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Notícias | Novo Hamburgo ESTELIONATO

Perícia facial confirma que moradora de Novo Hamburgo era a 'atriz' do golpe dos nudes

Mulher, de 45 anos, segue presa preventivamente

Publicado em: 13.12.2021 às 10:47 Última atualização: 13.12.2021 às 10:58

Uma perícia de comparação facial feita pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou, na manhã desta segunda-feira (13), que a moradora de Novo Hamburgo presa em operação policial em novembro é a "atriz" do golpe dos nudes. A mulher, de 45 anos, havia sido presa em casa, no bairro Primavera, no dia 23 passado. A golpista, que não teve o nome informado pela Polícia Civil, segue na cadeia, onde cumpre prisão preventiva.

Perito manipula software para comparar faces. Conhecimento de anatomia também é essencial
Perito manipula software para comparar faces. Conhecimento de anatomia também é essencial Foto: Luciano Beux/IGP

Na época, o delegado responsável pela operação Sextorsion, da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos do Deic, André Anicet, confirmou que a mulher confessou a participação no golpe. 

“Ela disse que estava precisando de dinheiro e que fez dois vídeos, há dois anos, por R$ 1,5 mil cada. Um deles viralizou e passou a ser usado por vários grupos criminosos em vários Estados”, conta o delegado.

Segundo Anicet, o Deic vinha tentando identificar a “atriz” há alguns meses. “A gente tem dois vídeos que ela fez.” A hamburguense já tinha sido presa por receptação e organização criminosa. No interrogatório, falou que trabalhava como cuidadora de idosos.

Falsa mãe desesperada

O golpe consiste em atrair homens nas redes sociais, que geralmente são presos se identificando com fotos tiradas da Internet, e acabam envolvidos numa espécie de namoro virtual. Iludidos com o recebimento de imagens íntimas, muitas vezes com apelo sexual, são convencidos a enviar deles nas mesmas condições.

É aí que entrava a figura da mãe atormentada, interpretada pela hamburguense. No vídeo que viralizou, a investigada, de óculos e aparelho ortodôntico, dramatiza: “Peguei o telefone da minha filha e vi essas ‘porcaria’ aqui. O que você está pensando, seu pedófilo, seu doente? Onde já se viu fazer uma coisa dessa com minha menina? Minha menina tem só 13 anos, é uma criança. Tu tá louco da cabeça? Tu acha que ela não tem pai nem mãe? Isso não vai ficar assim. Vou na delegacia, vou registrar uma ocorrência e vou mandar um delegado te prender”.

Como foi feita a perícia

Dois vídeos gravados pela mulher foram enviados para a Seção de Perícias em Áudio e Imagens (Sepai), do Departamento de Criminalística do IGP. No primeiro, ela se passava por mãe de uma jovem que teria recebido imagens íntimas da vítima do golpe. Em outro, simulava estar em uma delegacia e agia como se fosse policial, ameaçando processar a vítima pela troca de mensagens com uma suposta menor.

A Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos, responsável pela investigação, também enviou imagens das duas suspeitas, gravadas enquanto elas prestavam depoimento, e fotos obtidas na delegacia. As duas eram brancas, de olhos castanhos e cabelo loiro.

Etapas da análise

O primeiro passo do exame foi o melhoramento das imagens. Elas foram ampliadas, processadas e trabalhadas para avaliar se possuíam qualidade suficiente para os exames.

Outro cuidado foi observar se as faces a serem analisadas tinham as estruturas (como linha de implantação capilar, orelhas, nariz e boca) desobstruídas, o que é imprescindível para o exame pericial. Um dos vídeos não atendia a estes critérios, e foi descartado. O outro, considerado adequado, seguiu para análise.

Segundo o IGP, a perícia em si é feita com o uso de dois softwares específicos, e requer conhecimentos de processamento de imagens e anatomia facial humana. Os peritos compararam a imagem do vídeo com as das suspeitas, em busca de convergências. Foi utilizada uma escala, que vai do -4 (nega a hipótese de que seja a pessoa) ao + 4 (confirma a hipótese) . A imagem da primeira suspeita foi totalmente descartada. Os exames na imagem da primeira suspeita tiveram resultado -4, ou seja, afastaram a hipótese de que ela fosse a pessoa do vídeo.

A comparação com a imagem da segunda suspeita revelou vários pontos convergentes. Apesar de, no vídeo, a mulher ter o cabelo preto e estar usando óculos de aro grosso, os peritos encontraram o mesmo padrão em pontos como o formato da sobrancelha, linha na glabela e formato dos olhos.

Pontos semelhantes

No total, foram 16 pontos semelhantes, o que permitiu concluir que se tratava da mesma pessoa.

Perceberam, ainda, uma pequena assimetria da abertura das narinas, um sinal na região direita próxima à boca e pintas na região do pescoço. Observaram ainda que o formato e espessura dos lábios coincidia e que nas duas imagens havia a presença de aparelho ortodôntico – brackets metálicos colados nos arcos superior e inferior.

As divergências entre as imagens foram explicadas pela diferença de ângulo de captura delas.

Segundo o perito criminal Luciano Beux, da Sepai, o exame de comparação facial é fundamental para determinar se o indivíduo desconhecido, visualizado em uma imagem ou vídeo, realmente se trata do indivíduo suspeito.

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