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Alerta à saúde

Açúcar: um vício quase inocente

Composto presente em diversos alimentos desencadeia uma sensação de bem-estar, mas, em excesso, pode criar a mesma dependência do cigarro e do álcool
07/08/2019 16:05

"Hoje o dia foi tão cansativo, eu mereço um monte de chocolates." "Tadinho, ele gosta tanto de bolo recheado." "Ah, ela é magrinha, não dá nada." São inúmeras as desculpas que ativam um sistema quase automático de recompensa dentro da cabeça: eu preciso e mereço um doce! A questão é que estas desculpas vão se tornando cada vez mais frequentes e, quando menos se espera, vira vício! Algumas pesquisas científicas sugerem que a compulsão por doces é, inclusive, tão forte quanto o alcoolismo e o tabagismo.

A endocrinologista pediátrica Luciele Cristofari explica que há toda uma cadeia de resposta no nosso organismo para criar esta dependência, ou seja, para que tenhamos cada vez mais vontade de comer doces. "Quando ingerimos alimentos ricos em carboidratos, nosso cérebro produz uma onda de substâncias - neurotransmissores - que desencadeiam sensação de bem-estar. Em nosso organismo, os carboidratos são convertidos em glicose, que é a principal fonte de energia para o cérebro e imprescindível para seu funcionamento adequado. A sensação de prazer após a ingesta de doces é uma recompensa, para que o corpo, especialmente o cérebro, consiga manter suas funções vitais", destaca a especialista em Novo Hamburgo.

Engorda sim

Uma das grandes dúvidas quando o assunto envolve os doces - ou, como detalhado pela profissional, os carboidratos, que se transformam em glicose no nosso corpo - é se os doces realmente engordam. "Em excesso sim. Quando ingerimos uma grande quantidade de alimentos ricos em carboidratos, extrapolando nossas necessidades diárias, nosso corpo armazena esta energia extra, especialmente no fígado, nos músculos e, nas células do tecido adiposo, em forma de gordura", cita.

 

Como parar de comer tanto doce?

Foto por: Adriana Lima/GES-Especial
Descrição da foto: Luciele Cristofari, endocrinologista pediátrica
“Os carboidratos simples, dentre eles os açúcares utilizados na produção de doces, são encontrados em diversos alimentos e são pobres em nutrientes e fibras, servindo apenas como fonte de energia. Carboidratos em excesso, como vimos, engordam. Portanto, uma alimentação balanceada, sem excessos, deve ser o foco principal. Diminua o consumo de doces e a quantidade de alimentos açucarados paulatinamente, assim o corpo vai se ‘acostumar’ com este novo padrão de ingesta e sentir menos necessidade deles. É preciso ‘educar’ o corpo para que fique satisfeito com uma quantidade menor de açúcar. Alimentar-se regularmente, de três em três horas, e evitar o jejum prolongado também é fundamental. Procure acompanhamento especializado se a dificuldade permanecer”, responde a endocrinologista.

Cuidado com as crianças

E nada de achar que os prejuízos da compulsão por açúcar só serão vistos no futuro. Luciele ressalta que "crianças que ingerem produtos com açúcar refinado em excesso - doces em geral, refrigerantes, bolachas, iogurtes adocicados, entre outros - têm mais chances de apresentar obesidade e hipertensão. Com isto, incrementa-se o risco de outras doenças como diabete e doenças cardiovasculares".

E dizer não para os doces é fundamental para o crescimento saudável dos pequenos. "A criança está na fase de formação das preferências alimentares. Se os pais introduzirem estes alimentos após os dois anos, sem exageros, dificilmente a criança vai insistir em consumi-los. Cabem aos pais direcionar o comportamento alimentar dos filhos, criando bons hábitos. Se os pais compram muitas guloseimas e os oferecem frequentemente, obviamente que a criança vai querer ingerir sempre. Isto atrapalha a aceitação de outros alimentos que são fontes de nutrientes fundamentais como legumes, verduras, frutas, entre outros", alerta a médica.

Do útero para o resto da vida

Um dos conceitos em amplo estudo nos últimos anos é a programação metabólica, ou seja, a análise dos efeitos da exposição do bebê ainda no útero a agentes como cigarro, bebida alcoólica, excesso de açúcar, deficiência de nutrientes, entre outros fatores. "A nutrição do indivíduo, desde a concepção na vida intrauterina e durante a infância, especialmente nos dois primeiros anos de vida, interfere de maneira crucial em seu desenvolvimento e saúde. Os efeitos da alimentação nesta fase repercutem até a vida adulta. Isto acontece porque uma nutrição inadequada ocasiona pequenas alterações em nossos genes, as chamadas modificações epigenéticas. Estudos mostram que os indivíduos submetidos a altos níveis de glicose neste período sofrem uma programação metabólica, devido à modificação genética, tornando-se propensos a desenvolverem obesidade, diabete, hipertensão arterial, entre outras", reforça Luciele.

Diabete tipo 1 x diabete tipo 2

A endocrinologista pediátrica esclarece que a diabete tipo 1 é a principal causa de diabetes na infância, contudo, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não está relacionada a alta ingesta de carboidratos nesta fase da vida. "Este tipo de diabete é uma doença autoimune, em que as células de defesa do corpo destroem as células produtoras de insulina no pâncreas. A insulina é um hormônio essencial para a correta utilização da glicose pelas células. Os principais sintomas são perda de peso, sede em excesso, urina em excesso e muita fome. Cabe ressaltar que o diabete tipo 2, que se relaciona à obesidade e também ao excesso de carboidratos na dieta, é menos comum na infância e na adolescência, porém é cada vez mais frequente no consultório médico devido a epidemia de obesidade infantil que vivenciamos atualmente", reforça a especialista.

Doces

 

Meta brasileira para a redução de açúcar

No fim de novembro do ano passado, o então ministro da Saúde, Gilberto Occhi, e os presidentes de associações do setor produtivo de alimentos assinaram um acordo para que o País reduza 144 mil toneladas de açúcar de bolos, misturas para bolos, produtos lácteos, achocolatados, bebidas açucaradas e biscoitos recheados.

O objetivo é que a meta seja alcançada até 2022, destacando o Brasil como um dos primeiros países a buscar a diminuição do açúcar nos alimentos industrializados. O acordo segue o mesmo parâmetro do feito para a redução do sódio, que foi capaz de retirar mais de 17 mil toneladas de sódio dos alimentos processados em quatro anos.

Brasileiros e o excesso de açúcar nas refeições

Os brasileiros consomem 50% a mais de açúcar do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso significa que, por dia, cada brasileiro, consome em média 18 colheres de chá do produto (o que corresponde a 80g de açúcar/dia), quando o recomendado seria até 12. Desse total, 64% corresponde à açúcares adicionados, aquela colherzinha a mais que você coloca nos alimentos. O restante do consumo é o açúcar presente nos alimentos industrializados.

O alto índice de açúcar já impacta no aumento de doenças crônicas não-transmissíveis. Na última década, o diabete cresceu 54% nos homens e 28,5% nas mulheres. Outra doença que tem crescido entre os brasileiros, e que está relacionada com o alto consumo de açúcar, é a obesidade. A condição clínica subiu mais de 60%.

Como parar de comer tanto doce?

"Os carboidratos simples, dentre eles os açúcares utilizados na produção de doces, são encontrados em diversos alimentos e são pobres em nutrientes e fibras, servindo apenas como fonte de energia. Carboidratos em excesso, como vimos, engordam. Portanto, uma alimentação balanceada, sem excessos, deve ser o foco principal. Diminua o consumo de doces e a quantidade de alimentos açucarados paulatinamente, assim o corpo vai se 'acostumar' com este novo padrão de ingesta e sentir menos necessidade deles. É preciso 'educar' o corpo para que fique satisfeito com uma quantidade menor de açúcar. Alimentar-se regularmente, de três em três horas, e evitar o jejum prolongado também é fundamental. Procure acompanhamento especializado se a dificuldade permanecer", responde a endocrinologista.

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