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Notícias | Novo Hamburgo COLETA SELETIVA

Apenas um terço dos resíduos recicláveis da coleta domiciliar são recuperados em Novo Hamburgo

Coleta Seletiva completa 10 anos no Município, onde cooperativas de catadores realizam serviço de separação do lixo, porém comunidade precisa ter mais conscientização

Por Susi Mello
Publicado em: 30.11.2021 às 06:02 Última atualização: 30.11.2021 às 16:28

A coleta seletiva chega aos 10 anos em Novo Hamburgo, mas ainda há muito a avançar. Há moradores que não entenderam que é necessário separar os recicláveis de materiais orgânicos. Se não fosse por alguns, a vida de quem depende da coleta seletiva poderia ser melhor. A estimativa é de que apenas 1/3 dos resíduos recicláveis da coleta domiciliar são recuperados.

Município conta com três cooperativas que recebem os resíduos domiciliares
Município conta com três cooperativas que recebem os resíduos domiciliares Foto: Inézio Machado/GES
Calculando-se sobre o percentual do que é coletado e o que é recuperado, chegamos a 4,8% de resíduos recuperados do total coletado. Enquanto na coleta seletiva, onde os materiais já são recolhidos em sua maioria separados de forma correta, o percentual de aproveitamento do que é coletado chega a 82,74%.

A cidade cresceu, as crianças recebem informações na sala de aula sobre a diferença entre um resíduo e outro, mas, na prática, não é isso que acontece quando os trabalhadores da área chegam na porta de casa para recolher. Eles estão cada vez mais precisando que moradores tomem uma atitude. Eles dependem do que você coloca em sua lixeira. Já pensou nisso?

Lembre-se de separar o lixo

A coleta seletiva no Município é realizada por cooperativas de catadores. "As cooperativas estão organizadas e prestam um serviço de excelência para a comunidade, porém o que precisamos é entender que o sucesso da coleta seletiva começa em casa, com duas lixeiras. Se esta primeira etapa não for feita, por cada um de nós, todo o processo fica comprometido", aponta a diretora de Limpeza Urbana da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), Cristiane Hermann.

Cristiane confirma que a quantidade de resíduos recicláveis poderia ser maior e mais empregos poderiam ser gerados se esse comportamento, por parte de moradores, mudasse. "Grande parte dos resíduos recicláveis não pode ser reaproveitado por conta da não separação dos resíduos nas casas da população", informa.

Segundo estudo realizado por Waskow (2015), a composição gravimétrica dos resíduos coletados em Novo Hamburgo na coleta domiciliar, apresenta um percentual de 57% do total de orgânicos, cerca de 43% dos resíduos são recicláveis e 10% são rejeitos, ou seja, materiais que não possuem recuperação. "Contudo, grande parte dos resíduos recicláveis é misturado com orgânicos e isto acaba fazendo com que parte dos materiais recicláveis não possa ser recuperado", aponta.

Mais renda

Os recicláveis triados e vendidos, voltam para a cadeia produtiva economizando recursos naturais. "Para os cooperados é fonte de renda, que varia de acordo com a quantidade comercializada", complementa a diretora de Limpeza Urbana da Semam, Cristiane Hermann.

No momento, Novo Hamburgo tem em torno de 120 catadores envolvidos neste processo. "Se houvesse a separação básica dentro de casa poderíamos tranquilamente triplicar a quantidade triada", reforça Cristiane.

População poderia colaborar mais

A Colabore tem duas unidades na cidade. No bairro Roselândia, a cooperativa recebe os resíduos domiciliares. Já a Colabore, no bairro Industrial, e a Cooperativa Univale, além da triagem realiza a coleta no lixo seco.

A coordenadora de uma das filiais da Colabore, Joseane Machado, 31 anos, está há 10 na cooperativa. Ela conta que era chamada de lixeira quando percorria as ruas do Município a coletar resíduos. Segundo ela, o comportamento da população, que ainda não separa o reciclável do não reciclável, é algo que afeta a vida de quem depende da profissão.

"Meu primeiro salário, há dez anos, foi 50 reais, e agora os cooperativados ganham em torno de R$ 1,5 mil. Poderia ser mais, se todos moradores deixassem tudo "direitinho" e também poderia ter mais pessoas trabalhando aqui."

O presidente da Cooperativa Univale, Alessandro dos Santos Alves, reforça a preocupação em ampliar a coleta seletiva com o apoio da comunidade. Por ano, aponta, sua equipe composta por 25 colaboradores, coleta 700 toneladas de material reciclável. "Mesmo com a coleta seletiva, 20% é rejeito, ou seja, vem com material misturado", declara.

Em 2016, quando iniciou eram 350 toneladas. Em cinco anos dobrou por conta da mudança no galpão e o aumento de pessoa. No entanto, acrescenta, daria para triplicar o número de funcionários, porque há muito material na rua. "Dá para empregar muita gente ainda", acrescenta Alves.

Cooperados da Univale, em contrapartida, dão lições de aproveitamento. Além da coleta seletiva, eles mantêm um showroom com transformações especiais. O que é descartado pelo cidadão, de forma irregular, é reaproveitado. Exemplos não faltam, como caminhas de cachorros feitas com pneus, bancos feitos em madeira e até roupas atiradas no lixo viram almofadas.

Incentivo à reciclagem pode virar lei

O plenário do Senado aprovou no dia 17 deste mês a proposta da Câmara dos Deputados que cria uma política de incentivo às atividades de reciclagem de lixo. O PL 6.545/2019 segue agora para sanção presidencial. De iniciativa do deputado Carlos Gomes (Republicanos-RS), a proposta teve como relator o senador Luís Carlos Heinze (PP-RS).

O projeto estabelece incentivos à indústria da reciclagem e cria o Fundo de Apoio para Ações Voltadas à Reciclagem (Favorecicle) e os Fundos de Investimentos para Projetos de Reciclagem (ProRecicle). Conforme o texto, nos cinco anos seguintes aos da vigência da futura lei, a União facultará às pessoas físicas e jurídicas tributadas com base no lucro real a opção pela dedução de parte do Imposto de Renda em virtude do apoio direto a projetos previamente aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente).

Esses projetos deverão estar voltados à capacitação, formação e assessoria técnica a entidades que atuem com reciclagem ou reuso de materiais; à incubação, implantação e adaptação de infraestrutura física para micro e pequenas empresas, cooperativas, indústrias, associações de catadores e empreendimentos sociais solidários que atuem no setor; e a pesquisas e estudos sobre a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Também poderão ser deduzidos os recursos investidos em projetos de aquisição de equipamentos e de veículos para a coleta seletiva, a reutilização, o beneficiamento, o tratamento e a reciclagem de materiais; de organização e apoio a redes de comercialização e cadeias produtivas; de fortalecimento da participação dos catadores nas cadeias de reciclagem; e de desenvolvimento de novas tecnologias para agregar valor ao trabalho de coleta de materiais reutilizáveis e recicláveis.
O projeto ainda cria a Comissão Nacional de Incentivo à Reciclagem, a quem caberá propor diretrizes, acompanhar e avaliar as políticas de incentivo à reciclagem.

Na justificativa do projeto, o deputado Carlos Gomes afirma que no Brasil somente 3% dos resíduos são reciclados e que o país tem potencial para chegar até a 35% de aproveitamento desse material. Além disso, argumenta, aumentar a reciclagem geraria mais de R$ 10 bilhões por ano e empregos para milhões de pessoas. Ele observa que a falta de uma política de incentivos é um dos principais problemas do setor, que demanda mão de obra, máquinas e locais apropriados.

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