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Notícias | Região Operação Egypto

Desarticulado esquema de empresa hamburguense que atuava com criptomoedas

Segundo o inquérito policial, instaurado em janeiro de 2019, InDeal estaria captando recursos de terceiros, sem a autorização dos órgãos competentes e assumia o compromisso de retorno de 15%, ao menos, no primeiro mês de aplicação

Última atualização: 22.05.2019 às 13:36

Foto por: João Ávila/ GES-Especial
Descrição da foto: Polícia Federal cumpre mandado em residência no bairro Hamburgo Velho
A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Egypto, que investiga a InDeal, instituição financeira que atua sem autorização do Banco Central. A ação tem o apoio da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Cerca de 150 agentes cumprem dez mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão nas cidades gaúchas de Porto Alegre (3), Novo Hamburgo (13), Esteio (1), Estância Velha (2), Campo Bom (1); Laguna (1) e Florianópolis (1) no estado de Santa Catarina e em São Paulo (3), capital paulista.

Além dos mandados, foram expedidas ordens judiciais de bloqueio de ativos financeiros em nome de pessoas físicas e jurídicas, de dezenas de imóveis e a apreensão de veículos de luxo.

Em Novo Hamburgo, a reportagem do Jornal NH flagrou o momento em que a Polícia Federal cumpria mandado em uma residência de luxo na Rua Agudo, no bairro Hamburgo Velho. Outras ações ocorreram na Rua Silveira Martins, no Centro, onde fica a sede da empresa investigada, e também no bairro Canudos, no condomínio de luxo Hamburgo Village, e na sede formal da empresa no prédio Adolfo, em uma das galerias entre a David de Canabarro e o Calçadão Osvaldo Cruz, no Centro.

Leia todas as notícias da operação

O advogado da InDeal, Julião Ludwig, afirmou que a empresa não vai se manifestar oficialmente e que aguarda mais informações a respeito da investigação da Polícia Federal. Ele lembra que já houve, há cerca de seis meses, uma operação, por parte da Polícia civil, que não teria apontado irregularidades nos negócios da empresa.

  • PF cumpre mandados na sede da empresa que fica na Rua Silveira Martins, no Centro
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Dinheiro em espécie foi apreendido em endereço ligado à empresa investigada
    Foto: Polícia Federal/ Divulgação
  • Carros de luxo foram apreendidos durante operação da PF
    Foto: Polícia Federal/ Divulgação
  • Polícia Federal cumpriu mandados em Novo Hamburgo
    Foto: Polícia Federal/ Divulgação

Inquérito aberto em janeiro

O inquérito policial foi instaurado em janeiro de 2019 para apurar a atuação da empresa com sede em Novo Hamburgo que estaria captando recursos de terceiros, sem a autorização dos órgãos competentes, para investimento no mercado de criptomoedas. A empresa assumia o compromisso de retorno de 15%, ao menos, no primeiro mês de aplicação.

Conforme levantamentos da Receita Federal, uma das contas da empresa teria recebido créditos de mais de R$ 700 milhões entre agosto de 2018 e fevereiro de 2019. Os sócios da instituição financeira clandestina apresentaram evolução patrimonial de grande vulto, que, em alguns casos, passou de menos de 100 mil reais para dezenas de milhões de reais em cerca de um ano.

Além dos crimes de operação de instituição financeira sem autorização legal, gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o inquérito apura o envolvimento de pessoas que teriam tentado obter informações sigilosas da investigação e que foram identificadas.

A operação foi denominada Egypto pela similaridade dessa palavra com o termo “cripto” e pelo fato de que o negócio da empresa foi classificado por terceiros como de “pirâmide financeira”. 


Reportagem do Jornal NH 

Em fevereiro, reportagem exclusiva do Jornal NH já alertava sobre a operação com criptomoedas. Na ocasião, o texto mostrava que, desde meados do ano passado, investidores dos mais diferentes níveis e recursos procuravam corretoras especializadas neste negócio, para investimentos que variam de R$ 1 mil a R$ 100 mil e promessa, no caso de uma empresa local, hoje alvo da PF, de ganhos mensais de até 15%.

O movimento era tanto, que o Tabelionato Fischer, um dos locais onde contratos celebrados pela InDeal vinham sendo autenticados, precisou de um funcionário extra só para tratar destes casos. O Tabelionato Barreto também presta o serviço e, conforme uma funcionária, a mesma InDeal têm demanda "bastante grande" de reconhecimentos. O assunto causa polêmica e preocupação em investidores, além de despertar a desconfiança em especialistas.

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