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Notícias | Novo Hamburgo Saúde pública

Mãe pede por internação para filho dependente químico em Novo Hamburgo

Ela teme pela vida do filho e dela, já que ele foi ameaçado de morte por dívidas com traficantes de crack. Pedido é por internação compulsória

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 27.01.2021 às 06:30 Última atualização: 27.01.2021 às 10:32

Mãe mostra cachimbo usado pelo filho para se drogar, situação vivenciada há dois anos Foto: InézioMachado/GES/

Com o filho viciado em crack há dois anos, uma mãe apela. "Não posso esperar até matarem meu filho na minha frente." Assim, a moradora do bairro Primavera, em Novo Hamburgo, resume o drama que vive. O filho de 30 anos é usuário de crack. Nas últimas semanas, a situação se agravou. Em desespero, ela pede ajuda ao poder público para internar o filho compulsoriamente.

Televisão, botijões de gás, máquina de lavar roupa e até a bomba hidráulica do poço foram furtados e trocados por droga. A casa em que o filho mora, nos fundos do mesmo pátio, está sem a porta, que foi arrancada a chutes.

Em outros pontos da casa, há móveis quebrados nos momentos de maior tensão, quando não há dinheiro para comprar crack. O homem chegou a ameaçar atear fogo na casa. Ela conta que o filho está magro e com feridas por todo o corpo.

O homem não aceita a internação. Segundo a mãe, quando está sóbrio, reconhece o problema. "Hoje (ontem) ele me disse, com os olhos cheios d'água, eu não consigo mais controlar. Depois, pulou a grade e saiu. Ele troteia a noite inteira, vai buscar pedra e se entoca em casa. Quando não tem nada para roubar, começa a quebrar tudo", afirma a moradora, que tem a identidade preservada por motivos de segurança da família.

A mulher trabalha como faxineira três vezes por semana e precisa deixar alguns pertences na casa de uma vizinha quando sai, com medo de que o filho os troque por droga. Recentemente, ele chegou em casa bastante ferido. A mãe acredita que tenha sido agredido por tentar roubar.

Ela conta que já buscou atendimento diversas vezes, sem sucesso. Essa semana, fez contato com a Defensoria Pública e a Prefeitura, para tentar a internação compulsória do filho. Afirma que a espera prevista para internação era de 30 a 60 dias, e teme que seja tarde demais.

"Ele tem dívida. Os caras já vieram aqui em casa fazer ameaça. Uma semana atrás, veio um carro até o portão e disseram que vão matar ele. Daqui a pouco enchem a casa de tiro, matam até eu."

Contraponto

A Defensoria Pública afirma que a mulher foi atendida por telefone e que foi solicitado que comparecesse presencialmente, o que ainda não teria ocorrido. A Prefeitura de Novo Hamburgo informou que vai se manifestar sobre o caso ao longo do dia de hoje.

História se repete com o mais velho

Mãe de dois filhos, a mulher já lidou com uma situação semelhante. O mais novo, hoje com 27 anos, teve problemas com dependência química aos 14. Diante da dificuldade em conseguir internação, ela chegou a acorrentar o filho em casa. Após o ato de desespero, obteve uma vaga por meio da prefeitura de Campo Bom, onde vivia na época.

Após o tratamento, a família foi morar em Santa Catarina, onde o caçula vive até hoje. Ela afirma que ele conseguiu deixar o vício, mas ficou com sequelas psicológicas. Quando voltou ao Vale do Sinos, dois anos atrás, ela viu o drama voltar, agora com o filho mais velho.

Defensoria orienta

Em casos de internação compulsória, a pessoa deve buscar um ofício na Defensoria, que é endereçado à prefeitura. A pessoa é atendida por psicólogos e assistentes sociais, que respondem com recomendação de internação ou não. A recomendação é encaminhada à Defensoria Pública.

Se houver recomendação, o órgão ingressa com ação na Justiça. O juiz analisa e, acatando o pedido, determina que um oficial de justiça, com uso da força policial, leve o usuário à ala psiquiátrica do Hospital Municipal de Novo Hamburgo.

Lá, o usuário é avaliado por um médico, que recomenda internação ou não. Se houver recomendação médica, a Defensoria ingressa com liminar contra o Estado e o município pela internação.

 


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