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Cotidiano | Entretenimento Cultura

Em São Leopoldo, um livro mais antigo que o Brasil

Guardado em condições especiais de armazenamento, volume em latim é de 1496

Por Alecs Dal'Ollmo
Publicado em: 08.05.2021 às 03:00 Última atualização: 08.05.2021 às 08:57

Imagem do incunábulo aberto Foto: fotos Memorial Jesuíta Unisinos
Repertorii Totius Summe Domini Antonini Archiepiscopi Florentini Ordinis Predi. Esse é nome do livro. E não é qualquer livro. O professor Dr. Luiz Fernando Medeiros Rodrigues, coordenador da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em História, da Unisinos, explica que ele é um incunábulo. Um volume raríssimo.

"Chamamos de incunábulos os primeiros livros impressos, e este exemplar é conterrâneo à Bíblia de Gutenberg. Por suas características especiais, encontra-se no setor de obras raras do Memorial Jesuíta. E como todas as obras ali em depósito, dentro das características de conservação próprias para esse tipo de obra, com temperatura e luminosidade controladas."

Ele explica que a obra Repertorii Totius foi publicada em 1496 em Strasbourg, na oficina de Johann Reinhard Grüninger. Neste mais de meio milênio, a própria história do volume já se perdeu:

Luiz Fernando Rodrigues Foto: Rodrigo W. Blum/Divulgação
"Os dados específicos acerca da chegada da obra e da sua incorporação à biblioteca do Colégio Máximo Cristo Rei perderam-se com o tempo. O que se pode afirmar a respeito é que os jesuítas alemães, alguns com famílias com posses suficientes, face à precariedade de livros para o estudo teológico na então missão da província alemã no sul do Brasil, pediram aos seus familiares que enviassem obras que os ajudassem na formação seminarística", enfatiza.

"O padre Joseph von Lassberg (1851-1946) recebeu uma doação de livros da sua família que hoje fazem parte do acervo de obras raras. Com muita probabilidade, a obra Repertorii Totius é uma delas." O autor da obra é Santo Antonino de Florença (1389 - 1459). Dominicano, foi Arcebispo de Florença e foi canonizado em 1523 pelo papa Adriano VI. Foi teólogo e cronista, com muitas obras escritas de cunho pastoral, sermonístico e jurídico-canônico.

Latim gótico

O professor reforça que se trata de uma obra que requer habilidades especializadas. "Para a sua consulta, deve-se conhecer latim gótico e paleografia latina, além de outras disciplinas como Teologia. Isso significa que só especialistas podem consultá-la."

De acordo com Rodrigues, em geral, as obras tinham três origens: doações, compra e permuta com a revista de teologia do teologado. Também era muito comum que os jesuítas que faziam os seus estudos no exterior (para Doutorado, sobretudo), ao voltarem, trouxessem consigo os livros que tinham utilizado em suas teses e na sua formação filosófico-teológica. Esses livros eram entregues à biblioteca para o uso e o estudo comum dos demais jesuítas.

Tiago Oliveira das Chagas, assistente administrativo do Memorial Jesuíta Unisinos, conta que as Obras Raras são subdivididas em duas partes: obras editadas entre os séculos 15 e 18, com cerca de 2.636 volumes; e aquelas do século 19, somando 23.371 volumes. Depois há a coleção Cristo Rei, com 58 mil itens; a coleção Antônio Vieira, com 83 mil; a coleção de periódicos, com 1.223 títulos; mais acervos sobre a imigração, acervos pessoais e institucionais.

Na lista, também, entre outras publicações, Patrologia, de J.P. Migne, composta por mais de 230 volumes sobre os primeiros 400 anos da história do Cristianismo, abarcando as edições latina e grega completas e parte da edição oriental, editadas em Paris a partir da segunda metade do século 19. Há ainda Sermoens, do Padre Antonio Vieira, da Companhia de Jesus, originalmente publicada em 15 volumes, com vários títulos, entre 1679 e 1748. Obras de alto valor pela antiguidade e pela sua raridade.

Imagem do Incunábulo e banner em exposição Foto: Memorial Jesuíta Unisinos
 

Acesso ao acervo

Conforme o Plano de Contingência da universidade, ainda não é possível o atendimento presencial no Memorial Jesuíta. Atendimentos e pedidos de cópias digitais de documentos disponíveis nos acervos poderão ser solicitadas através do Serviço de Scan Service no e-mail memorialsj@unisinos.br.

Nas estantes do Memorial Jesuíta

O Memorial Jesuíta, na Unisinos, em São Leopoldo, abriga obras extremamente raras. Entre elas, o livro Repertorii Totius Summe Domini Antonini Archiepiscopi Florentini Ordinis Predi. Ele integra uma coleção de livros que foi reunida ao longo de 150 anos pelos jesuítas que vieram da Europa para atender às comunidades de imigrantes alemães que aqui se encontravam desde 1824. Mais precisamente, os livros raros começaram a ser reunidos desde o final do século 19 e início do século 20 para a formação teológica de jesuítas e do clero.


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