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Modos de ser e estar

Por um fio

A exaustão emocional é um estado atingido pela sobrecarga de empenhos profissionais e pessoais que não ocorre de um momento para outro. Trata-se de um processo lento, até o ponto em que a pessoa pode chegar a entrar em colapso..

Na “sociedade do cansaço” atual, fala-se muito em estresse, desgaste e exaustão. A fadiga extrema provocada pelo excesso de trabalho nem sempre se resolve tão rapidamente com um happy hour ou poucos dias de férias. Todavia, este desgaste todo também não se trata apenas de uma overdose de esforços nas atividades laborais, mas por abarcar conflitos, assumir uma abundância de responsabilidades e estímulos emocionais ou cognitivos.
Toda esta carga pode aumentar significativamente e se tornar uma doença chamada “síndrome da exaustão”, ainda pouco levada a sério, mas que cresce no mundo inteiro. A exaustão emocional é um estado atingido pela sobrecarga de empenhos profissionais e pessoais que não ocorre de um momento para outro. Trata-se de um processo lento, até o ponto em que a pessoa pode chegar a entrar em colapso. Esse baque à submete a um estado de paralisia, depressão profunda ou doença crônica. Instala-se assim, uma crise pois, literalmente, já não se aguenta mais.
Como vivemos em um tempo onde “não aguentar mais” muitas vezes é sinal de fraqueza, as pessoas que se veem nesta situação são identificadas como alguém que não consegue simplesmente atingir seus propósitos. Precisamos abrir bem os olhos em relação a isso! Sem reconhecer e aceitar os próprios limites, muita gente tem chegado ao esgotamento e acaba reforçando a cobrança social de produtividade e competitividade que não permite parar nunca. “Time is money” já pode ser considerada uma frase antiga e a população vem pagando o preço há um bom tempo por não conseguir respeitar a si próprio incluindo sua saúde física e mental. Não respeitando a si não respeita-se ao outro, ao colega, empregado, etc. E a roda viva da canseira vai tomando proporções assustadoras e desmedidas. É preciso resgatar a cautela entre o que damos e o que recebemos para que esta gangorra não se mantenha desequilibrada o tempo todo.

Paralisações e a sociedade do cansaço

A suspensão das atividades durante as últimas semanas em virtude das paralisações deu o que pensar mas, principalmente, deu o que sentir. A sociedade do cansaço pode descansar mais, ter mais tempo, menos pressão....

A suspensão das atividades durante as últimas semanas em virtude das paralisações deu o que pensar mas, principalmente, deu o que sentir. Gerou-se muito stress e uma tensão bem desconfortável provocada pela necessidade de reorganizar as rotinas com a falta de combustível, pelo receio da suposta falta de mantimentos e de produtos básicos. Com uma certa histeria coletiva, alguns se desorientaram na prática do dia a dia, mas também pode-se observar a confusão interna e subjetiva.
Muita gente se fragilizou de tal forma que a insegurança dos acontecimentos e algumas indefinições evidenciaram vulnerabilidades. O cenário social se modificou rapidamente e passou a imprimir outro ritmo, provocando nas pessoas a necessidade de estabelecer outros modos de viver, de trabalhar, de se organizar. Esta velocidade inicial produziu uma desaceleração, não só das máquinas mas dos indivíduos. Foi aí que começou a aparecer um clandestino prazer na possibilidade de estar impedido de cumprir todas as tarefas e urgências. A sociedade do cansaço pode então descansar mais, ter mais tempo, menos pressão para resolver questões que, em alguma medida, fugiam ao alcance da maioria.
Apesar de se manifestar, reivindicar e apoiar a luta imprescindível por tudo que vem sendo boicotado no amplo desmonte aos direitos dos cidadãos, podemos ver cenas de pais brincando nas praças com seus filhos que estavam sem aulas, estudantes privados de suas horas necessárias de sono podendo descansar, mulheres almoçando com mais calma, homens tendo tempo para fazer o que não conseguem.
O desempenho exagerado, a ganância, o excesso de poder, a competição, a corrida interminável pelo dinheiro e a corrupção cultivam a sociedade do cansaço que impede formas de vida mais sustentáveis, saudáveis, íntegras e felizes.

Saúde mental e psicoterapia

Reconhecer seus impedimentos e não colocá-los fora do alcance pode ser um dos primeiros passos em direção a aprimorar a maneira de lidar com a própria vida. A psicoterapia auxilia para que este trajeto não seja tão solitário..

Quando se fala em saúde mental muitos preconceitos existem considerando que, quando se vai ao psicólogo, o sujeito está louco. Ainda que a situação estiver “pegando fogo” tem quem não quer ouvir falar em análise e tratamento psíquico. Muita gente não está legal física e emocionalmente sem reconhecer suas próprias dificuldades e acaba jogando pra cima dos outros esta responsabilidade resistindo ao máximo o processo de se apropriar dos seus impedimentos.
Muitos pretextos são construídos na tentativa de justificar as adversidades mas para determinadas pessoas os motivos arranjados servem como uma espécie de desculpa inconsciente para não se deparar com os próprios desafios. Jogar estas situações para fora de si acaba dando margem para sair pela tangente sem encarar o que se apresenta como necessário para se manter mais lúcido e saudável.
É preciso se olhar e averiguar quais investimentos você faz em si mesmo para sentir-se melhor e com mais capacidade de dar conta daquilo que sua vida está lhe exigindo. Também é necessário pensar no que você tem feito para obter mais paz interior, menos estresse e menos “incêndios” na sua jornada. A psicoterapia auxilia para que este trajeto não seja tão solitário. Reconhecer seus impedimentos e não colocá-los fora do alcance pode ser um dos primeiros passos em direção a aprimorar a maneira de lidar com a própria vida. O processo psicoterápico, que envolve a dupla terapêutica (profissional e paciente) em uma relação de confiança, se constrói como um tocar piano a quatro mãos. Ele auxilia no reconhecimento das dificuldades tornando-as mais toleráveis para serem digeridas de maneira mais leve se transformando em novas forças para que a engrenagem seja lubrificada o suficiente e continue girando sem parar ou enguiçar no meio do caminho.

Maternidade reinventada

A maternidade se confunde com a capacidade de ser generosa. O exercício de abrir mão, de coração também aberto, é ampliar a generosidade sem esperar retornos ou garantias..

A maternidade é uma das grandes experiências que uma mulher pode ter na vida. Ou também pode ser uma prática afetuosa mas que não mexe com as entranhas do ser. Mas quando mexe, mexe! Já contei, neste mesmo espaço, que quando nasceu meu filho eu descasquei, literalmente desabrochei. Minha pele escamou numa sequência de dias até que me dei conta do tamanho da transformação que estava começando acontecer. Achava que a gestação já tinha promovido todas as mudanças possíveis com meu corpo e minha subjetividade, mas não. Era só o começo.
A maternidade vem se construindo mais ou menos assim na minha vida. Se confundindo muito com a capacidade de ser generosa. O exercício de abrir mão, de coração também aberto, é ampliar a generosidade sem esperar retornos ou garantias. Um altruísmo, nem sempre fácil, que não se constrói sozinha mas com a rede que sustenta os cuidados de uma criança (pai, avós, tios, primos, amigos, professores e profissionais de saúde). Doar-se é sinônimo desta condição. Ser generosa a ponto de gestar um outro ser, de ser uma ponte, uma passagem. Emprestar seu corpo, fazer dele uma ferramenta para esculpir outra pessoa parecida mas, diferente.
Tudo já se falou sobre ser mãe. Para além de todos os clichês e da ideia romantizada tão difícil de ser desconstruída (a mãe como ser supremo), percebo que a maternidade é uma possibilidade de amadurecer e se tornar alguém melhor no mundo. Um filho pode fazer isto com a gente (sejamos mãe ou pai desde que comprometidos com o amor e cuidados).
Amar, educar, amparar, renunciar, exigir, compartilhar, ser exemplo e tantos outros prazeres e tarefas fazem parte das diferentes maneiras de ser mãe na vida equilibrista que a maioria das mulheres leva atualmente. Não há como criar um filho sem passar, em maior ou menor grau, por um movimento de transformação. Que a maternidade nos reinvente todos os dias!

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