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Sétima das Artes

Crítica: O Primeiro Homem

Terceiro filme de jovem cineasta visa ganhar alguns Oscars.

O Primeiro Homem Damien Chazelle é um jovem cineasta de 32 anos, que ascendeu muito rapidamente em Hollywood. O que eu acho interessante em cineastas novos: seus filmes inciais costumam ser bem diversificados em termos de estética. Afinal, o realizador está cheio de ideias e quer desbravar novos territórios. 

Daí que seus três primeiros filmes sejam tão diferentes. Whiplash - Em Busca da Perfeição é uma produção independente que trata do mundo do jazz. O festejado e premiado La La Land é uma modernização do musical clássico. E O Primeiro Homem é uma cinebiografia do astronauta Neil Armostrong (Ryan Gosling). 

Apesar da aparente temática desconexa, Chazelle acaba sempre tratando da mesma história de obsessão de seu protagonista em um objetivo, indo às raias do colapso ou mesmo da destruição física. Assim, O Primeiro Homem não é uma aventura ufanista da chegada do homem à Lua. Mas sim um mergulho na alma de um homem atormentado. 

Os detalhes da vida de Armostrong parecem ser pouco conhecidos do público geral, por isso o filme tem frescor. No início descobrimos que o então piloto de testes Neil perde uma filha para um câncer. Ao ser selecionado para a Nasa, mergulha no trabalho como forma de esquecer. 

Então, por mais que seja uma fita que se enquadre naquele gênero de "ficção-científica que não é ficção-científica" (como Apollo 13 e o incrível Os Eleitos, de 1983), O Primeiro Homem é um drama intimista familiar, que lida com as tormentas do astronauta com a sua esposa -- numa grande interpretação de Claire Foy, destaque do filme. 

As cenas que se passam dentro de casa sempre tem a câmera muito próxima, na mão, uma imagem bem granulada e que às vezes decide por perder o foco como ferramenta dramática. É uma estética incômoda, mas que se relaciona com o turbilhão que aquele casal enfrenta. 

O motivo da câmera instável e próxima tem um motivo de ser: está reservado para o clímax do drama do protagonista grandes planos gerais estáticos e de composição rigorosa. 

Mas mesmo quando vai para a ação (a começar pela cena de abertura, um tenso voo num jato experimental), Chazelle faz sua câmera sempre mostrar o que acontece do ponto de vista de Ryan Gosling. A sua visão do que acontece é limitada pelas pequenas janelas, que mostram o quão pouco glamorosa era a vida dos astronautas.

Por sinal, uma poderosa edição de som mostra aquilo que representações anteriores da corrida espacial escondiam: que as naves nada mais eram do que sacolejantes e barulhentas cápsulas que ninguém sabe como se mantinham intactas. Por conta desse trabalho, a fita é candidatíssima aos Oscars de som ano que vem. 

Como destaque final, temos a trilha do também jovem Justin Hurwitz. Entre uma que outra citação às valsas de 2001 - Uma Odisseia no Espaço, ele alterna uma poderosa música sintetizada com um tema minimalista de harpa. E ainda traz algumas interferências de um theremin, um dos primeiros instrumentos eletrônicos (um cacareco tecnológico tal qual os foguetes e cápsulas espaciais). 

Talvez seja um filme que queria abordar coisas demais. Ele dá espaço para algumas críticas sociais (como na cena em que um homem negro canta um desabafo sobre a sua pobreza em relação ao dinheiro gasto no programa espacial). É desenhado para o Oscar, que já consagrou os trabalhos anteriores de Chazelle. 

Talvez a própria obsessão do cineasta pela consagração é o retrato da própria obsessão dos protagonistas dos seus filmes. 

Crítica: Mare Nostrum

Drama brasileiro acerta na representatividade, mas tem vergonha de se assumir.

A história de Mare Nostrum se passa em 2011, e nesse sentido ela serve como uma cápsula do tempo de um Brasil que parece muito distante hoje. Dois personagens voltam ao país depois do insucesso no exterior: Roberto, um jornalista que é demitido por conta da crise na Espanha, e Mitsuo, um descendente de japoneses que retorna após ter perdido tudo no tsunami de Fukushima.

O que une ambos é um misterioso terreno no litoral de São Paulo, negociado pelos pais de ambos no início dos anos 1980. O imóvel vira uma possível tábua de salvação para os dois, que estão em dificuldades financeiras – que, por sua vez, estão afetando diretamente suas famílias. Cabe à filha pré-adolescente do jornalista descobrir que o tal terreno na verdade é mágico, capaz de realizar os desejos feitos nele.

O principal ponto positivo do filme é a forma como ele perpassa os afetos familiares, da ancestralidade ao presente, passando por pai e filha, irmãos, avó e neta, os amores do passado. Também funciona bem o fato de que vemos boa parte da trama pelos olhos da personagem pré-adolescente, que é particularmente encantadora (e que catalisa a busca pela compreensão do passado familiar).

Nesse sentido, o título também acerta muito ao investir na representatividade de atores e atrizes negros. Eles vivem diferentes papeis e nunca são estereotipados ou unidimensionais. O roteiro também trata com respeito a cultura dos imigrantes japoneses e seus descendentes.

Contudo, há defeitos nessa mistura tão bem intencionada. A direção do já experiente Ricardo Elias resvala na bagunça: algumas mise-en-scènes passam uma incômoda sensação artificial; algumas atuações não estão bem dosadas. Pode parecer preciosismo, mas o cineasta parece se atrapalhar quando precisa fazer closes dos seus protagonistas – o que, num drama, é essencial acertar.

Há um defeito a mais: Mare Nostrum nunca se assume no que tange ao seu realismo fantástico. O terreno mágico nunca vira fantasia assumida, nem percorre o caminho da insinuação sutil que permite dúvidas. Ele fica num estranho meio-termo sem equilíbrio.

Mas tem algo nele que tenta acertar as sensações do espectador, de ser simpático ao público. Aqui e ali, consegue.

Crítica: Venom

Quem precisa de mais um filme de super-herói?.

VenomVenom é aquilo de pior que o cinema comercial pode oferecer: um filme levando em conta somente decisões de mercado. Ele não se interessa em entreter que seja o público. Quer apenas uns trocos fáceis, usando um gênero de sucesso no momento. 

Então: Venom é um vilão do Homem-Aranha nos quadrinhos, que depois foi promovido à categoria de anti-herói. Não é sua primeira chance na tela grande. Já tinha aparecido nos cinemas no equivocado Homem-Aranha 3. Mas com o recente sucesso de Deadpool, imaginou-se que ele poderia se encaixar nesse ramo de adaptações de HQ com mais humor e direcionamento mais adulto. 

Portanto: não, esse título não se enquadra em nenhum universo cinematográfico corrente -- e nem mesmo há menção sutil que seja ao Cabeça de Teia durante a trama. 

Os realizadores bem que tentam empacotar o produto num embrulho vistoso, com gente boa e de respeito no elenco (Tom Hardy e Michelle Williams, sempre ótimos) e um diretor promissor (Ruben Fleischer, do divertido Zumbilândia). Mas isso não impede que Venom jamais escape de ter um tom genérico e sem graça.  

Apesar do visual do personagem ser bem próximo ao dos quadrinhos e do esforço da dupla de protagonistas de fazer a coisa funcionar, não dá pra negar que tudo que acontece na trama é previsível. Uma que outra piada se destaca na mistura (em especial quando o protagonista dialoga com a entidade alienígena simbionte que o domina). Mas é duro ver a mesma história contada sem originalidade -- ou pior, sem vontade. 

Alguma coisa se salva além do elenco? A boa trilha sonora sintetizada (ainda que clichê) do sueco Ludwig Göransson (que fez ótimo trabalho em Pantera Negra). O que tem de pior? Os efeitos visuais, sempre noturnos e que dificilmente são convincentes. Algumas tomadas são muito ruins, especialmente aquelas em que o simbionte se mistura ao corpo de Tom Hardy. 

Não é entendiante, nem terrível. Mas não merece maior atenção, pelo caça-níqueis que é. 

Tem duas duas cenas durante e depois dos créditos. A última, que não tem nada a ver com a obra, é o melhor momento de toda a projeção.  

Crítica: O Predador

Novo filme da franquia assume uma auto-paródia divertida.

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: O Predador
Nenhuma continuação será melhor que o Predador original (1987). É um filme tão simples e tão fantástico que simplesmente não envelheceu -- nem tecnicamente. É um espetáculo de suspense e ação. 

Todas suas continuações não chegam aos seus pés -- e, convenhamos, nem tentaram (à exceção de Predador 2, de 1990, que tenta ser "maior e melhor", mas fica abaixo em todos os quesitos). Esse O Predador, então, parte de um ponto confortável: bastava se sair um pouco melhor que as demais sequências, sem a responsabilidade de bater o que é imbatível. 

Apesar do título no singular, a fita apresenta mais de uma criatura -- não é spoiler, tá no trailer. A projeção começa precisamente com uma batalha espacial entre as naves dos predadores, e uma delas acaba caindo na Terra. Por um tempo, a narrativa se divide em quatro: os cientistas pesquisando a queda; o protagonista humano sendo considerado insano; o seu filho com problemas cognitivos; um predador buscando pelo outro. 

Eventualmente, essas linhas convergem. Não há muito suspense. Há ação e humor -- mas um humor negro, um pouco estranho. O diretor Shane Black atuou no original de 1987. Seu personagem naquela ocasião era o militar mezzo nerd que faz piadas sem graça, e que pelo deslocamento delas, fazia rir. É como se todos os personagens aqui seguissem o mesmo caminho. Ou seja, O Predador ri de si mesmo o tempo todo, lembrando constante o espectador que não rivaliza com o clássico. 

A decisão mais corajosa fica por conta do "comando militar" que é perseguido no filme. Em 87, eram soldados de elite; em 90, policiais; em Predadores, de 2010, mercenários. Desta vez, são ex-militares detidos por distúrbios mentais variados (incluindo alguém com síndrome de Tourette).

São esses os personagens, ao mesmo tempo trágicos e que constantemente riem de seus problemas, que significam a força do longa. São mostrados não como incapazes, mas como pessoas que lidam com o estresse e angústia de outras formas. São empáticos e tocantes (e torcemos por eles). Talvez alguns espectadores torçam o nariz pela abordagem nada melodramática. Mas eu curti bastante. 

A ação está dentro do padrão, e aqui e ali poderia ser mais bem montada ou encenada (um que outro momento fica confuso de acompanhar). Interessante que também se assumem os acontecimentos dos filmes passados (inclui até uma referência ao primeiro Alien Vs. Predador), colocando todos os títulos no mesmo universo. 

O final termina apontando para uma possível continuação direta da franquia. Talvez poderia ser mais saudosista e trazer de volta os sobreviventes das fitas anteriores, que tal? 


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