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Eterna duplicação: término das obras na RS-118 fica para o fim de 2020

Reportagem percorreu rodovia entre Sapucaia do Sul e Gravataí e aponta o que ainda precisa ser feito

Por Leandro Domingos
Última atualização: 20.01.2019 às 19:22

Foto por: Paulo Pires/Paulo Pires/ GES
Descrição da foto: Fim da duplicação da RS-118 agora está prevista para 2020
“Eu vou morrer sem ver a RS-118 pronta”, suspira o aposentado Ademar Nunes. O ex-eletricista de 60 acredita que, por causa da duplicação, a 118 tenha se tornado um daqueles canteiros de obras sem fim. “Chega a dar uma tristeza quando o cara passa por aquele trecho de Sapucaia”, dispara. Calma, seu Ademar. Não é para tanto. Nossa reportagem percorreu a RS-118 na semana que passou e observou que existe sim luz no fim do túnel. E inclusive há quem indique até prazo para o fim das obras.

Respondendo pela Secretaria Estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella quer ver a RS-118 pronta até o final do ano que vem. O secretário aponta que 90% dos lotes 1 e 2, que ficam entre os quilômetros 21,5 e 11, entre Gravataí a Esteio, estão prontos. Ele acredita que logo que passar a fase da terraplanagem no lote 3 de Sapucaia do Sul, entre os quilômetros 0 e 5, a obra vai andar mais rápido. “É compromisso deste governo não começar nenhuma obra sem antes terminar o que ficou para trás”, frisa. “Dá sim para imaginar o fim das obras até o final do ano que vem. A parte mais difícil é a terraplanagem”, continua. “Depois é só garantir o asfalto e terminar de recapar as pistas antigas”, avalia. “Até os viadutos estão bem encaminhados.” É claro que para a conclusão é preciso de dinheiro, segundo o secretário.

Foto por: Paulo Pires/Paulo Pires/ GES
Descrição da foto: RS-118 é perigosa para motoristas e pedestres

Estima-se que ainda sejam necessários R$ 90 milhões para o fim da obra. “A RS-118 não serve somente para que a população se desloque para a praia”, argumenta. “Ela é um importante acesso ao desenvolvimento do Estado. Queremos ver a 118 pronta a fim de atrair empresas e investidores para toda aquela área ao redor da rodovia”, defende. “O fim das obras significa um importante marco para o futuro do Estado e seremos incansáveis em buscar parcerias que viabilizem a conclusão das obras”, fecha Costella.

Seja como for, nesta época há uma grande parcela da população que usa a RS-118 para ir à praia. Pensando neles, fizemos o trajeto, constatando que o percurso rumo ao litoral norte exige atenção total até mesmo do motorista mais experiente. Há buracos, desvios e má sinalização ao longo dos mais de 20 quilômetros.

Confira ao lado os principais pontos desta verdadeira viagem

Foto por: Paulo Pires/Paulo Pires/ GES
Descrição da foto: Placa avisa que velocidade deve ser reduzida

Um grande canteiros de obras

Rumo ao litoral norte, logo que se sai da BR-116, pegando o acesso para a RS-118, o motorista é avisado por uma placa para reduzir a velocidade porque vai encarar um trecho de cinco quilômetros de obras. Acredite, a placa não mente. O trecho do quilômetro 0 ao 5 em Sapucaia do Sul é feito de buracos, cones e cavaletes de desvios, além de má sinalização no que diz respeito às entradas e saídas que existem em torno da rodovia. Especialmente para quem não conhece é necessário atenção total. Até porque, além de máquinas e homens, à beira da pista e também há travessia de pedestres.

Foto por: Paulo Pires/Paulo Pires/ GES
Descrição da foto: No km 3, trânsito quase parado
Km 3 - Trânsito quase parado

Prosseguindo para a free way, ao chegar no quilômetro 3 da rodovia o trânsito literalmente para. Acontece que no trecho operários trabalham na execução do viaduto sobre a Avenida Theodomiro Porto da Fonseca. A elevada toma um enorme espaço, sobrando apenas as vias laterais, paralelas à RS-118, para circulação. Com o fluxo mais lento, o cuidado deve ser redobrado também com as figuras para lá de suspeitas que andam na volta. Alguns são vendedores oferecendo água e suco, mas também tem gente só espiando o movimento. Abra o olho.

Foto por: Paulo Pires/Paulo Pires/ GES
Descrição da foto: Obras na RS-118 exigem atenção total
Atenção tem que ser total

Tanto para quem vai à praia quanto para quem volta pela RS-118, o trecho em Sapucaia do Sul oferece riscos especialmente à noite. É que, por causa das obras, não há somente obstáculos como cones e placas na pista. O risco mora também na lateral dela. Há vários trechos entre os quilômetros 3 e 5 nos quais formaram-se verdadeiras valas. Em algumas partes o terreno cedeu, com risco até de queda do veículo. Durante o trajeto feito de carro de Sapucaia a Gravataí, nossa reportagem por pouco não registrou um acidente no local, justamente um veículo que quase entrou em uma das valas. O motorista errou um acesso e só não entrou pelo buraco ao lado da pista porque tinha muito bom freio.

Foto por: Paulo Pires/GES
Descrição da foto: Trecho duplicado da RS-118 é um alívio
Trecho duplicado é alívio

Saindo de Sapucaia do Sul, entra-se no trecho da 118 entre Esteio e Cachoeirinha, que vai dos quilômetros 5 ao 11. Aí o mundo é outro para o condutor em busca do tão sonhado veraneio. Há um longo trecho já duplicado entre os quilômetros 5 e 8 onde o trânsito flui muito bem. Acontecem inclusive ultrapassagens de veículos mais rápidos pela esquerda, algo que parecia impossível até este momento da viagem. Felizmente, sumiram as crateras do asfalto. O cuidado é exigido apenas devido às entradas e saídas do trecho. É que a sinalização segue não sendo boa quanto aos caminhões que atravessam a pista.

  

Foto por: Paulo Pires/GES
Descrição da foto: Buracos fazem parte do trecho sem duplicação
Armadilhas

Está com pressa? Então o seu lugar não é na RS-118. Pelo menos não por enquanto. É que além da má sinalização dos desvios, os buracos e o desnível da pista muitas vezes acabam funcionando como verdadeiras armadilhas para o motorista desavisado. É praticamente impossível fazer o trajeto de 20 quilômetros sem ouvir, em algum momento, o popular “tum-tum” dos pneus do carro ao caírem no buraco. Além disso, no quilômetro 16 deparamos com canos, madeira e cavaletes caídos no chão.

Foto por: Paulo Pires/Paulo Pires/ GES
Descrição da foto: Zigue-zague entre os kms 11 e 17
Um zigue-zague na pista

Já na metade do caminho para a free way, o motorista enfrenta, entre os quilômetros 11 e 17, um verdadeiro zigue-zague na pista. É que entre Cachoeirinha e Gravataí se alternam entradas e saídas da pista da RS-118 para a via lateral devido às obras. Tudo devido ao trabalho de operários na recapagem, viadutos e pontes ainda inacabadas. A crítica quanto à sinalização continua. Por exemplo, no quilômetro 17, logo após descer em velocidade o novo viaduto sobre a Avenida Marechal Rondon, o condutor enfrenta um desvio mal sinalizado para a direita. Por estar em maior velocidade, é preciso cuidado.

Obra lenta

No quilômetro 20, à esquerda de quem vai para a praia e à direita de quem volta, é impossível não notar, ao lado da rodovia, um imenso buraco de chão batido que se abriu. A área vazia é onde antes viviam centenas de famílias de forma irregular. Desde a retirada das pessoas, houve investimentos de empresários tendo em vista a valorização do local. Só que ninguém imaginaria que a obra seria tão lenta. “Só espere que um dia termine”, desabafou Rosa Andrade, funcionária de um grande empreendimento que se ergue no trecho.


Foto por: Paulo Pires/Paulo Pires/ GES
Descrição da foto: Entre os kms 18 e 20, em Gravataí, nova redução
Quilômetros bem perigosos

Já quase terminando o percurso até a chegada na free way, o motorista deve tirar o pé do acelerador. É que entre os quilômetros 18 e 20 da 118, já em Gravataí, encontra-se um pequeno “centrinho” à beira da rodovia. Há no local dois postos de combustíveis, um dos principais hotéis da cidade e um atacadão. Isso significa que não há como imprimir uma grande velocidade no veículo por conta do risco. A entrada e saída de carros, caminhões, ônibus e pedestres é constante. E os acidentes são rotina.

Quatro carros perdidos na buraqueira

Trabalhando para a General Motors em Gravataí, mas com quase toda a família ainda vivendo em Canoas, o operador de produção Júlio César Fagundes diz ser obrigado a pegar a RS-118 dia sim, dia não. Resultado? Já perdeu quatro veículos novos para os buracos ao longo da rodovia. “Tenho um desconto bom para tirar um Celtinha zero da fábrica, mas eu já cansei de andar de carro novo”, reclama.

“A 118 destrói com qualquer carro. Tem trechos em que a gente anda e treme tudo dentro do carro. Não dá nem para ouvir um som tranquilo. Parece que ele vai se desmontar. É por isso que agora eu decidi que só ando com carro velho”, defende o trabalhador de 47 anos. Para o experiente Fagundes, as obras têm fim. Ele só não arrisca dizer quando. “A gente vê os caras trabalhando, então acho que um dia vai ter fim sim toda esta zorra”, opina. “A única coisa que não sei é se ainda vou estar vivo para ver a RS-118 prontinha.”

  

Motorista evita a 118 sempre que possível

Quem também já sentiu o gosto amargo do prejuízo ao rodar pela RS-118 foi o Rodrigo Carvalho. Natural de Santo Antônio da Patrulha, ele vive há poucos meses em Gravataí. Entretanto, bastou somente uma semana na cidade para que o trabalhador visse um pneu do carro estourar na pista da RS-118. “Fui entrar na faixa e o carro caiu em um buraco na beira da pista”, conta o vendedor de 35 anos. “Explodiu o pneu. Fiquei ali, parado, sem entender. Agora ando me cuidando na 118. Ninguém merece ficar parado com o carro parado com o pneu furado nesta faixa.”

Dizendo evitar a rodovia sempre que possível, o trabalhador reclama principalmente dos acessos. Na opinião dele, quem não conhece a 118, não entende como se entra e sai dela. “Não sei se um dia vão terminar a RS-118, mas se terminarem, será que vão sinalizar direito? Porque eu simplesmente acho complicado entrar ou sair. É um perigo sempre.”

Saiba mais

A RS-118 tem 22,4 quilômetros de extensão, ligando a BR-116, em Sapucaia do Sul, à BR-290 (free way), em Gravataí. As obras de duplicação tiveram início em novembro de 2006, mas foi somente a partir de 2011 que o ritmo do trabalho foi intensificado. O trabalho foi dividido em lotes. Os Lotes 1 e 2 ficaram sob a responsabilidade da construtora Sultepa, tendo já garantido a duplicação de aproximadamente 90% do trecho entre os quilômetros 5 e 21,5. Já o Lote 3 ficou com a empresa Toniolo Busnello, que ainda trabalha nos serviços de terraplenagem do km 5 ao quilômetro inicial. Orçada em R$ 222 milhões, a obra já teve mais de R$ 130 milhões investidos, segundo os números do Estado.

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