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Sétima das Artes

Crítica: O Predador

Novo filme da franquia assume uma auto-paródia divertida.

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: O Predador
Nenhuma continuação será melhor que o Predador original (1987). É um filme tão simples e tão fantástico que simplesmente não envelheceu -- nem tecnicamente. É um espetáculo de suspense e ação. 

Todas suas continuações não chegam aos seus pés -- e, convenhamos, nem tentaram (à exceção de Predador 2, de 1990, que tenta ser "maior e melhor", mas fica abaixo em todos os quesitos). Esse O Predador, então, parte de um ponto confortável: bastava se sair um pouco melhor que as demais sequências, sem a responsabilidade de bater o que é imbatível. 

Apesar do título no singular, a fita apresenta mais de uma criatura -- não é spoiler, tá no trailer. A projeção começa precisamente com uma batalha espacial entre as naves dos predadores, e uma delas acaba caindo na Terra. Por um tempo, a narrativa se divide em quatro: os cientistas pesquisando a queda; o protagonista humano sendo considerado insano; o seu filho com problemas cognitivos; um predador buscando pelo outro. 

Eventualmente, essas linhas convergem. Não há muito suspense. Há ação e humor -- mas um humor negro, um pouco estranho. O diretor Shane Black atuou no original de 1987. Seu personagem naquela ocasião era o militar mezzo nerd que faz piadas sem graça, e que pelo deslocamento delas, fazia rir. É como se todos os personagens aqui seguissem o mesmo caminho. Ou seja, O Predador ri de si mesmo o tempo todo, lembrando constante o espectador que não rivaliza com o clássico. 

A decisão mais corajosa fica por conta do "comando militar" que é perseguido no filme. Em 87, eram soldados de elite; em 90, policiais; em Predadores, de 2010, mercenários. Desta vez, são ex-militares detidos por distúrbios mentais variados (incluindo alguém com síndrome de Tourette).

São esses os personagens, ao mesmo tempo trágicos e que constantemente riem de seus problemas, que significam a força do longa. São mostrados não como incapazes, mas como pessoas que lidam com o estresse e angústia de outras formas. São empáticos e tocantes (e torcemos por eles). Talvez alguns espectadores torçam o nariz pela abordagem nada melodramática. Mas eu curti bastante. 

A ação está dentro do padrão, e aqui e ali poderia ser mais bem montada ou encenada (um que outro momento fica confuso de acompanhar). Interessante que também se assumem os acontecimentos dos filmes passados (inclui até uma referência ao primeiro Alien Vs. Predador), colocando todos os títulos no mesmo universo. 

O final termina apontando para uma possível continuação direta da franquia. Talvez poderia ser mais saudosista e trazer de volta os sobreviventes das fitas anteriores, que tal? 


Crítica: Alfa

Filme familiar pouco inspirado mistura dois gêneros e desperdiça boas ideias.

Alfa Fiquei curioso ao assistir ao trailer de Alfa. Gosto de filmes ambientados na pré-história, e essa produção parecia unir rigor científico com uma típica narrativa de "filmes de cachorro", um subgênero que sempre teve mercado. Pois Alfa tenta mesmo ser as duas coisas, uma espécie de mix de Caninos Brancos (livro de Jack London) com o sensacional A Guerra do Fogo (filme francês de 1981). Porém, seu excesso de ingenuidade parece atrapalhar essas boas ideias. 

É fato que a produção tem um tom para toda a família -- então, o preciosismo antropológico é leve, para não se sobrepor às convenções de mercado. O filme até passa a maior parte da projeção focando na relação do protagonista, o adolescente Keda (Kodi Smit-McPhee) e seu pai e chefe da tribo, Tau (Jóhannes Haukur Jóhannesson) antes de apresentar a verdadeira estrela, o lobo Alfa -- a quem Keda domestica e passa a ter uma amizade. 

Porém, o filme confunde simplicidade com simplismo. Numa narrativa com poucas falas, é necessário um visual narrativo muito cuidadoso. Mas o diretor Albert Hughes parece ter investido todo o impacto em três ou quatro planos (um deles, o de um bisão lançando uma pessoa num abismo, inclusive é repetido). Entre esses poucos takes inspirados, o diretor parece apenas passar o tempo. 

Justiça seja feita: aqui no Brasil, o filme está sendo lançado somente em cópias dubladas, o que simplesmente destroça a imersão no seu universo. Uma língua rudimentar foi especialmente criada para os personagens no roteiro. A sua substituição pelo português moderno acaba com as atuações, que ficam forçadas. Bola fora da distribuidora não ofertar cópias legendadas -- ou seja, talvez seja melhor esperar o home video ou video on demand. 

As melhores partes, como mencionado antes, são as que envolvem o protagonista humano e o lobo -- no caso, um exemplar de uma raça recente, o cão lobo checoslovaco. Há bastante uso de computação gráfica não só nos demais animais -- bisões, felinos, hienas, rinocerontes -- mas também substituindo o cachorro. Seja em cenas mais perigosas, seja em alguns closes mais dramáticos. 

Mesmo não sendo uma experiência empolgante como o conceito original promete -- contar a história do início da amizade milenar entre cães e homens, -- Alfa funciona como uma distração infantil mais leve. O final bonito quase redime a obra. Mas a sensação é de que os realizadores (e distribuidores) ficaram apenas na promessa da ideia. 

Gaúchos em produção: habilitados ao Oscar

Duas produções gaúchas estão habilitadas a representar o Brasil no Oscar.

Semana passada, o Ministério da Cultura publicou a lista de 22 longas habilitados na disputa para serem os representantes do Brasil ao Oscar de filme estrangeiro. Dentre as produções, há duas feitas no Rio Grande do Sul: o documentário O Caso do Homem Errado e a ficção Yonlu

O Caso do Homem Errado O Caso do Homem Errado foi lançado comercialmente em março deste ano e desde então tem travado uma tarefa hercúlea para ser exibido em várias capitais nacionais. O filme tem direção de Camila de Moraes e roteiro de Camila de Moraes, Mariani Ferreira e Mauricio Borges de Medeiros. 

O doc conta a história do jovem operário negro Júlio César de Melo Pinto, que foi executado pela Brigada Militar nos anos 1980 em Porto Alegre. O crime ganhou notoriedade após a imprensa divulgar fotos de Júlio sendo colocado com vida na viatura e chegar, 37 minutos depois, morto a tiros no hospital. Além do caso que dá título ao filme, a produção discute ainda as mortes de pessoas negras provocadas pela polícia no país. Assista ao trailer.

A habilitação ao Oscar é uma das muitas vitórias simbólicas que O Caso do Homem Errado conquistou. Ele é somente o segundo filme dirigido por uma cineasta negra a ser lançado comercialmente na história do cinema brasileiro. O primeiro, a ficção Amor Maldito, comandado por Adélia Sampaio, estreou no longínquo ano de 1984.  

YonluYonlu é uma ficção baseada numa história real. Com direção e roteiro de Hique Montanari, ele vai entrar em cartaz no país no próximo 30 de agosto. O trailer pode ser visto aqui.

O roteiro toma por base a vida de um garoto de 16 anos (que dá título ao filme) que, com a ajuda da internet, conquistou o mundo com seu talento para a música e para a arte. Fluente em cinco idiomas, Yonlu tinha uma rede de amigos virtuais em todos os continentes. Ninguém desconfiava que ele também participava de um fórum de potenciais suicidas. 

A indicação ao Oscar de filme estrangeiro acontece assim: cada país cria as suas regras para apresentar somente um representante oficial. Os filmes escolhidos são enviados para uma comissão especial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que escolhe nove semifinalistas. Destes nove, cinco são efetivamente indicados ao prêmio. 

A etapa atual é a primeira: a de habilitação dentro do próprio país. Para serem representantes do Brasil, O Caso do Homem Errado ou Yonlu serão avaliados com outras 20 produções nacionais por uma comissão formada pelo Ministério da Cultura. Se um deles for escolhido, o caminho ainda é grande. Mas o passo para os realizadores é incrível. 

Crítica: Missão: Impossível - Efeito Fallout

Sexto filme da franquia é um dos melhores - se não o melhor.

Missão: Impossível Os filmes da série Missão: Impossível tem uma característica que me fascina. Por mais que a estrela de Tom Cruise domine a franquia (por ser seu protagonista e também seu produtor), os diretores são instados a trabalhar com excelência técnica. O resultado são títulos que costumam render homenagens ao "bom cinema", por assim dizer. 

É o mais próximo que se consegue hoje de "brincar de Hitchcock". Ou seja, de fazer um filme se preocupando (e se deliciando) com a boa execução estética, sem dar maiores preocupações com o conteúdo. Dá-se ênfase à forma por si. 

Não à toa, alguns dos momentos mais memoráveis da franquia têm essa "assinatura". De Tom Cruise pendurado dentro do cofre no primeiro longa, de 1996, à silenciosa cena do corredor do Kremlin de Protocolo Fantasma: sempre há um docinho estético para o público. 

Efeito Fallout tem vários desses momentos. O diretor Christopher McQuarrie é o primeiro cineasta a comandar dois filmes da saga e faz isso muito bem -- ele parece saber lidar com Cruise, conhecido por intervir nos filmes em que atua no nível do detalhe. A fotografia é muito boa, com rigor formal em alguns planos. A trilha sonora do jovem compositor Lorne Balfe é muito presente e tem cenas claramente reservadas para que a música fosse o destaque. Por fim, a ação é realizada com muito cuidado e esmero. 

Aliás: este talvez seja o Missão: Impossível de movimento mais incessante, emendando uma sequência na outra. Apesar de intensa, é uma ação quase sempre dirigida com muita coerência, onde é possível o espectador entender o que está acontecendo com os personagens. Os destaques são o pulo de paraquedas em plano-sequência, a luta no banheiro e as perseguições em Paris (sim, no plural). Além, é claro, do seu insano terceiro ato. 

Pausa aqui: nos últimos títulos da série, as cenas de ação começaram a ficar excessivamente superlativas. Em Missão: Impossível III há uma perseguição de helicópteros em meio a um parque eólico ainda no primeiro ato; em Nação Secreta, a abertura é o protagonista agarrado à fuselagem de um avião de carga; em Protocolo Fantasma, Cruise escala um arranha-céus nos Emirados Árabes e emenda com uma perseguição automobilística em plena tempestade de areia. 

Efeito Fallout é mais inteligente nesse aspecto: ao invés de sequências com clímaces e resultados estrambólicos, a equipe de McQuarrie passa a maior parte do filme preocupada com uma ação simples, porém muito bem-feita, para se entregar ao espetacular no terceiro ato. O duelo de helicópteros é empolgante -- e faz muita diferença na tensão e envolvimento do espectador ver de fato Tom Cruise pendurado numa aeronave em voo. 

Quanto ao roteiro, nada muito o que dizer. Tem as tensões governamentais de sempre, uso de pseudônimos divertidos (Apóstolos, Viúva Branca, etc), planos estapafúrdios de fuga ou de invasões. Digno de nota é o fato deste ser o primeiro a ser uma sequência direta da fita anterior, com os mesmos personagens (incluindo o mesmo vilão). Há uma outra diferença, que é o destaque dado à equipe -- incluindo aí a cena final, onde cada personagem tem um papel efetivo e ativo. 

Estou com vontade, aliás, de assistir de novo. Vale a pena o ingresso. 

PS - Há várias pequenas relações com os demais longas da franquia, fazendo deste o filme que efetivamente engloba os demais. Vale a pena ficar atento. 

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