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Dólar acima de R$ 4,30: como isso impacta o seu dia a dia?

Moeda norte-americana, que bateu recorde na semana, acumula valorização superior a 8% desde o início do ano e impacta na economia Reportagem: Nicolle Frapiccini

Depois de cinco dias de ganhos renovando os recordes históricos, a moeda norte-americana fechou nesta quinta-feira (13) com uma leve queda de 0,39%, terminando cotada R$ 4,3339. Entretanto, o dia no mercado financeiro foi de oscilações, que são temidas por empresários quando o assunto é dólar. Ontem, a moeda começou o dia em alta, após as declarações do ministro da Economia Paulo Guedes. Em palestra, o ministro defendeu na quarta-feira o dólar alto e disse que o câmbio não está nervoso e que "não tem negócios de câmbio a R$ 1,80". "Todo mundo indo pra Disneylândia. Empregada doméstica indo pra Disneylândia. Uma festa danada."

A manifestação de Guedes levantou uma velha polêmica: a cotação da moeda norte-americana. Afinal, por mais que não percebamos, o dólar interfere no nosso dia a dia, seja nas viagens internacionais, como para a Disney, ou no valor dos medicamentos e do "pão nosso de cada dia". Ontem, na saída do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro discordou do ministro da Economia. "Eu, como cidadão, acho que está um pouquinho alto o dólar."

E a frase polêmica de Guedes seguiu repercutindo. O presidente da ONG Instituto Doméstica Legal, Mario Avelino, distribuiu nota em resposta ao ministro para lembrá-lo de que "nos últimos anos a empregada doméstica passou a ter os mesmos direitos do trabalhador de uma empresa", "o trabalhador doméstico não tem ido à Disney a passeio" e "para chamar atenção para o aumento da informalidade no setor".

A economista e professora da Universidade Feevale Lisiane Fonseca da Silva salienta que sempre nessas oscilações do dólar há perdedores e ganhadores. "Não é incomum que o mercado reaja dessa forma. Essa alta não está sendo sentida somente aqui, é um movimento mundial. O que muda é a proporção em que ela é recebida, em alguns países é maior e em outros menor." Em fevereiro, o dólar acumula valorização de 1,14% no Brasil. No ano, de 8,08%. "Entre os fatores que contribuem estão a reorganização da União Europeia, a perspectiva um pouco menor do crescimento da China e uma nova eleição nos Estados Unidos."

(*) Com Agência Estado.

É positivo

EXPORTAÇÃO
Para as indústrias, a alta do dólar tem que ser vista sob dois ângulos: o da exportação e o da importação. Para as empresas exportadoras, a desvalorização do real frente a moeda norte-americana é positiva porque deixa os produtos mais atrativos no exterior. O presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, Haroldo Ferreira, frisa que na formulação do preço o calçado made in Brazil fica mais competitivo. “Entretanto, isso é relativo. Pode ser bom em um primeiro momento, mas depois pode ser prejudicial. O grande problema do câmbio é a oscilação. O melhor é ele ficar estável a R$ 3,85, do que flutuando entre R$ 4,10 e 4,35.”

CADEIA PRODUTIVA
Com as empresas exportadoras vendendo mais no exterior, a cadeia produtiva dessas empresas também saem ganhando com a alta do dólar. O vice-presidente de Economia da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, André Luís Momberger, destaca que elas serão mais demandadas pelo crescimento nas vendas e produção da empresa exportadora. “Assim, mexe a economia por meio da produção.”


RESERVAS BRASILEIRAS
Momberger comenta ainda que o governo brasileiro também é beneficiado por essa alta da moeda norteamericana. “Com uma cotação maior, a sobra do caixa, as reservas brasileiras ficam mais robustas.”

INVESTIMENTO EXPOSTO EM MOEDA ESTRANGEIRA
Quem fez algum investimento atrelado a moeda estrangeira também sai beneficiado com este aumento pelo fato de que um dólar, por
exemplo, vale mais reais em relação ao momento em que o investimento foi realizado.

Bilhão

Esse foi o valor do leilão em contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro, que o Banco Central anunciou ontem à tarde. Somente após essa movimentação a moeda reverteu a curva de alta da quinta-feira. No fim da tarde, o Banco Central anunciou que fará mais um leilão de US$ 1 bilhão em contratos de swap hoje pela manhã.

Relação com o preço da gasolina no Brasil

A professora da Feevale explica que relacionar uma alta ou queda da gasolina somente ao estoque da Petrobras ou ao dólar é simplificar a questão. "Envolve muitas variáveis e a política da Petrobras é de fazer correções conforme a cotação do petróleo. Se a Petrobras aumentar a importação, vamos sentir. Tem que ver como ela vai gerir os estoques."

É negativo

IMPORTAÇÃO
Se os exportadores saem felizes, os importadores lamentam a conta mais alta a ser paga. No caso da indústria calçadista, por exemplo, os brasileiros podem sentir o impacto dessa alta do dólar. Isso porque parte dos insumos utilizados na fabricação dos sapatos são importados, ou seja, baseados no dólar. “Se os insumos sobem, a planilha de custos também aumenta e isso é repassado no preço do produto. Com isso, o valor no mercado interno pode aumentar”, afirma Haroldo Ferreira.

VIAGENS
No turismo, quem estava pensando em sair do País terá que desembolsar mais para conhecer os lugares pretendidos. A viagem deve sair mais cara já que muitas passagens aéreas estão atreladas à moeda norte-americana. Além disso é preciso ficar atento às cotações das moedas estrangeiras nas casas de câmbio. Em Novo Hamburgo, o dólar estava sendo vendido na tarde de ontem a valores que variavam entre R$ 4,53 e 4,55 em transações à vista, que tem um IOF de 1,1%. No cartão prépago, onde o IOF é de 6,38%, a R$ 4,78. Já o euro era encontrado entre R$ 4,92 e 4,95. No cartão, R$ 5,21. E a libra, chegava a variar entre R$ 6,05 e 6,13. No cartão, a R$ 6,34.

CONSUMIDOR
No dia a dia, a alta do dólar está bem perto. Seja na compra diária do pão do café da manhã, em restaurantes, nos medicamentos ou ainda em eletrônicos. No setor farmacêutico, como 95% da matéria prima vêm de fora e os preços são fixados, as empresas já trabalham com a perspectiva de redução da margem de lucro ou de revisão de contratações. O diretor da Associação das Confeitarias e Padarias do Estado, Gilmar Duarte, diz que quase toda farinha que se utiliza no Estado vem do trigo argentino. “É ruim porque temos que repassar direto. Com certeza, em cerca de 15 a 20 dias já deve ter interferência no preço.”

INFLAÇÃO
Com o aumento, os produtos importados entram mais caros no País, o que gera inflação e, assim, pode pressionar a taxa de juros.

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