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O 'antigão' cheio de história na hora da compra

Colecionadores de carros com no mínimo 30 anos de estrada dão dicas de como realizar o sonho de ser dono de uma raridade

Por Susi Mello
Publicado em: 19.02.2021 às 06:00 Última atualização: 19.02.2021 às 10:06

Foto por: Fotos Arquivo pessoal
Descrição da foto: Exposição carros antigos Quinta dos Antigos
O sonho de ter uma relíquia na garagem de casa é construído por muitos. A grande questão é saber qual lugar iniciar a pesquisa e o que levar em conta na hora de garantir a compra de um carro antigo.

Na próxima quinta-feira, dia 25, quem vem pensando em ficar frente a frente com veículos com no mínimo 30 anos, terá a oportunidade na Quinta dos Antigos, uma exposição que ocorrerá no Pavilhão de Atividades Culturais Renato Ênio Trein (PAC), em Estância Velha, das 19h30 às 22h30.

Exposições, como essa, são adequadas para saber sobre essas preciosidades, já quem nem sempre é fácil encontrá-los nas ruas, disputando lugar com os mais novos.

Por isso, colecionadores e organizadores do evento estanciense dão uma "mãozinha", indicando caminhos a serem percorridos até o sonho virar realidade.

Mesmo que cada compra tenha uma história diferente, um dos idealizadores da exposição organizada por um grupo de amigos, com carros antigos de Estância Velha e Ivoti, William Hickmann, conta que há formas de ter um "antigão".

Ele cita que sites de venda, em que o interessado negocia diretamente com o vendedor, é uma delas, porém a melhor alternativa ainda é o contato com o proprietário.

De dono para outro

É o que se constata nas histórias contadas por colecionadores, que estarão no evento da próxima semana.

O estudante de arquitetura, Mateus de Souza Machado, 21 anos, filho de caminhoneiro, sempre quis ter um caminhão. O Fenemê 1970 foi adquirido em Porto Alegre e, por coincidência, o dono era amigo do seu pai.

A Caravan de Edgar Backes Neto, 17, e de seu pai Ivan Altair Backes, 51, era do primeiro prefeito de Estância Velha, Vitor Kurt Schuck.

Outro exemplo é do mecânico, William Arthur Hickmann, 27. Proprietário de carros antigos, conta que o Galaxie 500 1968 era um sonho antigo. A compra, mais uma vez, assim como outros, foi de um conhecido.

No final de 2019, ele tinha uma Montana 2013 e decidiu vender para comprar o Galaxie. Olhou mais de dez que estavam à venda. Não fechou com nenhum. A concretização da compra foi com um amigo, dono de uma oficina de carros antigos especializada em parte elétrica. "Decidi conversar com ele. Entrei no carro que eu sempre sonhei em ter e disse 'esse carro vai ser meu'". E agora é.

FNM 1970

FNM Foto: Arquivo pessoal
É do estudante de arquitetura Mateus de Souza Machado, 21 anos. Morador de Estância Velha, ele é filho de um caminhoneiro, Nilton Lourenço Machado. O Fenemê 1970 era de um amigo já falecido de seu pai.

As curiosidades do Fenemê são muitas, como as suas portas, chamadas de porta suicida, pois abrem para trás, o lado contrario dos veículos comuns. O veículo tem duas alavancas de marchas.

E uma das características principais, que se percebe de longe, é o ronco inconfundível, que até assustava as crianças quando passava pelas ruas antigamente.

Além da estética diferente, a mecânica tem um motor em alumínio e uma caixa distante da embreagem.

A paixão de amigos transformada em exposição

A Quinta dos Antigos é organizada pelo grupo Platinado's Old Club. Os integrantes, Gabriela Luiza Schallenberger e Sergio Erhart, explicam que tudo começou em 2018. Na época, amigos com carros antigos de Estância Velha e Ivoti se encontravam aos finais de semana para sair, tomar chimarrão e curtir os antigos na estrada.

Foi aí que surgiu a ideia do encontro mensal em Estância Velha, cujos idealizadores são Sérgio Erhart e William Hickmann. O primeiro encontro, em setembro de 2018, contou com 50 carros em exposição, e agora parte para o terceiro ano. Além de Erhart e Gabriela, o Quinta dos Antigos reúne Marcelo Klein, Jaime Panizzutti Quartieri, Rogério Hickmann, Juliano Eckert, Eduardo Schneider, Carlos Erhart e Sergio Luiz Krug Junior.

Fique atento

Cuidados com documentos

É comum que veículos antigos tenham problemas na Justiça, como inventários. O dono falece e não tem a documentação e alguns até mesmo foram dada a baixa no Detran.

Também pode ocorrer a troca da parte mecânica e não ter cadastro no Detran, pois, muitas vezes, o antigo dono pensa que vai ficar para sempre com o veículo. Ao ser desmanchado, como ocorre com a maioria, é necessário que a documentação fique em dia, especialmente por conta da restauração.

Faça você mesmo a reforma

A dica de Mateus de Souza Machado é comprá-lo em más condições para realizar a restauração. Assim você mesmo pode fazer a reforma, deixando o veículo com a "cara" do dono.

Onde encontrar

Conhecer o antigo dono é a primeira alternativa, conforme colecionadores. Ao comprar de particulares, geralmente os carros são mais íntegros e sem "maquiagens". Mas também é possível visitar encontros de carros antigos, onde a quantidade de veículos é maior, facilitando a pesquisa. Ou ainda busque o veículo em sites onde a negociação ocorre entre o comprador e vendedor.

O que levar em conta

O que deve ser levado em conta é a estrutura do carro, documentação e os acabamentos (frisos, para-choques, emblemas, sinaleira, grade, calotas). Lataria, mecânica e pintura são mais fáceis de restaurar.

Preço

A média de preço depende muito do modelo desejado, do estado em que se encontra e do histórico do carro. Se o carro foi restaurado, a tendência é pagar um valor mais alto por ele.

Galaxie 500 1968

O atual proprietário é o mecânico William Arthur Hickmann, 27 anos, de Ivoti. "Esse carro sempre foi meu sonho, mas o dinheiro nunca era o suficiente", lembra.

No final de 2019, ele concretizou a compra. "Eu tinha uma Montana 2013 e decidi vendê-la para comprar um Galaxie. Fui olhar mais de dez, mas acabei não fechando com nenhum", conta. Ao lembrar de um amigo que tinha, conversou com ele e a compra concretizou-se. "Entrei no carro que eu sempre sonhei em ter e disse "esse carro vai ser meu", relembra Hickmann, que colocou sua Montana no negócio.

Ele levou quase um ano para fazer a mecânica, já que comprou o Galaxie com motor desmontado e sem câmbio.

Maverick V8 1978

Maverick Foto: Arquivo pessoal
O veículo está nas mãos do gerente de vendas, Rodrigo Gallina, 33, desde 2009. Até adquirir a preciosidade de um amigo, que trabalha com peças de carros antigos em Novo Hamburgo, Gallina procurou por várias cidades do interior do Estado. "Meu amigo colocou o carro à venda e acabei negociando com ele", lembra.

A paixão por antigos já vem de família. Gallina exemplifica que na casa ainda há um Fusca 1972 e um Dodge Dart 79. Já o Maverick é investimento seu.

Até ficar com o visual, o veículo passou por restauração no motor, elétrica, lataria, suspensão e freio. Agora, conta Gallina orgulhoso, o Maverick é utilizado para passeios de final de semana ou para encontros de antigos.

Caravan 1992

Caravan Foto: Arquivo pessoal
O carro bordô de seis cilindros 4.1 tem freio a disco nas quatro rodas, ar condicionado, direção hidráulica, vidro elétrico, espelho elétrico e até o manual e lista de revisões na concessionária é de Edgar Backes Neto, 17, e de seu pai Ivan Altair Backes, 51, que trabalham com chapeação e pintura.

Eles compraram do primeiro prefeito de Estância Velha, o falecido Vitor Kurt Schuck. "Ele era nosso cliente e sempre vinha na oficina para a gente arrumar os estragos", lembra, explicando que lembra até hoje quando seu pai chegou com ela em casa toda amassada, torta, arranhada.

A Caravan ficou dez anos parada antes da restauração. "Hoje ela é usada para andar em finais de semana", completa.

Chevette 1989

Chevette Foto: Arquivo pessoal
Morador de Novo Hamburgo, Sérgio Luiz Krug Junior, 38 anos, comprou o modelo da Chevrolet em 2008. Diferente dos outros colecionadores, Krug adquiriu o veículo em uma revenda de Portão, após um amigo ter indicado o local.

Apaixonado por carros antigos, o proprietário do Chevette conta que basta uma parada na sinaleira para outros motoristas apreciarem o veículo com os olhares.

Pudera! Cuidados não faltam. Além da pintura realizada em 2009, Krug faz manutenções como qualquer outro veículo e mantém os cuidados com a conservação da lataria.


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