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Endometriose: veja a cirurgia na pelve para eliminar a dor

Cirurgia e fisioterapia juntas auxiliam mulheres que sofrem com a endometriose e seus efeitos, como dor e infertilidade. Problema geralmente é diagnosticado entre os 25 e 35 anos de idade

Por Adriana Lima
Última atualização: 13.03.2020 às 11:03

O cirurgião João Couto e o ginecologista Gustavo Capovilla realizam o tratamento cirúrgico da endometriose Foto: Fotos Divulgação
Doença que atinge uma a cada seis mulheres em período reprodutivo, a endometriose tem mais um aliado em seu tratamento: a intervenção cirúrgica. O cirurgião-geral João Couto e o ginecologista Gustavo Capovilla explicam que de acordo com a idade e a gravidade da doença, a equipe de saúde pode optar pela cirurgia conservadora ou a definitiva. Eles acrescentam que a endometriose surge da disseminação do endométrio para sítios ectópicos - fora do útero. "A cirurgia conservadora tem o objetivo de preservar a fertilidade da mulher, sendo realizada, mais frequentemente, em mulheres em idade reprodutiva e que desejam ter filhos. Nesse tipo de cirurgia são apenas removidos os focos de endometriose e as aderências. Na maior parte dos casos é feita por videolaparoscopia, método que consiste em fazer pequenos buraquinhos no abdômen para inserir instrumentos que permitem retirar ou queimar o tecido endometrial que se encontra danificando outros órgãos como ovários, região exterior do útero, bexiga ou intestinos." Já a cirurgia definitiva, ressaltam os especialistas de Novo Hamburgo, é aquela indicada quando o tratamento com medicamentos não for suficiente, sendo muitas vezes até necessário remover o útero e/ou ovários, sempre em busca da qualidade de vida da paciente. "Em casos bem selecionados (e graves), a cirurgia pode ser radical, no sentido de tentar a cura. A cirurgia neste caso pode passar por retirar o útero e os ovários, bem como toda a doença visível, o que provoca a menopausa e, com isso, a cura da doença - com exceção das lesões relacionadas com fibrose já existentes. Esta será sempre uma solução que terá de ser muito bem ponderada, pelos seus riscos acrescidos, mas sobretudo pelo potencial de prejudicar mais do que ajudar, quando a doença puder ser bem controlada de outro modo ou tratamento", reforçam.

Tratamento definitivo?

"Infelizmente não. A endometriose é uma doença crônica que pode ser controlada com a cirurgia e com tratamento medicamentoso. Mesmo assim, estima-se uma taxa de recidiva de 20% em 2 anos e de 50% em 5 anos após o tratamento cirúrgico", esclarecem os médicos do Vale do Sinos.

Mas o que é a endometriose?

Endometriose é uma condição na qual o endométrio, mucosa que reveste a parede interna do útero, cresce em outras regiões do corpo. Alguns sintomas da doença são dores no período menstrual, infertilidade e dores nas relações sexuais. Essa formação de tecido ectópico normalmente ocorre na região pélvica fora do útero, incluindo os ovários, intestino, reto, bexiga, nervos e peritônio. Entretanto, esse tecido também pode crescer em outras partes do corpo, como o diafragma, a pleura e os pulmões. A endometriose é um problema comum, que atinge uma a cada seis mulheres em período reprodutivo. A doença tem maior chance de ocorrer se houver outros casos na família. Estima-se que, internacionalmente, o atraso no diagnóstico chegue a 8 anos.

Em que casos fazer a cirurgia?

"É indicada para mulheres inférteis ou que não desejam ter filhos, já que nos casos mais graves pode ser necessário retirar os ovários ou o útero. Assim, a cirurgia é sempre aconselhada nos casos de endometriose profunda no qual o tratamento com hormônios não apresenta qualquer tipo de resultado e existe risco de vida.

Já nos casos leves, embora seja raro, a cirurgia também pode ser usada junto com outros tratamento para aumentar a fertilidade através da destruição dos pequenos focos de tecido endometrial que estão crescendo fora do útero e dificultando a gravidez. É indicada também quando a mulher tem sintomas graves e que interferem na qualidade de vida", citam.

Por que traz infertilidade?

Cerca de 50% dos casos de infertilidade feminina podem ter a endometriose como uma das principais causas. "As tubas uterinas ficam danificadas, pois o processo inflamatório crônico da doença leva à formação de aderências do peritônio com outros órgãos, o que pode resultar na obstrução das tubas e redução da sua mobilidade. Isso dificulta ou até mesmo impede o transporte do óvulo e espermatozoides e, assim, a fecundação. Cistos de endometriose nos ovários e alterações inflamatórias e imunológicas no útero também comprometem a fertilidade."

Gravidez após a cirurgia de endometriose

"A gravidez após cirurgia deverá ser discutida com o ginecologista, já que poderá haver indicações específicas dependendo do caso ou do procedimento realizado. Por vezes, em contexto de infertilidade, pode haver benefício em programar um tratamento poucos meses após a cirurgia, eventualmente com medicação já específica neste contexto, o que deve ser coordenado com o especialista em fertilidade, se não for o mesmo que opera", alertam os médicos de Novo Hamburgo.

Possíveis riscos envolvidos na cirurgia

Couto e Capovilla falam sobre os riscos envolvidos. "Como qualquer outra cirurgia, tem riscos associados ao procedimento anestésico, riscos específicos ao local abordado cirurgicamente e da técnica envolvida (cirúrgica clássica ou por laparoscopia). A doença grave e a cirurgia em endometriose profunda aumentam os riscos de perfuração intestinal ou de outra estrutura pélvica."


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