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A história por trás da InDeal: saiba quem são os sócios da empresa que movimentou R$ 1 bi

Polícia Federal prendeu donos e outras cinco pessoas ligadas à instituição que prometia lucros com criptomoedas

Última atualização: 27.05.2019 às 14:57

Débora Ertel; João Ávila; Silvio Milani

Uma empresa de Novo Hamburgo que aumentou o capital social de R$ 25 mil para R$ 100 milhões no ano passado, por meio de negócios à margem do mercado de capitais, foi desbaratada, nesta terça-feira (21), pela Polícia e Receita Federal. Os cinco sócios e outras cinco pessoas ligadas à InDeal foram presos preventivamente pela Operação Egypto. A investigação sugere a prática ilegal de pirâmide financeira.

Como uma espécie de banco clandestino, a empresa captou, em um ano, aproximadamente R$ 1 bilhão. O dinheiro e os bens apreendidos foram bloqueados pela Justiça. A evolução patrimonial dos acusados, que passaram da vida simples ao luxo, também despertou a atenção dos investigadores.

Foram empregados 130 policiais federais, 20 servidores da Receita Federal e seis policiais civis para o cumprimento dos dez mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão - 13 em Novo Hamburgo, três em Porto Alegre, dois em Estância Velha e um Campo Bom, um em Esteio, além de um em Florianópolis e um em Laguna, em Santa Catarina, e três na capital paulista. Foram ainda expedidas ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias em nome de pessoas físicas e jurídicas, de dezenas de imóveis e a apreensão de veículos de luxo.

Os nomes dos presos não foram revelados pela PF, mas a reportagem apurou quem são os cinco donos da InDeal capturados. Única mulher do quadro societário, Tássia Fernanda da Paz, 33 anos, foi acordada por agentes às 7 horas em um condomínio de luxo, em Novo Hamburgo, um dos mais luxuosos da região. Recebeu o mandado de prisão com aparente tranquilidade e chamou a babá da filha. Porém, ao entrar no xadrez da viatura da PF, desabou a chorar. Até o início do ano, ela morava numa casa simples no bairro Canudos.

Em outro residencial de alto padrão, no bairro Encosta do Sol, Estância Velha, a captura foi de Francisco Daniel Lima de Freitas, 45. Apontada como colaboradora do esquema, a esposa dele foi junto. O terceiro sócio, Ângelo Ventura da Silva, 38, teria sido pego em sítio no bairro Lomba Grande, e o quarto, Regis Lippert Fernandes, 48, em Florianópolis. Por fim, Marcos Antônio Fagundes, 45, teria sido encontrado em Novo Hamburgo, em bairro não confirmado.

ADVOGADA

Além da mulher de Francisco, os cinco presos que não são sócios seriam esposas e colaboradores mais próximos, como captadores de clientes. Entre os mandados de busca e apreensão, os agentes foram à casa de uma advogada de Novo Hamburgo, que não foi presa, mas teve documentos apreendidos por ser suspeita de fazer parte do esquema.

A reportagem também apurou o salto no padrão de vida dos sócios, que levavam vida modesta antes de a InDeal deslanchar, e subitamente passaram a adquirir imóveis, carros e joias caras, além de ostentar novos hábitos, como viagens a paraísos turísticos no exterior. O advogado da InDeal, Julião Ludwig, afirmou que a empresa não vai se manifestar oficialmente e que aguarda mais informações da investigação da PF.

Salto Capital InDeal

Clientes terão de esperar a Justiça

Os milhares de clientes da InDeal terão um longo caminho judicial para tentar reaver o dinheiro investido. Possivelmente terão de ir à PF e detalhar o montante aplicado, sem esquecer da origem dos valores. Assim, figurarão como vítimas no processo judicial e poderão, ao fim da ação, serem reembolsados. Por outro lado, ainda está em aberto no inquérito a possibilidade de investidores se tornarem investigados e até réus, como facilitadores do esquema. Conforme a PF, o R$ 1 bilhão bloqueado já não era suficiente para pagar os investidores. Ou seja, a pirâmide estava no caminho da ruína, como já aconteceu com várias outras no País. Há ainda os bens apreendidos, que devem ser somados ao montante indenizatório.

Veja no infográfico como era a abordagem da InDeal

Operação Egypto
Infogram
Jornal NH revelou esquema de lucro fácil em fevereiro

Em uma reportagem especial publicada em 15 de fevereiro deste ano, o Jornal NH revelou o esquema operado pela InDeal Consultoria em Mercado Financeiro, que acabou culminando na operação da Polícia Federal, realizada ontem. O procurador da República Celso Tres, que atua no Ministério Público Federal, em Novo Hamburgo, chegou a reconhecer que a reportagem fomentou a investigação sobre as suspeitas que já rondavam a operação financeira.

Naquela mesma semana, no dia 21 de fevereiro, após a publicação da reportagem A polêmica febre das criptomoedas na região, e de uma segunda matéria, no dia 16, que se centrou na investigação do MPF, Tres reconheceu que o Jornal NH havia "furado" a Procuradoria e a Receita Federal. O procurador utilizou um jargão do meio jornalístico para dizer que a publicação se antecipou ao assunto que estava nas mãos da investigação.

A declaração foi dada durante o programa Ponto e Contraponto, da Rádio ABC. "O NH furou a própria Procuradoria e a Receita, nós mantínhamos isso com certa reserva, para ir apurando, e o NH furou. A partir daí confirmamos (as suspeitas)", disse Tres, durante o programa que repercutia o tema da reportagem. Na mesma fala, o procurador acrescenta que a investigação teve andamento "no sentido de alertar novas vítimas".

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