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GM ameaça sair do País através de comunicado fixado em fábricas

Texto em murais e enviado por e-mail alerta funcionários sobre um ano que pode ser muito difícil

Por Diléa Fronza
Última atualização: 21.01.2019 às 19:33

Foto por: GES-Especial
Descrição da foto: Fábrica da GM de Gravataí seria uma das que poderiam ser fechadas
O assunto mais comentado em Gravataí desde o final de semana é a informação de uma possível saída da GM da América do Sul. Tudo isso porque, na última sexta-feira (18), o presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, teria enviado um comunicado aos funcionários. Com o mesmo tom, cartazes foram fixados em murais das fábricas, entre elas a do município, num informativo interno chamado “Oito Laudas”.

No texto, Zarlenga diz que investimentos e o futuro da montadora dependem da volta da lucratividade das operações ainda este ano. O comunicado surgiu após ter sido publicada uma entrevista no Detroit News com a presidente mundial da montadora, Mary Barra, em que ela dá a entender sair da América do Sul.

No cartaz, a empresa pede o comprometimento e o sacrifício de todos para evitar que os prejuízos de 2016 a 2018 voltem a se repetir.


Reação local

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: Cartaz fixado nos murais da fábrica em Gravataí
Imediatamente após o comunicado, as forças sindicais se mobilizaram. Nesta terça-feira (22), haverá uma reunião entre os trabalhadores, a montadora e prefeitos em São Paulo. Em Gravataí, encontro semelhante vai acontecer na semana que vem. A reunião, ainda a ser confirmada, será no dia 29, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Simgra).

Enquanto tudo ainda é muito incerto, a preocupação aumenta entre os trabalhadores. “Estamos em contato com diretores e funcionários. Não caiu bem a ficha nessa discussão porque não se sabe de fato o que é. Está todo mundo apreensivo, a verdade é que não se sabe nada”, afirma Valcir Ascari, presidente do Singra.

Em nota, a assessoria de imprensa da GM Gravataí informou que não irá se manifestar sobre o assunto.


Município vê fato com cautela

O secretário da Fazenda da Gravataí, Davi Keller Severgnini, diz que o município recebeu a informação pela imprensa e com cautela. “A GM é a locomotiva de Gravataí. Estamos apreensivos e cautelosos com essa possibilidade, embora tenhamos a opinião de que a unidade de Gravataí é muito madura para ser encerrada da noite pro dia como vem se ventilado. Ela apresenta resultados muito importantes para a GM mundial e continua sendo importante no contexto Mercosul, visto que fabrica o carro mais vendido do país, que é o Onix. É preciso ver com cautela essa fala do presidente. Eu acho que ele fez uma sinalização pelos que se interessam pelo assunto de que a GM Brasil vai procurar o maior lucro possível. Para os governos, que é preciso sentar e conversar, visto que o setor automotivo sempre gozou de políticas setoriais. E para os funcionários um lembrete de que estão todos na mesma barca”, diz.


Ampliação há quase dois anos

Em agosto de 2017, a GM Mercosul anunciou, com a presença do Governo do Estado, um investimento de R$ 1,4 bilhão para modernizar a linha de produção do complexo automotivo da montadora em Gravataí. Estes investimentos, segundo informações extraoficiais, já estão em andamento. “Além da retomada do terceiro turno, que é oficial e acontece há algum tempo, tem a informação de que haveria uma parada programada para fevereiro, para que a planta recebesse um ajuste que faz parte deste investimento. O que sabemos e percebemos, até pela receita de tributos é que os investimentos foram feitos. Então, não é crível que uma empresa deste porte, gigante mundial, com planejamento de investimento feitos, decidiria da noite para o dia fechar a operação”, acrescenta o secretário Davi que informa que a montadora junto com as sistemistas é responsável por 50% da arrecadação de ICMS do município. Somente o PIB do ano passado foi de R$ 3 bilhões.

O presidente do Simgra também não acredita em fechamento da fábrica. “A área automotiva é sempre de altos e baixos. Essa é a planta mais lucrativa da Chevrolet no Brasil, mas pelo comunicado é a América do Sul toda, o que muda de figura. Toda hora há um comunicado. Ultimamente só falta revogar a Lei Áurea e acabar com a escravidão. Estamos esperando a reunião que acontecerá amanhã (hoje) em São Paulo e a nossa da semana que vem para ver os próximos passos. A planta está em pleno funcionamento e tem essa história de parada para fevereiro, que, por enquanto, é só uma conversa, nada oficial. Estamos pedindo que os trabalhadores fiquem calmos. É preciso ter mais informação para qualquer tipo de alarde”, conclui Valcir.

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