14:01 12/03/2019 14:08

A segunda testemunha a depor nesta terça-feira (12) no julgamento dos acusados da morte de Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, é a psicóloga do menino, Ariane Schmitt. A terapia com a profissional começou após recomendação da escola. Ariane é a quarta testemunha do julgamento que teve início ontem em Três Passos. Assim como a testemunha da manhã, Juçara Petry, Ariane também pediu que os réus não estivessem presentes no Salão do Júri.

No depoimento, iniciado por volta das 13 horas, ela afirma que a impressão que teve foi de Leandro ser um pai tangencial, sem empatia pelo filho. Autoridade era exercida com violência, com certo sadismo, disse a testemunha. Ariane também diz que Bernardo se autoministrava três medicações (Ritalina entre elas). "Isso não é balinha de hortelã", dizia a psicóloga para o menino.

A acusação expôs o vídeo em que o pai grava Bernardo carregando um facão e a testemunha questionou exposição da criança em uma situação de extrema irritabilidade. "Não é o Bernardo que todos conhecemos". "Ele era dócil, sensível, carinhoso, pedia abraços".

Pela manhã

Na manhã desta terça-feira, foi ouvida a terceira testemunha indicada pelo Ministério Público. Juçara Petry respondeu aos questionamentos da acusação e das defesas sem a presença dos réus, a pedido dela. A empresária, chamada carinhosamente por Bernardo de "tia Ju", era considerada a figura materna dele. Era ela a homenageada pelo menino órfão no Dia das Mães. E era na casa dela que a criança costumava ficar com frequencia. "Pra nós, ele era como um filho", afirmou. "Uma vez, cobrei que ele tinha errado a tabuada do três. Aí confessou que tinha errado de propósito porque senão o tio Carlinhos não ia mais ensinar ele. Isso doeu muito", contou, chorando, a testemunha. "Bernardo era um menino franzino, meigo, honesto. Bernardo era uma pessoa do bem", definiu a empresária de 58 anos.

As oitivas seguem durante a tarde, a partir das 13 horas. O MP, autor da ação, ainda ouvirá mais duas testemunhas. A defesa de Leandro Boldrini arrolou 10 testemunhas. Graciele Ugulini, Edelvânia e Evandro Wirganovicz abriram mão de testemunhas. O Júri acontece no Salão do Júri da Comarca de Três Passos e é presidido pela Juíza de Direito Sucilene Engler.

Ida ao Foro

Quando Bernardo comentou que iria ao Foro procurar o Juiz, Juçara disse que nunca imaginou que isso fosse acontecer. Surpresa, ela perguntou o que a criança tinha dito ao magistrado: "Falei tudo", resumiu ele. Bernardo chegou feliz depois da audiência e, depois disso, surgiu o assunto de levá-lo a uma benzedeira. "A Kelly (apelido de Graciele) disse que ia levá-lo na benzedeira, que ia ficar tudo bem. Perguntei se ele iria mesmo, e ele respondeu que, se fosse para ficar tudo bem, ele iria".

Bernardo nunca falava o que acontecia em casa. "Desviava o assunto ou saía correndo". Na avaliação da testemunha, a situação piorou na casa dos Boldrini depois da audiência.

"Odeio a minha casa"

Bernardo passava muitos dias na casa da família Petry e, quando Juçara falava para ele voltar, o menino respondia: "Odeio a minha casa". A testemunha disse que evitava saber o que acontecia na casa dos Boldrini, "apenas cuidava de uma criança que estava sem a mãe". E que incentivava que ele gostasse de casa, mas a criança pedia para morar com Juçara. Ela não cogitou a hipótese porque o menino tinha parentes. O Conselho Tutelar chegou a citar que o menino poderia ir para uma casa de passagem, caso a situação de Bernardo em casa não melhorasse. "Aí eu disse que, então, eu ficaria com ele, se fosse para isso acontecer".

Certa vez, o menino comentou sobre um cartão de Natal com a família, sem ele. "Eu odeio isso. Por que não estou junto?" Para ela, o garoto não se sentia "acolhido" em casa. A empresária descreveu Bernardo como uma criança tranquila, que em nada se parecia com o temperamento agressivo mostrado nos vídeos em que aparece brigando com o pai e a madrasta.

Raras vezes ele carregava as chaves de casa quando ia para a casa da testemunha. Já o controle remoto, a madrasta pegava o dele para ela. Carlos, marido da testemunha, chegou a comprar um celular para poder se comunicar com a criança, já que, muitas vezes, eles não conseguiam encontrar Bernardo, que circulava por várias casas.

Roupas e objetos

As roupas usadas por Bernardo, quase sempre eram dadas pela testemunha. Muitas, eram da própria Juçara que já tinha em casa objetos de uso pessoal, como escova de dentes e toalhas, para o menino utilizar. Certa vez, Bernardo machucou a boca com o aparelho dental e que Juçara procurou a família para resolver o problema. "Leandro não atendia o telefone. Procurei a Kelly (apelido de Graciele) e ela reclamou dizendo que 'esse guri só incomodava, era um estorvo e que era para deixar a boca estourar".

A criança não escolhia comida, dificilmente recusava algo.

"Bernardo procurava Deus"

A testemunha explicou que o menino Bernardo gostava de estar na igreja. "Certa vez o padre me disse que Bernardo procurava Deus." No dia da primeira Comunhão, a criança estava triste porque não teria a presença do pai nem comemoração. Pensou em desistir, mas Juçara e a família o incentivaram a prosseguir. Ela comprou a roupa para que para que o menino usasse no dia e também comemoraram na casa dela, com um churrasco.

Desaparecimento

A primeira suspeita de Juçara quando Bernardo desapareceu, foi que ele havia fugido. "Toda a comunidade se mobilizou. O que nos chocou foi ver o pessoal sujo de barro para procurar Bernardo e saber que o pai e a madrasta foram para a Argentina fazer compras."

A defesa de Leandro Boldrini destacou ligações entre pai e filho, para demonstrar que os dois se falavam, ao contrário do que a testemunha afirmou. E que, quando o menino desapareceu, o médico tentou falar com Juçara, mas o telefone dela estava desligado.

Relacionamento com a madrasta

A defesa de Graciele afirmou que ela é ré confessa, que levou o menino para Frederico Westphalen, ministrou medicação nele, mas também ele se automedicou. Perguntou novamente se Juçara sabia o que acontecia dentro da casa de Boldrini, e ela reiterou que não. E esclareceu que nunca visitou a casa de Leandro, nem quando ele era casado com Odilaine. O Advogado perguntou se Bernardo já exalou sentimento de ódio por alguma pessoa, ela respondeu negativamente. Quanto ao acesso à alimentação, que a testemunha aponta que Bernardo não tinha, afirmou que as declarações se baseiam no que Bernardo contava para ela.

Sobre o relacionamento com a madrasta, a testemunha disse que Bernardo não dava detalhes, mas que "não se encaixava". Já sobre Leandro, ele sempre dizia que o pai salvava vidas.

Relembre

O crime ocorreu em 4 de abril de 2014, quando o menino desapareceu, em Três Passos. O corpo da  criança, na época com 11 anos de idade, foi encontrado 10 dias depois, em uma cova vertical, à beira de um riacho em Frederico Westphalen.

Primeiro dia de julgamento

Os réus respondem pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsificação ideológica. O julgamento foi presidido pela Juíza de Direito Sucilene Engler, titular da Vara Judicial da Comarca de Três Passos, às 9h30, no Salão do Júri, seguindo até as 20h54.

Somente no primeiro dia, a transmissão do julgamento pelo site do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul teve cerca de 10 mil visualizações.

Durante os depoimentos das delegadas, Edelvânia Wirganovicz cobria o rosto com as mãos e chegou a chorar, já a madrasta Graciele Ugulini, o pai de Bernardo, Leandro Bondrini, além de Evandro Wirganovicz não esboçaram qualquer tipo de reação. A previsão de duração do julgamento é de sete dias.

A primeira a depor foi a delegada, Caroline Machado, por cerca de 4 horas. A segunda, Cristiane Moura, começou a depor por volta das 18 horas.

O processo do caso Bernardo, com 44 volumes tem 9 mil páginas.


Jornal NH
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS