Publicidade
Notícias | País AGORA É OFICIAL

'Não é aceitável, de maneira nenhuma, indicações políticas': Moro pede demissão

Decisão ocorre após a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo

Por Bianca Dilly
Última atualização: 24.04.2020 às 12:21

Sergio Moro pediu demissão do Ministério da Justiça Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em discurso que anunciou sua saída, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública afirmou que não tinha como persistir no cargo “sem condições de preservar a autonomia da Polícia Federal para realizar seus trabalhos”

Em um pronunciamento, que durou cerca de 40 minutos e terminou com o anúncio do seu pedido de demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro falou, na manhã desta sexta-feira (24) sobre não concordar com indicações políticas em cargos públicos. O discurso foi realizado após o presidente da república, Jair Bolsonaro, assinar a exoneração do então diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, decisão publicada também nesta sexta no Diário Oficial da União (DOU).

Moro destacou que não assinou nenhum documento da demissão de Valeixo e ficou sabendo da exoneração pelo DOU. “Fui surpreendido e achei isso ofensivo”, ressaltou, acrescentando que: “Para mim, esse último ato é uma sinalização de que o presidente me quer fora do cargo”, pontuou.

O ex-ministro comentou que o presidente já vinha insistindo na troca da direção-geral há algum tempo. “Eu sempre disse que não tinha problema nenhum em trocar, mas eu precisava de uma causa para isso, como insuficiência de desempenho ou erro grave. E o que eu vi durante todo esse período foi um trabalho bem feito”, destaca, em relação à Valeixo.

De acordo com Moro, Bolsonaro chegou a expressar a vontade de ter uma pessoa de contato pessoal dele no cargo da PF. “Alguém que ele poderia ligar, colher relatórios de inteligência. Não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações tem que ser preservadas”, sublinhou, no pronunciamento. O presidente também teria manifestado ao ex-ministro a preocupação com inquéritos em curso na PF. “E que a troca seria oportuna por esse motivo”, resumiu.

“Vou começar a empacotar minhas coisas e encaminhar minha carta de demissão”, afirmou

Ainda na quinta-feira, quando começaram a surgir os rumores sobre a exoneração de Valeixo, Moro diz que conversou com o presidente. “Falei que seria uma intervenção política e ele disse que seria mesmo”, revelou. O ex-ministro ressaltou que não concorda com o posicionamento. “Não é aceitável, de maneira nenhuma, indicações políticas. Quando se começa a preencher cargos técnicos dessa forma, o resultado não é bom”, descreveu.

Depois de fazer uma retrospectiva sobre sua atuação e os ocorridos recentes, Moro anunciou o pedido de desligamento do ministério. “Agradeço ao presidente da república a nomeação que foi feita a mim. Vou começar a empacotar minhas coisas e encaminhar minha carta de demissão. Não tenho como persistir sem condições de preservar a autonomia da PF para realizar seus trabalhos ou sendo forçado a sinalizar concordância com intervenções políticas cujo resultado são imprevisíveis”, concluiu.


Quer receber notícias como esta e muitas outras diretamente em seu e-mail? Clique aqui e inscreva-se gratuitamente na nossa newsletter.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.