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Setembro Amarelo

Por vezes confundido com infarto, ataque de pânico acomete 33% da população mundial

Sem sintomas prévios, crise ocorre inesperadamente, até durante situações felizes do dia, e precisa de tratamento
10/09/2019 11:57 11/09/2019 09:16

Aperto forte no peito, tontura, tremor e formigamento nos braços, aumento da pressão arterial e suor excessivo num dia frio. Quem passa repentinamente por esse conjunto de sintomas pode facilmente se confundir com um infarto, porém, para 33% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse conjunto de manifestações têm uma resposta diferente: ataque de pânico. A psiquiatra Luciana Volkmann explica que esta crise é bem diferente de uma tristeza ou mal-estar pontual. "Todas as pessoas passam na vida por situações de tristeza ou de ansiedade em algum momento da vida, vivemos num mundo onde há muitos fatores estressores, o que diferencia se isto é uma doença ou algo natural da vida é a persistência e a gravidade dos sintomas, aqueles que causam mais limitação, um sofrimento intenso, que prejudica o paciente em determinadas áreas ou em todas elas, social, educacional, profissional", cita.

Mas… e se a pessoa se sentiu mal uma vez na vida? "Uma crise só não é doença, mas a pessoa pode ter tido um ataque de pânico sim. Existe uma situação também que muitas vezes é de um estresse de adaptação, a pessoa está passando por uma situação difícil, uma mudança de escola, de cidade, uma doença na família e pode estar tendo, naquele momento, sintomas de ansiedade ou até mesmo depressivos e isso ser algo passageiro: à medida em que o fator estressor passa, isso melhora. Não é diagnosticado como doença, mas mesmo assim precisa de atenção. Se está causando sofrimento, buscar ajuda de um profissional sempre é bom", esclarece a médica de Novo Hamburgo.

A especialista ainda reforça que situações positivas também podem desencadear um ataque de pânico. "Também geram ansiedade, pois são situações novas na vida. Não sabemos como lidar com esta novidade e precisamos então nos adaptar. O que eu faço, por exemplo, daqui por diante se eu ganhei na Mega Sena? O que é não ter limite financeiro para mais nada? Então, estas situações geram sim muita expectativa e podem trazer também estes sintomas", acrescenta.

Tempo e idade

Luciana reforça que a crise de pânico é passageira, mas pode acometer pessoas de várias faixas etárias, até mesmo os adolescentes. Em média, uma crise tem duração entre 10 minutos e meia hora. Quando ocorre por repetidas vezes, conforme a médica, trata-se então de um transtorno de pânico, classificado dentro dos diversos transtornos de ansiedade, ao lado do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), da agorafobia (medo de estar em locais ou situações que possam causar constrangimento ou falta de controle) e do transtorno do estresse pós-traumático, por exemplo. “Em todas as faixas etárias a crise de pânico pode surgir, porém é mais comum no início da adolescência, logo depois da adolescência e entre os adultos jovens. É incomum em pacientes mais velhos, mas há situações entre 45 e 55 anos ou com mais idade, por exemplo. Quando é muito atípico ou sai do quadro clássico, investigamos para ver se não há alguma situação que possa justificar a crise, por exemplo, alguma patologia que simule ataque de pânico ou crise depressiva, situações de tireoide, então é preciso estar atento para fazer um diagnóstico diferencial. O psiquiatra vai avaliar a situação e encaminhar quando necessário para um colega de outra área fazer uma investigação mais profunda e solicitar exames”, cita.

Como agir se é com alguém do meu lado?

Foto por: Marina Mentz/GES-Especial
Descrição da foto: Luciana Volkmann, psiquiatra
A psiquiatra lembra que o principal, em qualquer situação de crise, é manter a calma. "Como o ataque de pânico é limitado, ele vai passar, independente da pessoa usar a medicação ali ou não, o mais importante é estar junto e não se apavorar junto com esta pessoa. Por mais que o paciente saiba que vai passar, durante o ataque a pessoa se sente tão mal que a impressão é de que aquilo nunca vai acabar, então é preciso dar suporte, ajudar a respirar, não menosprezar ou julgar dizendo que 'é só uma bobagem, é coisa da sua cabeça', pois a pessoa realmente está sentindo tudo aquilo. Dar apoio, levar uma água, ajudar a pessoa a falar pode ajudar, perguntar se ela usa alguma medicação, pois há medicações que o paciente usa justamente no momento da crise então é bom perguntar e ajudar ele a tomar. Em alguns casos até levar para algum lugar para que esta pessoa seja atendida e se acalmar. É bem comum que o transtorno de pânico venha com a agorafobia que é o medo ou a preocupação de desenvolver um ataque de pânico ou em público, numa situação em que essa pessoa possa se sentir embaraçada ou não ter saída, não conseguir buscar ajuda ali no meio de uma multidão", explica.

Tudo vem de repente

Não é no meio de uma conversa sobre alguma coisa ruim ou trauma que a pessoa vivenciou. O ataque de pânico surge do nada, sem nenhum sintoma prévio e, por vezes, durante uma situação feliz. "Uma das características do ataque de pânico justamente é o fato de ser inesperado, ele não dá sinais e não há um desencadeador específico. Às vezes há uma situação para ter se estabelecido as crises, por exemplo: a pessoa se formou na faculdade e entrou no mercado de trabalho e aquele momento a adaptação não foi bem vivido e ela desenvolve o transtorno de pânico. Porém, as crises não vão acontecer quando ela estiver pensando no trabalho ou outra situação que lembre isso, vai acontecer em momentos totalmente inesperados. Esta é uma característica bem peculiar do ataque de pânico: acontecer de forma inesperada e a sensação do paciente muitas vezes é de que vai morrer, que está tendo um ataque do coração ou que vai perder o controle", exemplifica.

Esse tipo de crise é diferente de outros transtornos de ansiedade. "Há outros transtornos de ansiedade que são há sim gatilhos necessários, por exemplo, o transtorno de estresse pós-traumático, quando a pessoa vive uma situação e passa por um lugar semelhante ou onde mesmo ela viveu o trauma e isso pode desencadear os sintomas. Se eu entro em contato com aquilo que eu tenho fobia, vai desencadear um ataque. Mas o ataque de pânico não tem gatilho, às vezes a pessoa está tranquila em casa, assistindo a um filme de comédia e aquilo vem, sem a pessoa ter controle sobre isso", cita Luciana.

O tratamento não deve ser adiado

O acompanhamento médico é fundamental para o controle dos ataques. Na confusão dos sintomas, é comum que o paciente procure, por exemplo, primeiro o cardiologista ou até deixe pra lá a questão. "Quando se atrasa o tratamento, a medicação demora mais a responder, às vezes é preciso mais de uma medicação, o tratamento vai ser mais longo", destaca a médica.

"O tratamento deve ser medicamentoso para as crises porque quando permito que o paciente vivencie isso por mais vezes é como se fosse um registro, o cérebro acaba funcionando sempre daquela forma, então é importante que as crises sejam tratadas com medicação e com psicoterapia. Quando é uma situação que não é um transtorno de pânico, uma ansiedade por uma adaptação por exemplo, aí só a psicoterapia pode ajudar. No caso do ataque de pânico, a medicação que usamos é de uma classe específica de antidepressivos que agem nos sintomas de ansiedade e, eventualmente, precisamos fazer recurso de um ansiolítico para abortar a crise, para ser usado durante o ataque. Assim, em vez de esperar 20 minutos, meia hora, até o ataque passar, em alguns minutos, com o uso da medicação, ele cessa. Isso é bem importante porque o paciente se sente seguro, o prognóstico vai melhorando. O impacto desses minutos de pânico para o paciente é muito ruim, o medo de sentir aquilo de novo, de uma próxima crise vir muito mais forte, tudo precisa ser tratado", lembra.

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