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Cotidiano História

A tradição por detrás das noivas de preto

Felipe Kuhn Braun lança novo livro que resgata costume germânico

Por Bruna Mattana
Publicado em: 28.04.2021 às 03:00 Última atualização: 28.04.2021 às 09:35

José Kuhn e Leopoldina Kandler casaram-se em 14 de junho de 1914, em Nova Petrópolis Foto: Divulgação
O branco é a cor comumente adotada pelas noivas nos casamentos. Mas nem sempre foi assim, conforme relata o escritor Felipe Kuhn Braun em seu mais novo livro "As noivas de preto", que aborda essa tradição.

Conforme o autor, as mulheres de origens germânicas casavam trajando vestido preto, tanto na Europa quanto no Brasil e na Argentina, o que perdurou da Idade Média ao início do século 20.

"Na literatura há relatos de que, na Idade Média, as mulheres casavam de preto como forma de protesto devido a um costume da época que dava o direito aos senhores feudais de terem relações com as jovens recém-casadas e originárias do seu feudo, antes que isso ocorresse com seu noivo. Isso era chamado de Direito de Primeira Noite ou Jus Primae Noctis", salienta.

Dificuldades econômicas

Segundo o historiador, isso explica também um grande número de descendentes não reconhecidos da nobreza. Ele destaca, no entanto, que esse costume deixou de existir no final do século 16, mas que o uso do preto persistiu até o final do século 19, pois boa parte das noivas passavam muitas dificuldades, especialmente de ordem econômica, e o vestido de casamento era o único traje elegante que elas teriam ao longo da vida.

"Por ser preto durava mais e, por isso, esse seria o traje utilizado para ir a festas, encontros formais ou celebrações religiosas. Muitas vezes ele era tamanho maior do que a noiva, pois entendia-se que ela logo engravidaria e assim poderia continuar usando o vestido."

O luto pelo falecimento de algum parente também era motivo para uso do preto.

Casamentos na região

Addy Sander von Hohendorff hoje tem 102 anos Foto: Arquivo pessoal
Após visitar mais de 750 famílias no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, sul do Paraguai, Alemanha e Luxemburgo, Kuhn Braun reuniu aproximadamente 250 fotografias das noivas de preto, das quais 111 estão publicadas no livro.

"Dediquei essa obra à senhora Addy Sander von Hohendorff. Ela tem 102 anos e casou em 1941, utilizando o hábito da época: vestido preto. Dona Addy foi a única mulher que consegui localizar desse período e com a qual consegui conversar. Ela é descendente da família Sander, de uma numerosa família. Moradora da Igrejinha, ela é mãe, avó e bisavó. É dona de casa e conta muitas histórias de antigamente, em alemão e português."

A capa e a contracapa da obra trazem o casal José Kuhn e Leopoldina Kandler, de Linha Imperial, Nova Petrópolis. "Eles casaram em 14 de junho de 1914. Suas famílias eram de Picada Café."

O branco por influência da rainha Vitória

O escritor conta que o branco começou a ser utilizado, gradativamente, após o casamento da Rainha Vitória, em 1840, na Inglaterra. "Ela fugiu do padrão da época e quis adotar o branco, que passou a ser utilizado mais no casamentos das pessoas que moravam nos grandes centros. As camponesas e moças mais simples continuaram usando o preto por bastante tempo. Vemos na nossa região. Temos registros de casamentos até cem anos depois, de descendentes de imigrantes alemães, que ainda utilizaram a cor preta."

O livro retrata as noivas especialmente das "Velhas colônias" de São Leopoldo e região, do Vale do Taquari, Paranhana, Vale do Rio Pardo, Missões Gaúchas e Argentinas. A obra foi publicada pela editora Oikos, de São Leopoldo. Contato com o autor: felipekuhnbraun@hotmail.com.

 


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