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Notícias | Novo Hamburgo NOSSA HISTÓRIA

Igreja Ascensão completa sete décadas nesta quinta-feira

Em estilo neogótico, templo da IECLB é tombado pelo patrimônio municipal

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 07.10.2021 às 07:00 Última atualização: 07.10.2021 às 08:40

Uma joia arquitetônica em estilo neogótico encravada no Centro de Novo Hamburgo. A Igreja Ascensão, da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Ascensão, completa 70 anos nesta quinta-feira (7).

O templo foi inaugurado em 7 de outubro de 1951, na esquina das ruas Bento Gonçalves e David Canabarro. De lá para cá, a cidade se desenvolveu e o Centro cresceu e se encheu de edifícios no seu entorno. E o templo permanece o mesmo.

Igreja Ascensão completa 70 anos nesta quinta-feira
Igreja Ascensão completa 70 anos nesta quinta-feira Foto: Inézio Machado/GES

A construção é inspirada nas igrejas góticas alemãs. O estilo gótico surgiu no norte da França, no século XII e se espalhou pelas grandes cidades europeias. Na Alemanha, as primeiras catedrais góticas foram construídas em meados de 1230.

Sete séculos depois, a comunidade Ascensão precisava de um novo templo e decidiu por um projeto ousado. Por ter sido construída em outro período histórico, a igreja é considerada de estilo neogótico.

Na parte externa, chamam atenção os elementos que remetem ao gótico e a torre de 58 metros, que abriga dois sinos, do templo original, importados da Alemanha na década de 1920.

Professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Feevale, Nilza Colombo explica que não há exemplares de construções góticas no continente americano. “Em meados do séc 20 tem um movimento que resgata esses estilos antigos, o clássico, o gótico, o românico, o renascentista, e isso foi o que aconteceu aqui no estado.”

Por dentro, se destacam as janelas altas e alongadas e os arcos em formato de ogiva, característica gótica, que garantem a sustentação do espaço sem pontos de apoio. O vitral do altar, que retrata a cena de Cristo ascendendo aos céus, é original. A estrutura foi feita em madeira e preenchida com estuque.

“Em toda a Europa, tem igrejas góticas. Na América, nós temos igrejas com alguns detalhes, mas não como esta. A nossa é a que tem mais detalhes góticos”, afirma a presidente da comunidade, Mariane Rittel.

A comunidade existe desde 1898, mas estava ligada à de Hamburgo Velho até 1926, quando tornou-se independente.

A antiga igreja, uma construção bem mais simples, localizada na rua Júlio de Castilhos com a Rua da República, atual Pedro Adams Filho, estava ficando pequena. Além disso, ficava junto aos trilhos do trem e o barulho interferia nas atividades religiosas. Outro empecilho era a falta de espaço para construção de uma torre.

Às vésperas da inauguração, a nova igreja era assunto comentado por toda a cidade. O primeiro culto lotou completamente. Do lado de fora, centenas de pessoas se aglomeravam para participar da solenidade e a rua ficou bloqueada. O templo passou por dois restauros, na década de 1980 e em 2006, e é patrimônio imaterial tombado pelo município desde 2008.

Membros da comunidade relembram história do templo
Membros da comunidade relembram história do templo Foto: Inézio Machado/GES

Projeto ousado

Inauguração do templo foi acompanhada por multidão
Inauguração do templo foi acompanhada por multidão Foto: Arquivo Pessoal

A ideia de erguer um novo templo já era debatida há pelo menos 30 anos, quando a campanha para a construção iniciou, em 1945, logo após o fim da Segunda Guerra.
O primeiro projeto elaborado pelo arquiteto Siegfried Costa, em estilo moderno, com linhas retas, foi recusado pela comunidade.

“A diretoria tinha o desejo de ter uma igreja diferente. O primeiro projeto que o arquiteto apresentou, eles não gostaram. Eles queriam algo que lembrasse da origem, as igrejas góticas da Alemanha”, conta Bernadete Hoffmann.

Em 25 de abril de 1948, foi lançada a pedra fundamental da obra. O terreno original também não era o da Bento, mas um localizado junto à Praça 20 de setembro. A mudança se deu para aproximar a igreja da casa pastoral e da Escola Oswaldo Cruz, criada em 1929 e que funcionava no imóvel onde hoje é a Casa da Comunidade - no lado oposto da rua de onde é hoje.

Campanha de arrecadação

Não se tratava de uma obra barata. Para reunir os recursos necessários, a comunidade se mobilizou. A Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas teve papel central neste processo.

“As mulheres puxaram a frente. A Oase começou a trabalhar, fazendo chás, bordando, tricotando, era um dinheirinho que vinha devagar. E buscando ajuda da comunidade, muitos empresários ajudaram”, conta Vera Roth, presidente da Oase. Vieram doações até de Hamburgo, na Alemanha.

Os bancos, a porta, a pia batismal, o altar e outros itens fabricados em madeira ainda são os originais, doados por duas fábricas de móveis da cidade, das famílias Kirsch e Roth. Ainda hoje, quase tudo está igual a setenta anos atrás.

Aulas na sacristia

Nascida em Taquara, Elsita Kehl mudou-se para Novo Hamburgo em 1957 para dar aulas na escola. Estava tudo certo, só faltava a sala. Durante um ano, Elsita lecionou para uma turma de 15 alunos na sacristia.

“Deu tudo certo, as crianças portaram-se muito bem. Entretanto, quando alguém batia na porta, sabíamos que era o zelador porque alguém tinha falecido e ele precisava tocar o sino. Todos ficavam de cabeça baixa e ele batia o sino”, recorda.

Para celebrar sete décadas

Hoje, a comunidade tem cerca de 2,5 mil membros registrados. É um ícone dentro da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), em função do envolvimento comunitário.

“À medida em que a cidade foi crescendo, algumas comunidades se desmembraram da Ascensão, formando novas comunidades luteranas nos bairros, como Floresta Imperial, Guarani, Rincão dos Ilhéus entre outras”, cita Cristiane da Rocha, membro da comunidade e presidente da Associação Mantenedora de Edificações Góticas Históricas de Novo Hamburgo (Amegóticos).

O templo tem cultos semanais, aos domingos, em dois horários - às 9h e às 19h - e abriga grupos de estudos bíblicos e atividades da Oase.

A programação dos 70 anos já começou e se estenderá por todo o ano, com cultos comemorativos com a presença de pastores que já trabalharam no local. Hoje, às 15h, ocorre culto especial com a presença das senhoras da Oase, às 15h.

Ainda que a data seja de celebrar a construção, o pastor Mateus Tasso destaca que o antigo sonho que virou templo só existe em função das pessoas.

“O templo não é um fim em si, ele tem uma finalidade que é edificar vidas. A finalidade da Ascensão não é o templo, ela é uma ferramenta que Deus usa para que dentro as pessoas possam viver a fé.”

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