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Bom Exemplo Sustentabilidade e boa ação

Grupo de troca solidária no Facebook ajuda famílias carentes

Projeto idealizado por professora aposentada promove escambo de produtos, além de doar alimentos. Já são quase 16 mil participantes

Por Bianca Dilly
Publicado em: 03.09.2020 às 06:00 Última atualização: 03.09.2020 às 09:12
Bom Exemplo

Janete é uma das participantes do grupo criado por Daniela Foto: Inézio Machado/GES
Uma camisa por um pacote de bolacha. Quatro esmaltes por um litro de óleo de soja. Um vestido por quatro molhos de tomate. Solidariedade por empatia. Assim é o projeto troca solidária, criado pela professora aposentada Daniela Boch Cardoso, 41 anos, em Três Coroas. Foi pensando nas dificuldades que as pessoas estão passando nesse momento de crise que ela teve a ideia: somar gestos de ajuda, subtrair problemas e multiplicar boas ações.

A iniciativa, organizada através de redes sociais, funciona quando um participante doa um pouco do que tem e recebe de volta o que não tem. "Por exemplo, a pessoa pode estar procurando uma jaqueta para o frio. Ela publica que faz a troca por alimentos. Quem tem a jaqueta e precisa dos alimentos, manda fotos da peça de roupa e é assim que a troca solidária ocorre", explica Daniela, sobre a via de mão dupla.

Atualmente, o projeto conta com um grupo no Facebook (clique aqui para conferir), do qual já participam quase 16 mil seguidores. É mais da metade da população estimada do município do Vale do Paranhana. "Tudo começou há uns quatro meses, no início da pandemia, quando vi as empresas fechando, trabalhadores desempregados e pessoas passando fome. Comecei pelo WhatsApp, pedindo para os meus amigos doarem um quilo de alimento, mas logo não estava dando conta", relata, sobre os primeiros passos, quando então mais de 80 famílias já eram ajudadas.

Por isso, Daniela quis fazer mais. "Pensei em criar o grupo no Face. Eu não sabia como fazer, então acordei minha filha para pedir a ela", lembra. Dentro da própria casa, ela encontrou os subsídios para dar início ao troca solidária, há pouco mais de um mês. "Comecei a procurar objetos que não usava e fui trocando por alimentos. Algumas coisas que a gente acha que são insignificantes, para o outro podem ser de grande valia", acrescenta.

"Os relatos que estou recebendo são muito emocionantes. Pessoas que estavam com os armários vazios e agora têm fartura de alimentos. Uma gestante, em que o casal está desempregado, conseguiu montar todo o enxoval", destaca Daniela. "Tenho esse minimercadinho em uma peça de casa, para preparar as cestas básicas, e um caderninho, em que anoto todos que são ajudados, motivo, data, endereço, porque estão confiando no nosso trabalho", frisa.

Divisão de forças

Mas, para o projeto ter sucesso, é necessário dividir o engajamento. "Como não depende só de mim, é muito gratificante ver que todos estão se ajudando", comemora. No momento desempregada, a calçadista Janete da Luz Araujo, 32, é uma das usuárias mais ativas do grupo. "Comecei recebendo ajuda com alimentos. Depois, fui trocando outras coisas que precisava muito em casa. Já fiz mais de 50 trocas. Todas as comidas que tenho no armário, consegui através do grupo", relata, emocionada.

E Daniela não pretende parar. Já há até o fechamento de parcerias com microempresários locais, por meio de troca de serviços, como manicure, barbeiro e lanches. "Todo mundo sai ganhando. Eles, com a divulgação. Nós, com a valorização aos participantes. E tenho muitas ideias ainda para continuar. Plantamos uma sementinha, mas a ideia é sempre expandir", frisa a idealizadora.

Fazer o bem faz bem

Além de ajudar os outros, a três-coroense descobriu que o projeto faz bem para ela mesma. "Sou uma pessoa bastante ansiosa e essa ideia é como lavar a alma. Eu me sentia frustrada, de mãos atadas, por não poder ajudar como gostaria", descreve. Agora, o sentimento é outro. "Hoje me sinto leve, com sensação de dever cumprido", conta. A psicóloga Débora Schneider afirma que é possível explicar o que Daniela está vivenciando. Fazer o bem faz bem. "Há estudos bem novos e interessantes que comprovam que você ajudar alguém que tenha alguma necessidade física ou econômica nos provoca mais felicidade", diz. E isso também pode ser justificado através da química. "Ativa uma parte do nosso cérebro relacionada à satisfação. Quem ajuda, entrega muito mais do que dinheiro. Doa um pedaço de si próprio", destaca. Além disso, a psicóloga lembra que agradecimento e gratidão podem se multiplicar para quem busca fazer o bem. "Ao ver que o outro pode estar em uma situação mais delicada do que a nossa, nos damos conta de sermos gratos pela vida que temos. Ainda, une-se ao sonho de uma sociedade mais igualitária", pontua.

Agora, já são 172 famílias recebendo ajuda

"Os relatos que estou recebendo são muito emocionantes. Pessoas que estavam com os armários vazios e agora têm fartura de alimentos. Uma gestante, em que o casal está desempregado, conseguiu montar todo o enxoval", destaca Daniela. "Tenho esse minimercadinho em uma peça de casa, para preparar as cestas básicas, e um caderninho, em que anoto todos que são ajudados, motivo, data, endereço, porque estão confiando no nosso trabalho", frisa.

Ajuda de diversos lugares

Cada vez mais, novos membros estão aderindo à ideia. "O Troca Solidária se expandiu muito. Temos pessoas de São Francisco de Paula, Gramado, Parobé, de vários lugares participando", celebra. Moradores de Novo Hamburgo, Porto Alegre e até Santa Catarina, que souberam do projeto, decidiram replicá-lo em suas cidades. Mas alguns participantes são especiais. "Minhas filhas, Larissa e Rafaela, meu esposo, Flavio, e meu genro, Vinicius, todo mundo está envolvido."

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