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Coração em risco

Infarto mata mais mulheres do que o câncer de mama

Dados do DataSUS apontam que a cada dez ataques cardíacos, quatro atingem o sexo feminino
26/12/2018 14:57

Foto por: Carolina Zeni/GES-Especial
Descrição da foto: Clarice Aparecida Vieira, de 45 anos, sobreviveu a infarto
Cinquenta e cinco minutos foi o tempo que uma moradora do bairro Primavera, em Novo Hamburgo, ficou em parada cardíaca. E sobreviveu. Conforme dados apurados no DataSUS, sistema mantido pelo Ministério da Saúde, quatro a cada dez ataques cardíacos ocorrem em mulheres. No País, as mortes por infarto já ultrapassam os óbitos por câncer de mama, patologia que muito assusta o sexo feminino. Contrariando dados, Clarice Aparecida Vieira, de 45 anos, relata o episódio vivido em julho deste ano.

Em uma sexta-feira daquele mês, a mulher, que é serviços gerais em uma metalúrgica no bairro Rondônia, teve dores no peito. No sábado pela manhã, dia 28 de julho, mal podia levantar da cama. Foi quando ligou para sua mãe, dona Elena, e disse que estava se sentindo mal. Assustada, a genitora foi correndo para a casa da filha. Clarice foi levada às pressas para uma clínica particular. "A mãe falou que eu até vesti minha roupa e botei meu calçado. Disseram que no caminho (até o pronto atendimento) eu falei dos buracos e que a Rua Cinco de Abril estava trancada", relata.

Ao chegar na casa de saúde, foi colocada na ambulância e logo teve a parada cardíaca. A paciente foi levada ao Hospital Municipal com vida. A equipe médica tentou por 55 minutos a reanimação de Clarice. O cardiologista Felipe Lima Pedrozo acompanhou o drama da mulher e não sabe dar uma resposta definitiva sobre motivos para insistir no caso. Segundo ele, este foi o episódio mais impactante de sua carreira médica. Ao todo, é emergencista há 14 anos. "Acredito que os fatos que nos impulsionaram a insistir no procedimento de reanimação além do tempo protocolar, foram de ela ter chegado caminhando na clínica e ter evoluído com parada cardíaca logo no início do transporte", relata.

Em geral, segundo a medicina, médicos ficam fazendo a massagem cardíaca até no máximo 30 minutos. É muito raro o paciente voltar a ter batimento cardíaco espontâneo após esse tempo de reanimação. Ainda segundo o cardiologista, a insistência no caso se deu, ainda, pelo fato de ela não ter nenhuma doença e ser bastante jovem. "Eu agradeço muito por eles não terem desistido, se não, eu não estaria aqui", diz Clarice.

Dados

Os dados disponibilizados pelo DataSUS são de 1996 até 2016. No período de duas décadas, aproximadamente 613.279 mil brasileiras morreram de ataques cardíacos. Só no Rio Grande do Sul, foram 52.082, número 147% maior do que as mortes registradas por câncer de mama, que foram 21.071. No Vale dos Sinos, foram atestados 2.774 óbitos femininos por infartos, sendo que 996 foram em São Leopoldo e, 883, em Novo Hamburgo, cidades onde mais morreram gaúchas por ataques cardíacos na região.


Melhora gradativa

Clarice ficou internada 37 dias no hospital. Menos de uma semana após a parada cardíaca, conforme relata, teve um novo infarto, mas em menor proporção. "Eu estava estressada. Meu irmão foi me visitar um dia e, quando foi embora, fiquei muito triste", relata. Lá, precisou fazer hemodiálise, usava fralda e não sabia que dia da semana era. Quando recebeu alta da casa de saúde, foi para casa de uma das irmãs - eles são em oito - e estava bastante debilitada. Não tomava banho sozinha, não podia vestir roupas e nem conseguia levantar os braços. Não tinha firmeza nas pernas e comia pouco.

Logo depois, começou a perceber que enxergava mal, mas o problema foi resolvido com o ajuste de dosagem dos medicamentos. Do funcionamento total do seu coração, apenas 35% está bem. Quando teve a parada cardíaca, estava em 27%. "É um sinal de que estou me recuperando, mas demora", reconhece, esperançosa. Ela ainda sente muito cansaço e precisa parar na rua de 2 a 4 vezes quando vai na casa de sua mãe, que fica a 200 metros da sua.

Equipe médica surpresa

Clarice começou a engordar aos 24 anos, quando sofreu um acidente de trânsito e acabou fraturando uma vértebra da coluna. Na época, outro médico se preocupou com o sobrepeso, mas os exames não acusavam alterações. Em junho deste ano, pouco tempo antes de sofrer a parada cardíaca, foi orientada que fizesse um teste ergométrico. "Minha pressão era boa, então eu disse que ia fazer, só que no final do ano, porque eu tiraria férias e ficaria tranquila, mas não deu tempo", conta.

Clarice relata a reação dos médicos quando acordou. "Eles estavam apavorados, porque eu poderia ter ficado cega, surda, com problemas no cérebro", diz. "Os médicos da instituição que ficaram sabendo dos detalhes do caso ficaram surpresos. Quando cheguei à beira do leito, testei a função neurológica dela de algumas maneiras e de pronto percebi que essa função parecia intacta numa avaliação preliminar. Naquele momento marejei os olhos de lágrimas", relembra o cardiologista Pedrozo.

Desde então, Clarice vive um dia de cada vez. "Nem eu acreditei que ia sair de lá com vida. Eu não pegava nem a colher plástica na mão para comer", relata. Ela acredita que tudo acontece para pessoas seres humanos melhores. "Eu quero me cuidar cada vez mais. Eu não acho que era uma pessoa ruim, mas tudo o que acontece é aprendizado."

Inimiga da balança?

Clarice sempre fez exames de rotina. Nunca teve pressão alta, mas lutava contra o sobrepeso. "Eu me alimentava mal a vida inteira", admite. Desde o episódio, sua rotina mudou radicalmente. Não põe mais tanto sal na comida e nem gordura. Também cortou a maionese, os doces, o pão branco, refrigerantes e o açúcar que adorava colocar no café. Clarice pesava mais de 120 kg e, desde o infarto, já emagreceu 20 kg com a reeducação alimentar. Antes, a balança era sua inimiga, mas agora se pesa duas vezes por dia: pela manhã e à noite. Legumes, verduras e frutas já fazem parte da dieta.

Óbitos em 20 anos

Óbitos em 20 anos

A sobrevivência a um infarto

O cardiologista Pedrozo explica que nos casos de sobrevivência a um infarto é levado em consideração a idade e não o sexo do paciente. "Jovens têm maior chance de morrer, pois têm uma circulação coronária com menos placas de gordura, e o músculo tende a ter tido menos tempo de isquemia crônica", diz. Estatisticamente, o homem apresenta maior risco. "Pode-se pensar que uma mulher, comparando a um homem de mesma idade, tende a ter menos chances de sobreviver a um infarto."

Prevenção e controle dos fatores de risco

De acordo com o cardiologista Meine, ataques cardíacos podem ser facilmente confundidos com outras patologias em função da manifestação atípica nas mulheres. "O quadro clínico deve ser avaliado pelo médico para excluir e diferenciar de outros problemas que apresentam sintomas parecidos", explica.

A prevenção começa no momento que se controla os fatores de risco, como hipertensão, diabete, parar de fumar, perder peso, controle de colesterol e triglicerídeos elevados, evitar ser sedentário, dieta saudável e principalmente, para os gaúchos, alimentos com baixo teor de sal.

De forma silenciosa nelas

Hipertensão arterial, diabete, tabagismo, histórico familiar, estresse, sedentarismo, obesidade e colesterol elevado são algumas das principais razões que levam uma pessoa a infartar. O cardiologista do Hospital Regina, Manoel Meine, pontua que o infarto nas mulheres pode se manifestar de forma atípica, com sintomas não tão claros como dores no peito com irradiação para o braço esquerdo e pescoço, sudorese, vômitos e falta de ar. "Nas mulheres, podem ser relatados enjoos, fraqueza e cansaço, desmaios, tonturas e até ser silencioso, em que não se tem dor como sintoma principal", esclarece Meine.

Clarice, por exemplo, se sentia muito cansada. "Talvez, fosse o corpo dando sinais", comenta ela. Como muitas vezes as dores nas mulheres é inicialmente pouco valorizado, o diagnóstico é mais demorado. Por isso, mulheres com esses sintomas devem procurar atendimento médico em serviços de urgência para realização de exames. Outras doenças, que também podem ser graves, e apresentam sintomas parecidos e devem ser diferenciadas.

Saiba mais

Infarto em mulheres jovens (menos de 45 anos) geralmente tem mortalidade maior se comparado com os em homens.

A incidência maior delas se dá na menopausa, principalmente a partir dos 55 anos.

Estudos mostram que, após uma parada cardíaca, de 60% a 90% dos pacientes morrem. Dos que sobrevivem, até 80% podem ficar com alguma sequela (nos órgãos do corpo ou sequelas neurológicas).

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