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Notícias | Novo Hamburgo MOBILIZAÇÃO NACIONAL

Histórias de violência contra mulheres marcam caminhada no Parcão

Grupo alerta para os sinais da violência e como buscar ajuda

Por Susi Mello
Publicado em: 05.12.2021 às 13:12 Última atualização: 05.12.2021 às 13:13

Histórias de violência contra mulheres e meninas foram relembradas na caminhada que marcou o dia de mobilização nacional pelo fim da violência contra elas, liderada pelo Grupo Mulheres do Brasil - Núcleo Novo Hamburgo. Vestidas de laranja, carregando a faixa que reforça o movimento nacional, mulheres percorreram trilhas no Parque Municipal Henrique Luis Roessler (Parcão) para alertar que há quem possa ajudar.

Caminhada pelo Fim da Violência contra a mulher
Caminhada pelo Fim da Violência contra a mulher Foto: Diego da Rosa/GES

"Para nós, mulheres do Brasil, cada mulher conta. O que queremos com isso é que elas saibam que podem pedir ajuda, porque as mulheres às vezes não identificam o que é violência. Acham que violência é só apanhar", informa Fernanda Francheschetti, que lidera do núcleo hamburguense, composto por voluntárias, que desenvolvem ações de empoderamento das mulheres, facilitando o acesso delas à formações profissionais para que consigam sair da situação de violência.

E exemplos de quem sofre com a violência não faltam. Uma das participantes, uma advogada de 47 anos, que prefere não ser identificada para não afetar o trabalho que realiza com mulheres que sofrem violência psicológica, conta que há inúmeras situações. Em um dos casos que acompanha, uma mulher de 34 anos, com sete filhos, mora com o agressor psicológico desde os 12 anos. Ela saiu de casa depois de ser abusada pelo padrasto e vive desde então com o companheiro.

A advogada conta que o homem é alcóolatra e se transforma cada vez que bebe. "Ele não deixa ela trabalhar e se ela sai para vender balinha ou levar as crianças na escola é porque quer "dar". Além do mais, diz que ela não presta, não serve para nada, não deixa usar calcinha, só as cuecas dele, para que os homens não olhem para ela. Se ela amarra o cabelo é para se oferecer aos homens", relata a advogada, que vem acompanhado há anos o caso na tentativa de auxilá-la a mudar para uma vida melhor. 

Outra participante da caminhada foi a dona de casa Laura Pruch, 56 anos. Ela vestia a camiseta do movimento Acolha Penélope, nome de sua neta que sofreu violência sexual de um agressor 10 anos mais velho que ela, conhecido da família. O luto da família da jovem de 14 anos, vítima fatal de um acidente de trânsito em março deste ano, virou luta para a criação de um Centro de Referência em Atendimento Infanto Juvenil (Crai) e melhores equipamentos do Sistema Único de Assistência Social (Suas).

É que 11 dias após o falecimento da adolescente, ela foi chamada para atendimento no Centro de Referência de Assistência Social (Creas), sete meses após o caso de abuso ter sido denunciado pela família. "O Movimento Acolha Penélope surgiu de uma violência. E a caminhada de hoje (domingo) é para representar a importância das mulheres saberem que têm direito a buscar socorro. E elas precisam disso", declarou Laura.

Auxílio

As mulheres que passam por isso, explica a líder do núcleo hamburguense, sentem que não têm direito de pedir ajuda ou não sabem sabe onde pedir ajuda. "Nossa ideia com esse movimento é que elas entendam que têm pessoas para ajudar aqui, no Brasil, no mundo", declarou a líder do Grupo Mulheres do Brasil - Núcleo Novo Hamburgo.

A sede do grupo fica na Rua Arariboia, 292, bairro Rio Branco. Como o núcleo é composto por voluntárias é importante contatar antes pelo telefone 9 9118-9579. Outra forma de denunciar violência é pelo número 180.

Sinais da violência

Mulheres não podem sair, nem trabalhar, não podem usar roupas diferentes, ouvem que não valem nada, que não prestam, o agressor destrói objetos, oculta bens e propriedades, controla o dinheiro, não dá permissão para certas compras, pressiona a fazer sexo sem vontade, exige práticas que não quer, nega o direito de usar práticas contraceptivas.

Fonte: Fernanda Francheschetti, líder do Grupo Mulheres do Brasil - Núcleo Novo Hamburgo

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