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Notícias | Região Longa espera

Contribuintes reclamam da demora nas análises para a aposentadoria

Moradores da região esperam meses por resultados

Por Bianca Dilly
Última atualização: 21.03.2019 às 12:08

Foto por: Inézio Machado/GES-Arquivo
Descrição da foto: Agência do INSS localizada em Novo Hamburgo
Angústia. Esse é o sentimento que diversos contribuintes da região descrevem enquanto estão no aguardo pela aprovação dos seus pedidos de aposentadoria junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Para o gerente financeiro Elúcio Batista da Silva, 59 anos, essa espera se prolonga por quase quatro anos. Já a auxiliar administrativa Fabiane Hennemann Arnold, 48, teve o seu encaminhamento realizado em junho do ano passado e até agora não há previsão para a análise da documentação. Ambos os casos são diferentes, mas a preocupação dos trabalhadores é semelhante.

Silva é morador de São Leopoldo e teve sua solicitação inicial encaminhada em 2015, pela agência de Campo Bom, onde trabalhava. O pedido administrativo foi negado e no ano seguinte ele entrou com o processo judicial, em decorrência de alguns critérios que fazem parte da sua causa, como a insalubridade. "Em dezembro de 2018, saiu a decisão de que o INSS teria que implementar a minha aposentadoria até 7 de março deste ano. Depois deste prazo, fui de novo até lá e disseram que 1,5 mil processos estavam represados e que não havia previsão para a liberação, por causa da falta de funcionários", descreve.

 

Ansiedade

Silva segue acompanhando ansioso uma possível novidade em seu caso. "Esse é um valor que eu preciso para viver, para sobreviver. É uma necessidade. Estou sem trabalhar agora, porque está muito difícil para uma pessoa de 60 anos conseguir emprego. Se os jovens não estão conseguindo, imagina a gente. Estou me virando com a ajuda de amigos e fazendo bicos", destaca.

Trinta anos de contribuição e mais de um ano de espera

A aposentadoria de Fabiane é de tempo de serviço, já que ela completou os 30 anos de contribuição válidos pela legislação até o momento. A moradora explica que fez os cálculos e o período tinha sido completado em novembro de 2017.

Porém, foi aí que já apareceu a primeira dificuldade: só conseguiu o agendamento para a entrega dos documentos em junho de 2018, sete meses depois. Desde lá, a espera ainda não terminou. "Me deram uma senha e estou acompanhando agora pela internet. Por enquanto, está tudo na mesma", diz.

Esperando por uma novidade

Da mesma maneira, Silva segue acompanhando ansioso uma possível novidade em seu caso. “Esse é um valor que eu preciso para viver, para sobreviver. É uma necessidade. Estou sem trabalhar agora, porque está muito difícil para uma pessoa de 60 anos conseguir emprego. Se os jovens não estão conseguindo, imagina a gente. Estou me virando com a ajuda de amigos e fazendo bicos”, destaca.

O que diz o INSS

O INSS, por meio da sua assessoria de imprensa, reconhece que possui um quadro limitado de servidores para atender demanda dos segurados, com redução drástica no quadro de pessoal nos últimos anos. Além disso, o órgão salienta que parte desse quadro já está em condições de se aposentar desde janeiro de 2019, o que reduziu ainda mais a força de trabalho do instituto. Para atenuar o problema, o INSS explica que vem adotando outros procedimentos, com o objetivo de facilitar e modernizar a rede de atendimento: a ampliação de serviços disponíveis na Central de Teleatendimento (135) e a consolidação de um novo modelo de gestão que visa a reduzir o número de processos represados nas agências e o tempo de espera dos segurados para a concessão de benefícios.

A criação das centrais de análise, segundo o instituto, é um dos resultados do modelo citado. Instituídas pela resolução nº 661, publicada no Diário Oficial da União em outubro do ano passado, as centrais funcionam da seguinte forma: um grupo de servidores é realocado para atuar exclusivamente na análise e concessão de benefícios nas 104 gerências-executivas do INSS em todo o País. "Nesse novo modelo de gestão, as agências funcionam como pontos de atendimento de segurados para recebimento de documentos, prestação de informações ou mesmo acolhimento da parcela da população que não tem acesso à internet por motivos diversos", informa, em nota.

Pendências

De acordo com o órgão, em muitos casos as pendências não são do INSS, mas do próprio segurado, como a ausência de documentos e a falta de comprovação de tempo para aposentadoria. Sobre o aumento na demanda de segurados em busca de reconhecimento de direitos, o instituto diz que em parte isso ocorre porque o INSS melhorou os canais de acesso ao sistema com o INSS Digital (Meu INSS) e os acordos de cooperação técnica (ACTs) com entidades de classe e prefeituras. "Em consequência de tais medidas, o segurado consegue encaminhar sua demanda com mais facilidade", comunica.

Questionado pela equipe de reportagem do Jornal NH, o INSS não informou sobre a quantidade de processos aguardando análise na região e o tempo médio de espera atual.

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