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Viver com Saúde

É possível parar de tomar antidepressivos?

Para bons resultados, é preciso aliar medicamentos com a psicoterapia
27/12/2018 11:09

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: Interromper tratamento com antidepressivo pode causar sintomas de abstinência
O estigma do uso do antidepressivo é um fardo que muitos dos pacientes psiquiátricos carregam ainda nos dias de hoje. Muitas vezes, os próprios usuários se referem aos psicofármacos como uma “bengala”. Com a lista enorme de exigências que a sociedade atual nos impõe, a mente pode não dar conta de tudo, abrindo espaço para a depressão, ansiedade, fobias e outros transtornos que batem à porta de um número cada vez maior de pessoas.

As doenças mentais estão entre as dez patologias mais prevalentes de um total de 32 doenças incapacitantes para o trabalho, segundo a presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Carmita Abdo.

De acordo com a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), analgésicos, ansiolíticos e antidepressivos lideram as vendas no País ao lado de medicamentos como de diabete, pressão arterial e outras doenças cardíacas. Entre 2013 e 2017, o número de doses de antidepressivos e estabilizantes de humor comercializadas passou de 1,1 bilhão para 1,8 bilhão, uma alta de mais de 60%.


Antidepressivo deve ser aliado à psicoterapia

Para que o tratamento dê certo, é preciso que o paciente passe por um tratamento combinado de medicação e psicoterapia. E não pense que é algo rápido. Quando a pessoa tem o primeiro episódio de depressão, o remédio será usado no mínimo por um ano. A psiquiatra Mirela Dal Ri afirma que em casos leves de depressão, "às vezes, é possível tentar a psicoterapia antes da medicação", mas "quando a situação é moderada ou grave já há indicação de se iniciar com o antidepressivo".

"Depois de um ano de estabilidade, se a pessoa está bem, às vezes se faz uma tentativa de retirada. Nunca é 100% garantido que os sintomas não vão voltar. Todo mundo pode ter episódios de depressão, principalmente quem já teve. Se voltarem os sintomas, têm que ser reavaliada a possibilidade de se reiniciar a medicação", detalha.

Depois da batalha que é se adaptar com o remédio e fazer o longo tratamento corretamente, alguns pacientes não veem a hora de interrompê-lo. Como é o caso de dois moradores do Vale do Sinos entrevistados. Depois de cinco anos, ambos conseguiram dar a volta por cima e viver sem os psicofármacos.

 

É uma doença e requer tratamento

A psiquiatra Marta Luiza Ost Frank explica que a depressão, assim como qualquer outro problema de saúde, precisa ser vista como a doença que é, com tratamento médico. E para que o tratamento tenha bons resultados, é necessário aliar o uso do antidepressivo com a psicoterapia. "Depressão é uma doença que é muito incapacitante".

Retirada deve ser gradual

O acompanhamento médico é fundamental para a retirada dos antidepressivos, orienta Mirela Dal Ri. Ela explica que, dependendo da estabilidade do quadro, é possível parar o tratamento, mas em outros casos não é. "Mais de três ou quatro episódios depressivos, o paciente teria indicação de seguir usando a medicação pelo risco alto de recaída".

Durante o processo de descontinuidade do psicofármaco, o paciente pode sentir sintomas de abstinência e por isso se faz a retirada aos poucos. A psiquiatra chama a atenção para a possibilidade de retorno da doença. "Às vezes os sintomas voltam logo, às vezes, voltam depois de alguns anos e, às vezes, não voltam nunca mais", cita.

Alguns casos

Após usar antidepressivos e estabilizadores de humor por 5 anos, um programador e empresário de 43 anos, morador do Vale do Sinos, diz que a falta de libido causada pelas medicações era o maior transtorno em seu caso. Tratando depressão e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ele sempre evitou falar abertamente sobre o uso dos remédios por perceber claramente o preconceito. "'Tiram' quem toma para louco", lamenta.

A decisão de descontinuar o tratamento medicamentoso foi própria, mas o processo contou com acompanhamento médico. Com ajuda da terapia e da prática de musculação, após a primeira tentativa, ele viu que conseguiria viver sem o remédio. "De cara (logo depois das duas semanas após a parada), comecei a sentir o mundo novamente, e algumas coisas boas que eu tinha perdido voltaram (libido) e várias ruins também. Mas eu já tinha um pouco mais de força para lidar com as coisas ruins. Força mais química (musculação), do que racional (terapia)", explica.

As sessões de terapia ocorreram em momentos distintos da vida do programador. Ao longo dos 17 e 36 anos, ele começou e parou seis vezes. Nos últimos três anos, ele se encontrou na psicanálise freudiana. "Meu ganho e desenvolvimento foi absurdamente maior e mais rápido com ela. E dolorido também. Mas de certas dores não se foge. E com uma profissional habilitada, é possível encarar suas dores, misérias, falhas...", conclui.

Outro caso é o de uma administradora hamburguense de 47 anos. Ela fez uso de psicofármacos para tratar depressão, síndrome do pânico e transtorno bipolar por cinco anos. "Parei por desejo próprio. Os médicos diziam que teria que usar para sempre".

"Na fase inicial de retirada dos medicamentos, 13 de tarja preta que tomava por dia, recebi ajuda psicológica, o que foi importantíssimo, pois me deu subsídios para recomeçar sem bengalas. Mas foi em Deus que tive forças para superar tudo", desabafa.

A administradora diz que chegou a pensar que nunca conseguiria deixar as medicações e que recebia muitas críticas por isso.

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