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Notícias | Região Problema que se repete

Passados dois meses, ainda há aluno sem aula em escolas estaduais

Instituições da região seguem enfrentando falta de professores

Por Débora Ertel
Última atualização: 17.04.2019 às 07:40

Foto por: Diego da Rosa/GES
Descrição da foto: Aulas na rede estadual começou no final de fevereiro
Nesta semana completam-se dois meses que a rede estadual de ensino retomou as aulas e, apesar dos quase 60 dias, há alunos que ainda não tiveram aulas de matemática, história, geografia e ciências. Segundo relato dos diretores, acostumados com a situação de quadro incompleto de professores nos primeiros dias do ano letivo, a demora para preenchimento de vagas está atípica. Na região, enfrentam o problema instituições como a Genuíno Sampaio (Sapiranga), Ildefonso Pinto (Campo Bom) e os colégios Wolfram Metzler, Jair Foscarini e Osvaldo Aranha (Novo Hamburgo).

FAISAL: explicações Conforme o titular da Secretaria Estadual da Educação (Seduc), Faisal Karam, à medida que as demandas chegam ao órgão, o governo busca uma solução. De acordo com ele, em todo o Estado a Seduc enfrenta dificuldades com falta de docentes, num universo entre 70 a 80 escolas. Sobre as situações dos colégios da região, Faisal garante que uma equipe vai verificar de perto o que está acontecendo, pois há solicitações em andamento para suprir as vagas em aberto. "Vamos checar por que essas informações não estão chegando até a Seduc, se é por falta de dados da escola ou da coordenadoria", diz.

Sobre a recuperação do conteúdo perdido, o secretário explica que será feito um levantamento da carga horária que falta e, a partir disso, será criada uma estrutura de reforço a ser definida pela direção da instituição de ensino e pela coordenadoria regional.

NA REGIÃO

Desde o início do ano, Jussara Plümer responde interinamente pela 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE). O coordenador nomeado só será conhecido em julho, quando o governo vai finalizar a seleção para o cargo, aberta no início deste mês. As inscrições para os interessados, que não precisam ser necessariamente da área da Educação, seguem até dia 3 de maio. Quando questionado se esta situação não teve impactos sobre a demora no preenchimento de vagas, o secretário responde que dentro das 30 CREs do Estado, três apresentaram problemas. "A gente sabe que quando a coordenação é interina as relações passam a ser com menos cobrança. Mas o processo de seleção está atrasado", admite. De acordo com ele, a 2ª CRE tem 78 funcionários para atender 168 escolas. "É isso que está no sistema, agora não sabemos se isso representa a realidade."

'Estamos no limite', diz diretora

Foto por: Susi Mello/Susi Mello/ GES-Especial
Descrição da foto: Alunos da Jair Foscarini que estão sem aula aguardam no pátio até poderem ir para casa
No Colégio Wolfram Metzler, no Centro de Novo Hamburgo, faltam professores para 20 horas de inglês, 26 horas de filosofia, 20 horas de matemática, 32 horas de física e 14 horas de química. "Estamos no limite", relata a diretora Soedi Azeredo. De acordo com ela, deverá ser traçado um cronograma de recuperação de aulas, mas que será de difícil execução, pois a maioria dos alunos do ensino médio trabalha no turno contrário à escola. Além disso, professores acumulam carga horária de 60 horas, o que dificulta aulas em sábados ou no contraturno. "Desde que sou diretora, este é o mais longo período com falta de professor. Faltou agilizar a contratação", lamenta.

Na Jair Foscarini, no bairro Boa Saúde, faltam docentes para 20 horas de ciências, nove horas de história e geografia e quatro horas de matemática. Além disso, faltam profissionais para as vagas de vice-diretor, supervisor e orientador educacional. Também é preciso mais um auxiliar de limpeza. "Para uma escola com 13 turmas e um pouco mais de 300 alunos isso é muita coisa", diz o vice-diretor Orides Messias Maia de Souza.

Na Ildefonso Pinto, em Campo Bom, faltam professores de história, geografia e sociologia. Já na Genuíno Sampaio, de Sapiranga, ainda estava desocupada a vaga de docente de matemática. 

Números da educação no RS

* 2.256 escolas
* 60.340 professores, sendo 41.857 concursados e 18.483 contratados
* 17.420 servidores, sendo 10.004 efetivos e 7.376 contratados
* 880.340 alunos. Houve um acréscimo de 29.640 matrículas em relação ao ano passado novas matrículas, com 1.610 turmas de 25 alunos (média)
* De dezembro até março,1.070 professores se desligaram do magistério
* 4.392 estão em licença saúde
* 298 aguardam aposentadoria
* 65 em licença de acompanhamento de cônjuge
* 722 em licença gestante/adotante
* 4 afastados por acidente de trabalho
* 219 em licença interesse

Fonte: Seduc

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