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A trabalho, condução ou lazer: bikes viram protagonistas na pandemia

Em apenas um mês, Brasil teve salto de 118% nas vendas de bicicletas Reportagem: Matheus Beck

Nesta pandemia, as tele-entregas passaram a ser mais solicitadas e o desemprego levou muitos para o segmento. A ausência de transporte público em alguns horários exigiu alternativas e, na hora de se exercitar, com algumas modalidades oferecendo riscos, outras opções tiveram de integrar as rotinas. E para facilitar estas distintas atividades, a bicicleta se estabeleceu para o proveito dos que já a tinham dentro de casa ou que resolveram adquiri-las.

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Para o uso urbano, de velocidade, com marchas ou sem. Não importa. Em alguns casos, como o de Jônatas Luís Ribeiro, 34, a paixão pelas bikes até já era grande, mas agora, têm servido mais como um complemento. Desde o início de ano, motivado pela perda de vendas de calçados, que fazia de maneira autônoma, Jônatas foi às entregas. Cadastrado em três aplicativos, conta que chegou a fazer 26 entregas por dia. "Também faço bastante tele particular pra amenizar as perdas de demanda."

Em dias de chuva ou frio, o ciclista conta que costumava sofrer ao aguardar no relento. Há dois meses, na Rua Marquês do Herval, integra grupo de ciclistas que realizam entregas e efetuaram aluguel de uma peça para este aguardo e também alimentação. Por outro lado, pessoas como o promotor de vendas Marcus Vinicius Silva da Costa, 26, passaram a realizar itinerários pedalando. Assim, poupa-se tempo (ônibus demoravam em alguns trajetos), dinheiro (valores provenientes dos descontos dos vale-transportes) e ainda usufruem a bike para passeios aos fins de semana.

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Saúde, contemplação da natureza e amizades

Impulsionado pela esposa, o empresário Maurício Bickel, 51, adquiriu uma bicicleta. Hoje, se aproxima dos dez anos no pedal. "A bicicleta se tornou um grande exercício físico além de proporcionar passeios, ir para lugares diferentes, às vezes em estradas que normalmente a gente passa de carro, pelo interior, mas tu não tens aquele mesmo contato de quando vai de bicicleta, que tu vê mais devagar, de perto. Tudo isso aliado ao benefício de saúde."

No momento em que o fim de semana se aproxima, os grupos de ciclistas se agitam. Integrante do uniformizado grupo "Pedrokas" e de vários outros, conta que costuma andar por Lomba Grande, Campo Bom, Sapiranga, sempre por estradas secundárias de terra ou trilhas com outros amigos e já realizou inclusive viagem para pedalar. Maurício esteve no Jalapão, em Tocantins.

Com experiência e paixão pelo pedal, realiza percursos de 50 a 120 quilômetros e orienta que a bike esteja sempre revisada, câmara extra, bomba para encher pneus, equipamentos de segurança, direção defensiva e pedaladas em grupos para segurança.

 

Pedal é recomendado por educadores físicos

O educador físico Felipe van der Laan, 33 anos, valoriza o pedal e informa que trata-se de excelente atividade física, pois além de fortalecer vários grupos musculares, também promove melhora da capacidade cardiorrespiratória. "Por ser um exercício completo, ajuda a manter a imunidade alta e a saúde em dia, além de ser um meio de transporte ecológico e sustentável, que não polui o meio ambiente e ainda melhora a saúde."

Além dos cuidados básicos de segurança para a prática do esporte, Felipe pede atenção ao uso da máscara e distanciamentos sociais indicados. "Para quem possui alguma restrição médica, recomenda-se o acompanhamento de um educador físico", alerta.


118% de aumento

A Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike) anunciou que entre 15 de junho e 15 de julho, houve o aumento de 118% nas vendas de bicicletas no Brasil. Nos 30 dias anteriores (maio a junho), o crescimento havia sido de 50%, e já apontava para uma curva ascendente. A pesquisa é feita com 40 empresas associadas. As mais vendidas - em lojas especializadas do ramo - estão entre os valores de R$ 800 e R$ 2 mil. No início da pandemia, de março a abril, durante o período de início de isolamento social, a Aliança Bike apontou uma queda entre 50 e 70% nos faturamentos de mais da metade das lojas brasileiras. Deste número, cerca de 33% dos entrevistados haviam visto seus faturamentos caírem mais de 70%.

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