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Sétima das Artes

Minhas apostas para o Oscar 2018

A tradicional lista de apostas do Sétima das Artes.

É uma diversão cinéfila tentar acertar os ganhadores do Oscar. Por isso, sempre posto meus palpites aqui no blog. 

Melhor Filme: 

Vai ganhar: A Forma da Água (leia crítica aqui)

Nada parece tirar o favoritismo da fantasia romântica do diretor Guillermo Del Toro. Há muita torcida por Três Anúncios para um Crime e Me Chame pelo Seu Nome, mas nenhum dos dois parece ter força o bastante. 

Melhor Diretor: 

Vai ganhar: Guillermo Del Toro, por A Forma da Água

Incrível: será o quarto Oscar de melhor direção dado um mexicano nos últimos cinco anos, coroando de vez uma geração de realizadores do país -- em 2014, foi Alfonso Cuarón (Gravidade); 2015 e 2016 foi Alexandre Iñárritu (primeiro por Birdman, depois por O Regresso). Del Toro, que tem uma carreira até mais festejada do que seus antecessores, merece o reconhecimento. 

Melhor Atriz:

Vai ganhar: Frances McDormand, por Três Anúncios para um Crime (leia a crítica)

Um dos prêmios mais certos da noite. Vai ser o segundo Oscar de Frances.

Melhor Ator: 

Vai ganhar: Gary Oldman, por O Destino de uma Nação

Ninguém tira o Oscar do veterano ator. 

Atriz Coadjuvante: 

Vai ganhar: Allison Janney, por Eu, Tônia

Outra categoria indisputável. Assim como Frances e Gary, Allison levou todos os demais prêmios da temporada. 

Ator Coadjuvante: 

Vai ganhar: Sam Rockwell, por Três Anúncios para um Crime

Pode ganhar: Richard Jenkins, por A Forma da Água 

Pouco provável que Rockwell não vença, mas Jenkins pode surpreender. 

Melhor Filme Estrangeiro: 

Pode ganhar: Uma Mulher Fantástica (Chile) ou O Insulto (Líbano)

Talvez a mais competida categoria desse ano. The Square: A Arte da Discórdia (Suécia) tem algum favoritismo. Mas os representantes chileno e libanês têm mais empatia (e torcida). 

Melhor Longa de Animação:

Vai ganhar: Viva: A Vida é uma Festa, da Pixar

Há muita torcida para a produção polonesa/britânica Com Amor, Van Gogh. Mas a Pixar deve ficar com a estatueta de novo. O brasileiro Carlos Saldanha, indicado por O Touro Ferdinando, não deve ganhar também. 

Melhor Longa Documentário:

Vai ganhar: Visages, Villages

O documentário deve dar o Oscar à diretora Agnès Varda, a pessoa mais velha a ser indicada na história (aos 89 anos). 

Melhor Roteiro Original:

Deve ganhar: Corra!

Pode ganhar: Lady Bird - Hora de Voar

Tanto Corra! como Lady Bird foram escritos pelos seus diretores, que também estão indicados ao prêmio de direção (Jordan Peele e Greta Gerwig, respectivamente). Como Del Toro é o favorito naquela categoria, fica a chance aqui. Corra! tem vantagem porque Peele é o artista negro mais indicado numa edição do Oscar (além de roteiro original e direção, concorre como produtor a melhor filme). 

Melhor Roteiro Adaptado: 

Deve ganhar: Me Chame pelo Seu Nome

É o franco favorito. 

Melhor Fotografia: 

Vai ganhar: Blade Runner 2049

O diretor de fotografia Roger Deakins é uma lenda. Essa é a sua 14a indicação e ele jamais ganhou. Na sua incrível carreira, há títulos como Um Sonho de Liberdade, Fargo, Sicario e até um James Bond, 007 - Operação Skyfall. É um pioneiro no uso da correção de cor digital para mudar a fotografia de um filme, tendo feito isso em larga escala há 18 anos em E Aí, Meu Irmão, Cadê Você. Está mais do que na hora de ganhar. 

Melhor Montagem: 

Vai ganhar: Dunkirk (leia a crítica)

Pode ganhar: Em Ritmo de Fuga

Para ficar atento: dois dos mais festejados diretores pop contemporâneos (ambos britânicos, mas com estilos totalmente diferentes) disputam diretamente entre si alguns dos prêmios da noite. De um lado, o cerebral Christopher Nolan com seu drama de guerra Dunkirk; de outro, o criativo Edgar Wright com o divertido Em Ritmo de Fuga

Melhor Design de Produção:

Vai ganhar: A Forma da Água

Pode ganhar: Blade Runner 2049

Melhor Figurino: 

Vai ganhar: A Forma da Água

Pode ganhar: Trama Fantasma

Melhores Efeitos Visuais:

Vai ganhar: Planeta dos Macacos: A Guerra (leia crítica)

Se não vencer, vai ser marmelada. Os outros dois filmes da franquia, que já eram merecedores, foram indicados e perderam. Esse aqui leva a tecnologia de captura de performance a um nível espetacular. 

Melhor Trilha Sonora:

Vai ganhar: Alexandre Desplat, por A Forma da Água

O compositor francês tem um conjunto da obra muito sólido (acumula mais de 170 trilhas desde que começou a carreira, em fins dos anos 1980, em diversos gêneros). Será seu segundo Oscar. 

Melhor Canção: 

Vai ganhar: "Remember Me", de Viva: A Vida é uma Festa

Melhor Mixagem de Som:

Vai ganhar: Dunkirk

Pode ganhar: Em Ritmo de Fuga

Melhor Edição de Som:

Vai ganhar: Blade Runner 2049

Pode ganhar: Dunkirk ou Ritmo de Fuga

Melhor Maquiagem e Cabelos:

Vai ganhar: O Destino de uma Nação

Pode ganhar: Extraordinário

A entrega do Oscar acontece neste domingo, dia 4 de março. 


Crítica: A Forma da Água

Favorito ao Oscar deste ano é uma fantasia ao mesmo tempo adulta e ingênua.

A Forma da Água Há uma certa mágica em um cineasta chegar à marca de dez longas-metragens. Não sei dizer bem o porquê; mas credito ao fato que, com este número, ele se deu margem para falhar, para se reinventar, buscar novos horizontes e retomar o que lhe é familiar. O mexicano Guillermo Del Toro chega neste ponto da sua carreira com A Forma da Água. É ao mesmo tempo um dos seus projetos mais despretensiosos e mais afetivos.

Del Toro já tem 25 anos de carreira nos longas (seu primeiro, produzido no seu México natal, é o interessante Cronos). Já fez títulos bons que fracassaram nas bilheterias, projetos mais ousados e outros mais folhetinescos. Em todos, suas marcas comuns: um apuro visual rigoroso, universo elaborado com criatividade, um campo temático que balança entre a ingenuidade dos contos de fada e a crueza do naturalismo. Claro, tem o monstro trágico, ou o humano tão trágico quanto que interage com ele. 

A Forma da Água teve um orçamento modesto, menos de US$ 20 milhões. Começou sua carreira em festivais e foi aos poucos crescendo. É uma trajetória parecida com o já citado Cronos e um tanto inusitada para um diretor que capitaneou produções muito maiores, como a série Hellboy ou Círculo de Fogo.  

Em termos de "alma", este talvez seja o filme que melhor represente seu criador em termos de sentimento. O filme é uma fábula quase infantil em termos de narrativa. O roteiro é repleto de concessões a coincidências que "salvam" a história, e se escora fortemente na chamada "suspensão da descrença" para funcionar -- especialmente no seu último ato, mas falamos disso depois. Há um quê infantil nisso, como se a história fosse contada por uma criança sequiosa que dê tudo certo no conto de fadas que ela está inventando. 

Por outro lado, o conteúdo desta narrativa não é nada infantil. A Forma da Água tem implicações sexuais, nudez e violência; seus diálogos abordam preconceitos de gênero, étnicos, sociais e sexuais. Estes elementos colidem com a fantasia ingênua, o que gera desconforto. 

Dá para comparar com outro filme de Del Toro, o sensacional O Labirinto do Fauno, onde há um amálgama entre um mundo fantasioso e encantador com outro, cruelmente real. É uma mistura equilibrada, onde estas diferentes esferas (o fantástico e o natural) se complementam e dialogam. Descobrimos que há perigo e crueldade no mundo da fantasia, e esperança no "de verdade".

Diferente do Labirinto, porém, em A Forma da Água estas esferas não se misturam. Elas disputam entre si. Há um estranhamento que nasce daí. Mas o incômodo também pode ser estético e imprimir algo diferente na experiência do espectador. 

A história, como de costume nos trabalhos do mexicano, parte de um pressuposto simples. Nos anos 1960, a faxineira muda Elisa (Sally Hawkings) trabalha numa repartição secreta do governo dos EUA. Uma criatura anfíbia antropomorfa capturada na Amazônia é levada para lá pelo violento agente Strickland (Michael Shannon) e Elisa se compadece dela. Ela acaba se envolvendo com o ser (no sentido passional mesmo) e resolve libertá-lo. 

Visualmente, o filme é irretocável. Cenários, fotografia, a impressionante roupa da criatura (um belo trabalho de efeito prático). O elenco todo está excelente, mas é Sally Hawkings a espinha dorsal do filme. Por exemplo, ela é capaz de finalizar em mágica uma cena piegas em que ela se imagina cantando para a criatura.  

Aliás, a pieguice talvez seja um problema a ser abordado. A narrativa escorrega muito neste quesito aqui e ali, às vezes na música assinada por Alexandre Desplat -- normalmente um ótimo compositor, mas que pesa um pouco em algumas cenas para fazer o espectador sentir alguma coisa. 

Assim, apesar de ser uma trabalho que vem do coração de Del Toro, não é a melhor das suas obras. Sinto falta de um pouco de consistência narrativa -- como comentei: no final, os personagens tomam atitudes (ou esquecem coisas importantes) de maneira muito providencial para não complicar o desenlace da história. 

Contudo, isso não é pecado. É somente uma visão carinhosa em demasia. Del Toro ama muito seu décimo filme. 

OBS: uma das melhores coisas são as referências a filmes hoje pouco lembrados, como os musicais com Carmen Miranda e os épicos bíblicos da época. Num tempo que as referências cinematográficas ficaram engessadas nos títulos oitentistas ou naquilo que Tarantino mostra, é bom lembrar que há mais cinema do que isso. 

Crítica: Três Anúncios para um Crime

Um dos favoritos ao Oscar faz rir pelo desconforto.

Três Anúncios Para um Crime O roteirista e diretor britânico Martin McDonagh consegue um feito interessante neste que é recém seu terceiro longa: usar elementos clássicos das tragédias gregas e, mesmo assim, fazer o espectador rir. A experiência de assistir a Três Anúncios para um Crime é interessante, porque é incômoda. Faz a audiência rir por desconforto. Afinal, é um drama pesado, que claramente um comentário social sobre os EUA e suas dualidades. A complexidade do país é a complexidade dos personagens: nenhum deles é heroico. Ficam naquele interessante campo de que em algumas cenas os adoramos, em outros, detestamos. 

A história parte do momento em que Mildred (Frances McDormand, favoritíssima ao Oscar por essa interpretação) aluga três outdoors na cidadezinha onde mora, no Missouri,com o objetivo de cobrar a polícia local. Sua filha adolescente foi brutalmente estuprada e morta e, um ano depois, as investigações não andam. A ação divide uma cidade onde as relações já são tensas e coloca pressão no delegado Willoughby (Woody Harrelson). 

Porém, Mildred não é uma mãe altruísta buscando por justiça. Apesar de se posicionar contra a desacreditada polícia da cidade, notória por ter um oficial racista no seu corpo (Sam Rockwell), Mildred é tão fascista quando os conservadores que condenam os outdoors. No decorrer da narrativa, descobrimos que ela quer muito mais vingança do que justiça de fato. 

Ela basicamente é uma anti-heroína trágica. A construção da personagem tem muito de Antígona: apesar de parecer certa e justa em sua jornada contra o poder público, cada ato seu a leva mais perto da sua perdição (e dos personagens que a cercam). Apesar da importância dos coadjuvantes (destaque para Peter Dinklage, de Game of Thrones, num papel mais meigo), tudo gira em torno de Mildred. Os demais personagens, por menores que sejam (como o ex-marido e sua amante) estão em cena para explicar a complexidade desta mulher. 

É daí que começa a vir o riso. A inadequação dos personagens ao que acontece à sua volta começa a nos fazer rir deles -- um riso, como comentei, de total desconforto. Não é um filme engraçado, claro. Algumas cenas cruciais são violentas. Mas a edição aumenta os tempos de silêncio logo depois dos absurdos ditos em cena, como se esperasse o tempo da risada da plateia. Porque não rir apenas aumenta uma sensação desagradável de que o personagem não queria estar ali. 

Se há um problema -- talvez -- no andamento da história seja a dificuldade de concluí-la no ato final. A narrativa dá algumas voltas em torno de si mesma. Contudo, isso não diminui o poder de Três Anúncios para um Crime e os temas que ele sublinha: intolerância, racismo, vingança, abandono. Termina a sessão e o espectador sente que o fel que foi colocado na sua boca está se desmanchando. 

Crítica: Jumanji: Bem-Vindo à Selva

Retomada do amado filme dos anos 1990 é diversão despretensiosa.

Jumanji O Jumanji original, de 1995, para mim é um filme sui generis. Estrelado por Robin Williams no auge da sua popularidade, virou uma obra marcante para quem foi moleque na metade daquela década. Porém, é repleto de defeitos. Seu clima meio oitentista de "aventura no quintal", tão típico de alguns anos antes, já soava anacrônico. Para pior das comparações, certamente envelheceu mal também -- alguns efeitos visuais são sofríveis. Jumanji estava fora de uma época. Sobrevive graças a uma nostalgia da infância. 

Parece que os realizadores da sua continuação sabiam disso: apesar de ser uma obra tratada com carinho por muito adulto, não era tarefa impossível atualizar a premissa e chegar a um resultado mais divertido e até mais satisfatório. Bastava mirar num alvo simples, o do entretenimento puro e simples. 

Aí está a graça de Jumanji: Bem-Vindo à Selva. Ele não descarta o original, mas não dá a menor reverência a ele. Põe de lado seus arroubos de fábula moral exagerada (se vermos com cuidado, o filme de 1995 tem um protagonista mais perturbado do que divertido). Concentra-se em dar sorrisos no rosto do público. É notável que elenco e equipe estão curtindo fazer cada take. Às vezes, é o que basta para dar alma a uma película, por ínfima que seja. 

Isso que tinha tudo para dar errado, porque o elenco "troca" seus protagonistas em dado momento da projeção. Começamos acompanhando quatro adolescentes estereotipados: o nerd, o atleta, a popular, a esquisita. São todos apresentados de maneira totalmente esquemática (uma cena de exposição que deixa a personalidade de cada um bem mastigada). O jogo de tabuleiro de antes transforma-se em videogame retrô e o quarteto entra no jogo. 

Eu, particularmente, achava que o filme desandaria quando começasse a parte dentro da selva propriamente dita. Afinal, cada um dos adolescentes passa a ser vivido por seu personagem de jogo: o nerd vira o herói infalível, o atleta vira o ajudante aparvalhado, a esquisita vira a femme fatale, a popular vira o homem gordo de meia-idade. Porém, este elenco adulto consegue a façanha de permanecer conectado com as suas personas jovens e -- pelo menos para mim -- manteve a ilusão.

Como eu comentei acima, o elenco principal se diverte às pampas. The Rock abusa do seu sempre bom timing cômico e carisma fabuloso. É um papel em que ele pode brincar com sua própria imagem pública. Jack Black, que andava só fazendo tosqueiras nos últimos anos, volta como um apoio cômico realmente divertido, interpretando o avatar da adolescente convencida (e até a cena em que "ela" descobre ter um pênis, por incrível que isso vá soar, acaba sendo engraçada pelos motivos certos). 

Outro aspecto divertido -- bem usado em todo o roteiro -- é universo baseado nas regras jogos eletrônicos. Num mundo onde fãs gostariam que as adaptações de games virassem bons filmes, o título que exatamente consegue fazer essa "tradução" é baseado em outra fita, não num jogo.

As convenções do gênero "aventura na África" do primeiro Jumanji aqui são amplamente substituídas por conceitos variados dos videogames, de personagens que surgem apenas para dar a mesma informação até o de uso de vidas. Acaba apelando para outro lado da cultura pop, bem mais palatável para o público de hoje. 

Isso acaba influenciando nas cenas de ação: ao invés de animais perigosos (que ainda aparecem, mas bem menos) e ameaças naturais, o que temos são sequências envolvendo bandidos armados em motos, troca de socos, sobrevoo de helicópteros. Acaba acrescentando à personalidade própria do título (em relação ao primeiro, diga-se de passagem). 

Para uma tarde quente de verão que se quer passar numa sala sem pensar muito, livre da sensação de que os realizadores estão rindo do espectador (antes parecem esperar que o espectador ria junto com eles), nada mal. 

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