Publicidade
Notícias | NovoNormal A vida como ela vai ser

Nômade digital' ganha força em tempos de home office

Mesmo com uma vacina, o trabalho remoto pode ter chegado para ficar, uma vez que tanto empresas quanto funcionários viram vantagens no sistema

Por Estadão Conteúdo
Publicado em: 01.10.2020 às 01:18 Última atualização: 02.10.2020 às 14:51

Com a pandemia de coronavírus, 8,7 milhões de brasileiros estão em home office, segundo a última pesquisa Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com uma vacina e com o fim do isolamento social, o trabalho remoto pode ter chegado para ficar, uma vez que tanto empresas quanto funcionários viram vantagens em não ter de ir ao escritório todos os dias. Desta forma, pode crescer o contingente dos profissionais chamados de "nômades digitais".

Esses profissionais, que viajam o mundo com um computador e encontram emprego pelo caminho, já existiam antes da pandemia. Mas, nos últimos meses, alguns países criaram incentivos para atrair esses trabalhadores, aproveitando o trabalho remoto compulsório.

Recentemente, a Estônia passou a oferecer um visto para os adeptos do nomadismo que queiram viver por até um ano no país. Para se candidatar, o profissional precisa trabalhar ou ser sócio de uma empresa registrada em outro país ou trabalhar como freelancer para clientes que também estejam no exterior.

"Havia uma demanda por profissionais que gostariam de estar na Estônia e continuar trabalhando. Esse tipo de profissional não vem para ficar muitos anos, mas alguns meses, e usa visto de turista. Então, pensamos em criar o Digital Nomad Visa (visto de nômade digital)", explica Ott Vatter, diretor da e-Residency, programa que permite que não-residentes abram empresas na Estônia.

Segundo a e-Residency, mais de 100 brasileiros pediram informações sobre esse visto. Mas, por enquanto, não está autorizada a emissão para profissionais do Brasil, pois há restrições de entrada na União Europeia por causa da covid-19. Hoje, cerca de 320 brasileiros vivem no país.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Estônia, já foram emitidos cinco vistos para nômades de África do Sul, EUA, Canadá e Cingapura. Países como Barbados, Bermudas e Geórgia também criaram os seus vistos para nômades.

Estilo de vida

Quem trabalha em uma empresa que anunciou o home office permanente pode começar a planejar a carreira como nômade digital. A líder da área de marketing (CMO) da Revelo - empresa de tecnologia do setor de RH -, Patricia Carvalho, explica que, no mundo pós-pandemia, é provável que o leque de profissionais que permitam a prática seja ampliado.

"Antes, existiam áreas específicas nas quais as pessoas poderiam ser nômades, como tecnologia, fotografia, marketing digital. O publicitário navegava bem nisso. Agora, como a gente experimentou diferentes profissões online, o leque se abre até a carreiras menos flexíveis, como contador, administrativo, financeiro e advogado."

Pelo perfil dinâmico da carreira, ela também chama a atenção de que, geralmente, os profissionais que optam pelo nomadismo são pessoas jurídicas (PJ).

"Como o profissional costuma ter alternativas de trabalho, ser PJ é mais comum. A pessoa acaba fazendo muitos projetos. E as soft skills são essenciais, como autogestão, adaptabilidade, boa comunicação e negociação - características mais comuns a empreendedores."

100% nômade. Depois de dois anos de empresa, em 2015, a Bananas Music - que faz curadoria musical para marcas - fechou o escritório em Porto Alegre. "Fizemos uma pesquisa com funcionários e todo mundo queria morar em outro lugar e ter mais liberdade para viajar. Como trabalhamos com curadoria musical, é mais interessante termos pessoas em várias partes do Brasil, descobrindo como funciona a cadeia produtiva", explica a sócia Juliana Baldi.

Hoje, a empresa tem nove funcionários (entre contratos CLT e PJ) espalhados por São Paulo, Porto Alegre, Santa Catarina, Paraná e Canadá. "Fiquei dois anos viajando pela Europa, com base em Lisboa, sempre trabalhando. No fim do ano sempre volto ao Brasil para encontrar a equipe. Vim para São Paulo para um projeto por três meses, mas estou aqui há seis, por causa da pandemia", conta Juliana.

Ela ressalva, no entanto, que ser um nômade digital não é uma opção para todo mundo. "É solitário, e quem não tem disciplina sofre. Já teve funcionário nosso que era incrível e não se encaixou no estilo de trabalho. Não é para qualquer um."

Seu sócio, Rafael Achutti, depois de ficar quatro meses em Lisboa, instalou-se na Praia do Rosa, litoral de Santa Catarina. Para ele, a criação dos vistos para nômades vai reduzir a burocracia. "Como turista, não posso ficar mais de três meses na Europa. Às vezes, são cansativas as mudanças."

Para os sócios, a tendência é que o nomadismo digital se volte ao território nacional. "Vejo que as pessoas que já experimentaram ser nômades estão começando a ir para cidades menores. Estão se dando conta de que não faz mais sentido pagar um aluguel caríssimo em São Paulo", diz Juliana.

Segundo Patricia Carvalho, da Revelo, a plataforma registrou aumento de 25% no movimento migratório das capitais para o interior entre junho e julho. Enquanto o nomadismo digital não é plenamente possível na pandemia, observa-se que as empresas contratam pessoas de outras regiões do País.

A Elephant Skin, agência de criação especializada em mercado imobiliário com sede em Miami, tem vagas para profissionais remotos desde sua criação, em 2016. "A empresa cresceu, e a gente precisava de qualidade. Então, não dava para nos prendermos onde estávamos", diz o CEO Henrique Driessen. Entre os 35 funcionários, 85% trabalham remotamente desde sempre. Além de Miami, há profissionais em Recife, Florianópolis, Brasília, Curitiba, São Paulo, Novo Hamburgo (RS) e Belém. No exterior, há gente nos EUA, no Canadá, na Armênia e na Ucrânia.


Receba notícias diretamente em seu e-mail! Clique aqui e inscreva-se gratuitamente na nossa newsletter.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.