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Do nível 0 ao 5: entenda o que ainda prevê o Plano de Contingência contra a Covid

Há três meses, o Município registrava seu primeiro caso. Quadro se agravou e quase todos os 'gatilhos' para novas ações no enfrentamento à pandemia já foram alcançados. Hospital de retaguarda é o último

Por João Víctor Torres
Última atualização: 29.06.2020 às 08:38

Fiscalização da Prefeitura interdita espaços públicos em Novo Hamburgo em razão da pandemia de Covid-19 Foto: Lu Freitas/PMNH
Embora a pandemia do novo coronavírus esteja se aproximando do pico no Rio Grande do Sul, segundo o governo do Estado, Novo Hamburgo já colocou em prática quase todas as ações previstas em seu Plano Municipal de Contingência. O documento é dividido em níveis que vão desde antes da chegada da doença até a montagem de um hospital de retaguarda para ampliar de forma emergencial a estrutura de atendimento - mas não deixa claro quando isso vai acontecer.

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O primeiro teste positivo de Covid-19 na cidade saiu há exatos três meses, em 29 de março. O planejamento estruturado pelo Município está na terceira versão e pode ser modificado a qualquer momento, segundo a Prefeitura. A última atualização ocorreu sexta-feira, após questionamentos encaminhados pela reportagem sobre dados que constavam na versão válida até então.

Analisando o plano é fácil constatar que praticamente todos os "gatilhos" já foram disparados. De prático faltaria apenas o hospital de retaguarda. Inicialmente a estrutura seria montada na Fenac, depois passou para o Centro de Inovação Tecnológica (CIT), no Canudos, e agora deve ser na UPA Centro. Em breve, diz a Prefeitura, o plano passará por nova revisão para incluir a planta baixa da unidade temporária. O Município, entretanto, não informa datas.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Naasom Luciano, "os gatilhos são disparados pela taxa de ocupação das estruturas existentes. Toda vez que atingimos 80% de ocupação da estrutura disponível dispara o gatilho para a próxima ação", afirma Naasom ao citar que as "travas de segurança" foram elaboradas prevendo esgotamento máximo da estrutura existente.

Há exatos 42 dias a cidade está no nível 4, que prevê a ampliação dos leitos de UTI adulto do Hospital Municipal (HMNH). Neste período Novo Hamburgo teve momentos sem nenhum leito disponível de UTI e viu o número de infectados explodir de aproximadamente 70 para 625. O número de óbitos passou a dois para 18.

O Executivo locou de forma temporária de dez leitos completos de UTI e recebeu cinco respiradores do Estado. Com isso chega a 35 leitos de UTI no HMNH. Está no horizonte também a contratação de vagas em UTIs junto à rede privada, com prioridade para hospitais da cidade.

Na versão anterior do plano estava prevista para a 4ª fase a instalação do Centro de Triagem para Doenças Respiratórias. Porém, na última atualização este item desapareceu. "A Secretaria Municipal de Saúde considera importante, neste momento, um centro de triagem para doenças respiratórias na UPA Centro", justifica Naasom.

Nível 0

Preparação para contenção e estado de alerta

Estágio em que a cidade não possuía pacientes confirmados com Covid-19. O plano previa capacitações a profissionais de saúde e medidas preventivas, além de monitorar casos na região e pessoas oriundas de locais com infecções registradas.

Nível 1

Estado de alerta e as primeiras ações

Dois "gatilhos" disparavam o nível 1: quando se chegasse a 20 casos suspeitos ou a primeira confirmação, que se efetivou em 29 de março. Aqui se estipulava a implementação do Centro Covid, inaugurado antes disso, já em 20 de março. Ainda nesta fase a Prefeitura de Novo Hamburgo decretou estado de calamidade. Além disso, determinou medidas de isolamento e distanciamento social com objetivo de diminuir a transmissão do novo coronavírus.

 

Nível 2

Situação se caracteriza como perigo iminente

Para este nível o plano previa dois ou mais casos confirmados. Um item era o reforço no monitoramento dos pacientes e de pessoas próximas. No texto, Novo Hamburgo considerava a presença do vírus na cidade, mas em 22 de março, antes do primeiro caso, isso estava consolidado na cidade. Como principais ações se estabeleceram a criação da Central de Fiscalização, que se efetivou em 17 de abril, além da obrigatoriedade do uso de máscaras, a partir de 25 de abril.

Nível 3

Estágio de emergência em saúde pública

O nível 3 se consolidou com a transmissão autóctone do vírus em Novo Hamburgo, independente de quantos casos fossem registrados naquele momento. As ações se concentrariam em contenção e mitigação. A primeira era a identificação, tratamento e isolamento de casos e dos contatos desses pacientes, além da testagem. Na segunda, o foco era monitorar a situação epidemiológica e priorizar assistência aos casos graves ou de potencial complicação.

 

Nível 4

Ampliação do número de leitos de UTI

O penúltimo se dá pela certeza da contaminação comunitária e ao atingir os 88 casos confirmados, fato que ocorreu em 18 de maio (ou seja, há 42 dias). Com aumento na ocupação das UTIs do HMNH se iniciou processo para ampliar os leitos de terapia intensiva. Aqui também é prevista compra de mais leitos na rede privada. Além disso, há remanejo de profissionais da rede básica para suprir a demanda no HMNH. E, por fim, se cria o Centro de Triagem para Doenças Respiratórias.

 

Nível 5

Criação do hospital de retaguarda

O último estágio é criação do hospital de retaguarda, uma estrutura temporária, para dar apoio ao sistema de saúde municipal. Os leitos previstos - mas não há informação de quantos - serão de internação clínica ou suporte ventilatório pulmonar. Lá seria possível atender pacientes com síndromes respiratórias ou suspeita de Covid. A instalação será junto a um serviço de saúde pré-existente: a UPA Centro. Além disso, há possibilidade de ampliação desse espaço.


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