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Modos de ser e estar

Páscoa em tempos de ódios

Páscoa para mim é isso. Tem a ver com as possibilidades de se rever, de se modificar, transformar. A data cristã é bem-vinda para problematizar se cada um de nós têm contribuído com a convivência. Se construímos uma cultura de mais paz, onde as relações podem ser menos arbitrárias, rígidas e violentas. Se elas podem nos aproximar em vez de nos colocar uns contra os outros..

Gosto muito da Páscoa. Me agrada a ideia da ressurreição, do renascimento e da transformação. Como não sou uma pessoa muito religiosa, Páscoa para mim é isso. Tem a ver com as possibilidades de se rever, de se modificar, transformar. Não que haja uma época do ano para este processo acontecer. Mas cai bem ser lembrado, de vez em quando, desta possibilidade ou melhor, do quanto isso pode ser uma necessidade para todos nós.
É para contribuir com este movimento que a psicologia ou a psicoterapia se propõe como exercício na prática clínica: dar uma mãozinha para que as pessoas consigam efetuar mudanças em si e na vida para tolerarem com mais lucidez e menos ressentimentos as variações de tudo que é vivo nos diversos fluxos que se sucedem dentro e fora da gente. A data cristã é bem-vinda para problematizar se cada um de nós têm contribuído com a convivência. Se construímos uma cultura de mais paz, onde as relações podem ser menos arbitrárias, rígidas e violentas. Se elas podem nos aproximar em vez de nos colocar uns contra os outros.
Estamos vivendo em tempos de grandes e intensos conflitos, de ódios complexos que promovem intolerâncias e reproduzem exclusões de todo e qualquer sujeito que não se assemelha na sua forma de pensar e agir, que não suporta dialogar com respeito a tudo que for diferente de si mesmo. Fascismos cotidianos e autoritarismos não podem caber mais em uma sociedade que adota a democracia como regime político no qual a soberania é exercida pelo povo. Ou seja, onde o poder deveria pertencer prioritariamente ao conjunto dos cidadãos.
Confraternizar em família, com colegas e vizinhos pode ser uma bela oportunidade de se dispor a realmente olhar para o outro com menos raiva e rancor. Renovar em si a maneira de se perceber, de pensar e agir pode ser uma forma de contribuir com comportamentos mais compreensivos que promovam respeito e a liberdade.

Marielle presente!

Ativista em prol das minorias e desfavorecidos, se manifestava com tamanha bravura, sem se deixar interromper, fazendo arrepiar pelo impacto da sua voz forte e, ao mesmo tempo, firme o suficiente para as batalhas que enfrentava diariamente (e aqui não há nenhuma figura de linguagem)..

Uma tristeza em estado de choque paralisou (mas, principalmente, agitou) o país e o mundo na semana passada. Marielle Franco, como todos sabem, foi assassina a tiros junto de seu motorista e também militante, Anderson Gomes. Um baque que pode servir para acordar em vez de amedrontar, conforme teria sido o suposto “recado” ao povo.
Como foi dito, porque tudo já foi dito (e isso não vai acabar tão cedo), Marielle era aquela pessoa que se gostaria de encontrar sempre, de ouvir, de apoiar, de admirar. Uma mulher, negra, mãe, favelada, cheia de garra que lutou e desbravou as ladeiras e o poder conquistado na sua vida política, sendo a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro. Ativista em prol das minorias e desfavorecidos, se manifestava com tamanha bravura, sem se deixar interromper, fazendo arrepiar pelo impacto da sua voz forte e, ao mesmo tempo, firme o suficiente para as batalhas que enfrentava diariamente (e aqui não há nenhuma figura de linguagem). Não diferente de muitas de nós, mulheres, guerreiras que se dispõem a construir um mundo bem mais possível para viver. E alguns homens, que estão ao nosso lado em busca de equidade de gênero, respeito e mais sensibilidade.
Em épocas onde a democracia é colocada em cheque, ameaçando e roubando as conquistas e os direitos garantidos, bem como, a liberdade de se expressar, de trabalhar com condições dignas (ao menos alguns de nós, porque outros são escravizados), morrer desta maneira precisa servir para denunciar o silêncio do que não está(va) sendo dito. Ou melhor, dar voz ao que vinha calando por intimidações e violência das mais brutais. Tempos duros, tempos dolorosos, tempos que esgotam, tempos que impossibilitam.
Será preciso não desistir da dignidade, do respeito, das possibilidades de viver e existir com mais suavidade, mesmo que para isso, a luta seja retomada com mais habilidade e resistência.

Há desejo sem falta?

O vídeo "A falta que a falta faz" da youtuber Jout Jout que viralizou. Mas há outras maneiras de conceber o desejo para o ser humano como, por exemplo, quando não somos constituídos pro ela. Ou seja, para a Esquizoanálise, não há "buraquinhos" a serem preenchidos. .

Tudo mundo já deve ter assistido ao vídeo “A falta que a falta faz” da youtuber Jout Jout que viralizou ficando entre os mais vistos e fazendo com que a obra de Shel Silverstein (do qual ela fala) ficasse esgotado. O livro “A parte que falta” está em primeiro lugar na lista dos mais vendidos da Amazon. Não é pouca coisa.
Porque será que ele fez sentido para tanta gente? Parece que a leitura psicanalítica lacaniana já está inserida na nossa cultura o suficiente para que as pessoas se identifiquem com o que foi comentado. Para quem não sabe, se trata da leitura de Jacques Lacan a respeito da constituição do desejo dos sujeitos (o que nos move nesta vida) que foi traduzido de maneira simples para ser entendido por uma criança (ou adulto). Questões existenciais e subjetivas dizem respeito a todos nós. Porém, trago aqui, uma outra maneira de perceber nossos modos de ser ou de viver. Não necessariamente para discordar mas, para ampliar a forma de olhar para nós mesmos. Tão complexos e tão instigantes que somos.
Na Psicologia, outra referência teórica concebe que no desejo do ser humano não há falta, que não somos constituídos por ela. Ou seja, para a Esquizoanálise, não há “buraquinhos” a serem preenchidos. Por dois motivos: primeiro porque não há completude, nunca estaremos “prontos” ou tapados por completo (como a historinha deixa claro); e segundo, porque o desejo e o inconsciente, no entendimento de autores como Nietzsche, Guattari e Deleuze, não é da ordem do negativo, mas positivo. Quer dizer, não precisamos sempre de alguém ou algo para nos satisfazer pois esta condição nos afastaria da nossa potência iludindo as possibilidades do viver. Pode-se entender que somos movidos tal como uma usina em que há sempre uma produção operando, em atividade. Um fluxo, um movimento que não cessa jamais e que vai em direção, não ao preenchimento, mas à expansão da multiplicidade e da ampliação da existência.

Um dia você vai servir alguém

A psicoterapia é uma estratégia para fazer ver as dificuldades que travam o processo de vida de alguém. Além de propor tentativas de perceber os preconceitos que temos e que se transformam em sintomas e que, na maioria das vezes, é tão difícil percebê-los sozinho..

Gostei muito da crônica “Forte e Frágil como a Vida”, do dia 24 último, da publicitária Suzana Kunz, parceira neste e em outros espaços através da escrita, das ideias, das práticas e dos afetos. No seu texto, a Suzi fala sobre as referências de caráter e atitudes que são transmitidas principalmente pelos pais. Ela segue descrevendo o quanto as relações que aprendemos e praticamos em vida, vão se traduzindo nas dependências ou independências que são estabelecidas de maneira mais ou menos conscientes.
Além de ser sua fã também sou do Vitor Ramil e gosto demais da música Um dia você vai servir alguém que no disco ele canta com Lenine. A letra fala do quanto vivemos uma codependência, ou uma interdependência como disse a Suzi, e que iremos servir alguém em algum momento das nossas trajetórias, querendo ou não, gostando ou não. Diz o Vitor: Pode ser incendiário e fazer um índio arder; Você pode ser o índio vendo a chama acender; Pode ser um bom ladrão, pode ser um mau juiz; Pode ter um passado limpo, pode ter uma cicatriz; Mas um dia vai servir a alguém, é; Um dia vai servir a alguém; Seja ao diabo; Ou seja a Deus; Um dia você vai servir a alguém...
A psicoterapia é uma ferramenta para conhecer melhor todas as influências que temos desde nosso nascimento até a morte. E também é uma estratégia para enxergar com mais clareza ou fazer ver as diferentes dificuldades que travam o processo de vida de alguém. Além de propor tentativas de perceber os preconceitos que temos e que se transformam em sintomas e que, na maioria das vezes, é tão difícil percebê-los sozinho.
A maturidade não precisa chegar somente com a velhice. E ela combina com a lucidez. Uma faz liga com a outra. As duas juntas compõem uma potente associação. Faz a vida ter mais sentido com coerência e sabedoria. Então, valeu Suzi e Ramil! Seguimos em busca do que nos torna mais lúcidos, doa a quem doer ou faça alegre quem aceita o respeito e a humildade tão necessários para viver.

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