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Cotidiano | Estilo de vida Espírito Jovem

Entrevista com Silvana Bianchi: diversão, lazer, memória e inclusão

Atividades em grupos, especialmente pela arte, são essenciais para inserir novamente o idoso na sociedade

Por Alecs Dall'Olmo
Última atualização: 05.10.2019 às 15:45

Silvana e a ginástica coreografada Foto: Diego da Rosa/GES
Outubro começou com o Dia Internacional do Idoso. Data para reforçar que há dificuldades a serem enfrentadas, mas que é fundamental buscar, também nesta fase da caminhada, a qualidade de vida. É nessa hora que entra na dança o repensar as trajetórias e a necessidade de conhecimento e reflexão para o próprio envelhecimento. É nesse momento que entra nas andanças profissionais como Silvana Bianchi, 49 anos, professora de Educação Física e que trabalha com ginástica coreografada na Unisinos. "Se preparar para esse momento é um desafio e nem todos estão prontos, mas é fundamental se reorganizar nesta fase, que é de vida e que cada vez mais." E a proposta é contribuir para que a pessoa idosa possa enfrentar as transformações integrais do processo de envelhecimento, com autonomia e protagonismo.

ABC - O que é necessário para trabalhar idosos?
Silvana Bianchi - O fundamental é gostar de trabalhar com idosos. Primeiro passo. Não simplesmente pela profissão de Educação Física, por exemplo, que é meu caso. É necessário ter qualificação, fazer especialização específica, como Gerontologia Interventiva. Mas tem que gostar porque é um público necessita muito de ti, que exige muitos cuidados. Gostar de trabalhar com a terceira e até quarta idade, além de ter conhecimento.

ABC - Como a dança e música podem ajudar?
Silvana - Tu podes trabalhar com música e ao mesmo tempo trabalhar com a coordenação motora. E mais: com a memória. O resgate das músicas antigas traz para eles uma memória afetiva e com isso faz com que tu possas executar alguns movimentos de ginástica para amplitude, para trabalhar o cardiorrespiratório desse idosos, a coordenação motora e principalmente a memória. Trabalhar tudo isso dentro do contexto da música e dança é maravilhoso, pois tu transformas o movimento coreografado em alegria e descontração.

ABC - Pelos grupos de convivência?
Silvana - Sem dúvida. Os grupos representam divertimento, o lazer, integração. E algo mais importante ainda: estar inserido novamente na sociedade.

ABC - Como assim?
Silvana - Os grupos de convivência têm um poder muito grande. Ele insere esse idoso na sociedade novamente porque o idoso por ser idoso já discriminado. A pessoa não produz mais. O que a sociedade está dizendo é que ele não é mais útil. Muitos tem esse sentimento de estar fora. E agora: eu não produzo mais, o que eu faço? Nem todos conseguem se preparar para a velhice. E os grupos estão aí para isso. Para ajudar a estar na velhice com qualidade. São queixas. Não é valorizado na família , não é valorizado na sociedade. O grupo traz isso, a valorização. E os profissionais que estão nestes grupos trabalham o protagonismo desses idosos. A gente pode ser mais jovem, ter o canudo, o curso, mas o idoso tem outra sabedoria, que temos que valorizar. Isso está faltando hoje em dia: valorizar esse idoso e a sabedoria que ele carrega.

“É importante que o idoso possa reencontrar o seu lugar na sociedade e se sentir valorizado”, avalia Silvana sobre a importância de ampliar ações voltadas para o envelhecimento.


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