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Notícias | Especial Coronavírus Apoio importante

Voluntários dão o exemplo de amor e dedicação em meio à pandemia

Seja na área da saúde ou trabalhando por doações, centenas de pessoas estão somando forças no combate ao novo coronavírus

Por Gustavo Henemann
Última atualização: 23.04.2020 às 10:09

São inúmeras situações novas que a sociedade tem procurado se adaptar com a chegada da pandemia de coronavírus. Nestes quatro meses, os reflexos na saúde e na economia global foram enormes. No entanto, no momento em que as dificuldades se apresentam de forma que não parecem ter solução, as pessoas mostram o seu lado humanitário.

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Muitos voluntários têm dedicado seu tempo e conhecimento para colaborar nos testes da Covid-19, nos atendimentos em hospitais e centros de acolhimento, e na confecção de materiais para os profissionais da saúde, como máscaras e jalecos. Em Novo Hamburgo, a reportagem conversou com cinco voluntários que se tornaram personagens e representantes de um universo ainda maior de pessoas que doam um pouco de si na busca pelo bem coletivo.

Voluntário atua no Hospital Municipal

Após o início da pandemia de coronavírus ter chegado à região, o sistema de saúde pública começou a ter maior demanda por atendimentos. E com a contaminação de Covid-19 por vários profissionais da área, a necessidade de reposição destes trabalhadores tem aumentado e com isso os voluntários têm exercido papel importante neste sentido.

Após fazer o cadastro no site criado pela Feevale e controlado pela Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH), não demorou uma semana para o técnico de enfermagem sapiranguense Henrique Kappaun, 19 anos, ser chamado para atuar no Hospital Municipal de Novo Hamburgo.

Mesmo que não trabalhe diretamente com os pacientes suspeitos ou confirmados com a doença, Kappaun está alocado na emergência, possibilitando atendimento de pessoas com outras enfermidades que também precisam de auxílio.

Quando começou o surto de Covid-19 aqui no Brasil, estava em casa procurando emprego. Daí pensei comigo mesmo: eu sou novo, se pegar o vírus é muito difícil ter algum sintoma forte, e poderia ajudar neste momento. Muitas técnicas de mais idade e que tem algum fator de risco, como hipertensão, diabetes, não vão precisar se expor ainda mais.

Produção de máscaras nas férias coletivas

A economia do País teve um grande impacto com as recentes medidas tomadas pelo governo federal. Entre as definições para auxiliar o setor empresarial, houve a redução de cargas horárias e salários, e também foi aberta a possibilidade de conceder férias coletivas aos trabalhadores.

O estudante hamburguense de Gestão da Produção da Universidade Feevale, Vitor Matheus Soares, 23, aproveitou o período em casa depois de ser liberado pela empresa em que trabalha e se tornou voluntário da instituição de ensino na confecção de protetores faciais de acetato.

"Trabalhei uma semana com o pessoal da Feevale na montagem das máscaras. Participei da montagem e organização da produção. Produzimos em média 20 protetores por dia. Agora já voltamos a trabalhar pessoalmente na empresa e home office, mas mantive contato com a Oficina Tecnológica e para qualquer necessidade sugeri que poderia voltar", conta Soares, que mora próximo à universidade. Voluntários, estudantes e funcionários da Feevale produziram 240 protetores faciais até a semana passada.

Consegui estar à disposição para a ajudar a comunidade. Ofereci minha mão de obra e conhecimento na parte da organização para tentar ajudar ao máximo.

Uma grande força-tarefa na Paróquia São José

Solidariedade, dedicação e amor. São pilares do trabalho voluntário realizado há sete anos pela aposentada Ales Margarete da Rosa Pereira, 56, no Cáritas da Paróquia São José, no bairro Canudos. Para ajudar o próximo, Ales não poupa esforços para auxiliar as pessoas carentes da comunidade. Com o apoio de outros 70 voluntários, a força-tarefa coordenada por ela volta suas atenções no momento no combate ao coronavírus.

Recentemente, Ales entregou 300 jalecos aos profissionais do Hospital Municipal. Já na semana passada, a empresa Engeform, responsável pela construção do Hospital Unimed em Novo Hamburgo, solicitou a confecção de duas mil máscaras de pano para seus funcionários, e todo o trabalho foi recompensado com a doação de alimentos, que foram entregues à comunidade local na terça-feira .

 

Não sei dizer o quanto é gratificante. Aqui, trabalhamos pelo amor, não pelo dinheiro. É muito lindo. As pessoas gostam de vir aqui e fazer o trabalho. Nossa prova de fogo foi fazer duas mil máscaras em uma semana.

Várias costureiras trabalharam de casa. A cada dia, tem cinco delas junto Ales. "Revezamos até para evitar que nada de ruim aconteça para nossas mulheres, pois temos pessoas de idade, poucas têm menos de 60 anos", ressalta Ales.

No Cáritas Canudos, todos os voluntários têm à disposição para o trabalho máscara, álcool gel e luvas. O ambiente também é regado de companheirismo. "Sempre temos o que doar, seja uma palavra, um carinho, um sorriso", completa dona Ales Margarete.

Contribuição para os testes da Covid-19

Desde o fim de março, o Laboratório de Microbiologia Molecular da Feevale realiza testes da Covid-19 para dar mais agilidade ao processo de diagnóstico da doença. Um dos voluntários que atua no grupo de trabalho da instituição é o biólogo hamburguense e doutorando em Qualidade Ambiental Fágner Henrique Heldt, 37 anos.

"Desde 2009, trabalho no laboratório da Feevale com virologia ambiental. Acredito que como profissional da área, estou no local certo. Aqui, posso contribuir para as demandas que a pandemia nos conferiu, e a qual não se tem muitos profissionais preparados, frente à necessidade imediata de resultados de diagnósticos", afirma Heldt. O voluntário acredita em mudanças nas relações depois da pandemia.


Após a superação da pandemia, teremos que nos relacionar de maneira diferente em diversos aspectos, seja de nós com a sociedade, com o meio ambiente, o consumo, a ciência, procurando respostas e modelos de relacionamento a contemplar questões por vezes ignoradas e deixadas de lado.

"Será o momento mais importante para a tomada de ações concretas e efetivas em relação ao que queremos para nosso futuro como humanidade e principalmente do nosso planeta."

De prontidão para o acolhimento na Fenac

Para auxiliar as pessoas em vulnerabilidade durante a pandemia de coronavírus, a Prefeitura de Novo Hamburgo transformou o antigo Hotel Fenac, no bairro Ideal, no Centro de Acolhimento para o isolamento de quem não tem para onde ir. No local, que tem disponíveis 60 leitos, devem ir, por exemplo, idosos e moradores de rua com quadro clínico que aponte a necessidade de distanciamento social. Por enquanto, o espaço não recebeu nenhum atendimento.

E para atuar no monitoramento dos futuros pacientes, a campo-bonense e estudante do curso técnico em enfermagem do Sistema de Ensino Gaúcho (SEG), Laura Botelho Makewitz, 17, está de prontidão. Inclusive, já participou do trabalho de organização do espaço. 

Organizamos com muito carinho, pensando nos pacientes que receberemos. No momento, estamos diariamente limpando o local, deixando tudo no seu devido lugar, pois não temos informações de quando iremos recebê-los.

"Enquanto ainda somos só nós (equipe do SEG), a escola disponibilizou os enfermeiros responsáveis para nos capacitar através de aulas teóricas e práticas para o enfrentamento e prevenção da Covid-19. Estamos nos preparando para que tudo o que fizermos lá dentro seja profissional e com excelência."


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