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Em um ano, 15 mil devem perder o emprego no setor do calçado com veto à desoneração da folha

Estimativa sobre o impacto no setor caso a decisão de Jair Bolsonaro seja mantida foi divulgada pela Abicalçados

Por Nicolle Frapiccini
Publicado em: 10.07.2020 às 08:05 Última atualização: 10.07.2020 às 08:42

Junto de lideranças políticas, o setor já trabalha para derrubar o veto, em Brasília Foto: HUGO DELGADO
Acréscimo de R$ 572 milhões nos custos das fabricantes de calçados brasileiras e uma diminuição, em um ano, de 15 mil postos de trabalho do setor. Essa é a estimativa da Inteligência de Mercado da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) sobre o impacto nas empresas caso o veto do presidente Jair Bolsonaro sobre a prorrogação da desoneração da folha de pagamentos seja mantido. A decisão do chefe do Executivo do País, publicada no Diário Oficial da União do último dia 7 de julho, quando a então Medida Provisória (MP) 936 foi sancionada com vetos, é vista com preocupação entre representantes do sapato verde-amarelo.

Junto de lideranças políticas, o setor já trabalha para derrubar o veto, em Brasília. Isso porque após incluir a prorrogação da desoneração por mais um ano no texto da MP, o Congresso Nacional irá analisar os vetos feitos por Bolsonaro. O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, afirma que a decisão do governo federal foi um grande equívoco pelo contexto em que está inserido. "Isso diante do início da recuperação da pior crise da história da indústria calçadista nacional, que já custou mais de 50 mil postos em 2020. A reoneração vai ter um impacto muito pesado não somente para a indústria calçadista, mas para os demais 16 setores econômicos beneficiados pela medida."

Demissões

O veto de Bolsonaro foi a segunda surpresa negativa para o setor em uma semana. Afinal, os dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostraram que os impactos da pandemia na força de trabalho das indústrias foram mais profundos do que projetado pela entidade. De março a maio, as fábricas brasileiras de calçados desligaram 52.539 profissionais. Número bem superior aos 36 mil desligamentos até junho apontado no levantamento com os associados da Abicalçados.

 

Mecanismo

Atualmente, o setor calçadista é um dos setores beneficiados com a desoneração da folha de pagamentos. Em vigor até dezembro deste ano, o mecanismo permite a substituição do pagamento de 20% sobre a folha de salários por 1,5% da receita bruta, excluindo as exportações. A prorrogação não sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro previa vigência até dezembro de 2021.


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