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Notícias | País Saúde

Curativo biológico: hospital do Rio de Janeiro utiliza pele de tilápia para tratar queimaduras

Ministério da Saúde informou que após receber licença da Anvisa, material poderá ser usado em todo o SUS

Última atualização: 11.01.2020 às 16:00

Pele de tilápia poderá ser utilizada pelo SUS Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o Hospital Municipal Souza Aguiar será o primeiro a utilizar a pele de tilápia no tratamento de queimaduras. O produto, que já foi destaque em séries de TV como “Grey’s Anatomy” e “The Good Doctor”, começou a ser utilizado em dezembro passado no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) da unidade, como parte do estudo multicêntrico liderado e organizado pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Duas pacientes com queimaduras graves foram tratadas logo no primeiro mês com a pele do peixe de água doce, e apresentaram cicatrização mais rápida e com menos queixas de dor.

O Souza Aguiar é um dos hospitais brasileiros que participam da parte clínica do estudo, desenvolvido desde 2014 pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da UFC, dentro das normas do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa. A pele da tilápia passa por um processo de preparo e desinfecção que inclui exposição a raios gama (radiação). Em 2019, o material foi apresentado ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o ministério informou que, após receber a licença definitiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ele poderá ser utilizado para o tratamento de queimaduras em todo o SUS.

Sobre a pele de tilápia e aplicação

A pele de tilápia é um curativo biológico e tem apresentado resultados terapêuticos melhores até do que a pele de cadáver. O material é hidratado e aplicado diretamente sobre as queimaduras, sem a necessidade de pomadas ou outros insumos. Rica em colágeno, resistente e elástica, a pele de tilápia auxilia na cicatrização de queimaduras de diferentes níveis.

A atadura tampona toda a ferida, vedando e aderindo como se fosse uma cola, podendo permanecer no local por vários dias. Com isso, reduz os riscos de infecção, evita a perda de líquidos dos tecidos e também diminui a dor do paciente, que é inevitável no tratamento tradicional das queimaduras, com curativos feitos de gazes e pomadas e que normalmente devem ser trocados no máximo a cada três dias.

O curativo com a pele de tilápia é trocado somente a cada 10 dias, reduzindo, além do sofrimento do paciente, o custo do tratamento em até 50%. No Hospital Souza Aguiar, inicialmente a pele de tilápia está sendo usada em pacientes com escaldaduras provocadas por água fervente em até 30% do corpo. Com o tratamento tradicional, precisaria ficar internada para trocar os curativos diariamente.


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