Publicidade
Acompanhe:
NH Hoje
Notícias | Região Esquema caiu

InDeal só passou a investir em criptomoeda após reportagem do Jornal NH, afirma Receita

Empresa é investigada por diversos crimes, entre eles, fraude fiscal

Última atualização: 23.05.2019 às 03:00

Débora Ertel; Felipe Nabinger; Silvio MIlani

Foto por: Inézio Machado/ GES
Descrição da foto: ESCRITÓRIO: portas fechadas em prédio na David Canabarro
Foi somente a partir da reportagem do Jornal NH, publicada em 15 de fevereiro, sobre o esquema operado pela InDeal Consultoria, que a empresa com sede em Novo Hamburgo passou a comprar criptomoedas. A informação foi divulgada pela Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo, que analisou todos os extratos bancários da InDeal durante o período de um ano, de fevereiro de 2018 a fevereiro de 2019.

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: Eduardo Godoy
Neste período, a empresa movimentou R$ 850 milhões e teve 55 mil investidores de todo o Brasil, situação que veio à tona na terça-feira, na Operação Egypto, desencadeada pela Polícia Federal e Receita Federal. Na tarde de ontem, uma equipe do Fisco concedeu entrevista e revelou que, somente depois do assunto virar notícia na região por meio da matéria exclusiva do Jornal NH, os sócios passaram a investir no mercado financeiro digital. "A InDeal só começou a comprar criptomoedas depois da matéria do jornal. Até então, não havia essa movimentação nos extratos da empresa", informa o delegado adjunto Eduardo Godoy, acompanhado da delegada Lilian Trapp e os auditores fiscais Héverton Caberlon e Armando da Silva Neto. A informação reforça que a empresa de fato vinha iludindo seus clientes.

Segundo a Receita, a reportagem teve reflexos diretos na movimentação financeira da InDeal, pois muitos investidores passaram a solicitar o resgate de valores após a publicação. "Aumentou o volume de saques e eles tiveram o primeiro problema de solvência", explica Godoy. Tanto que, naquele mês, a InDeal estendeu o prazo para retiradas, até então de cinco dias, e prorrogou para até 30 dias. Além disso, para manter a engrenagem funcionando, a empresa passou a incentivar que cada investidor trouxesse mais uma pessoa para o negócio.

Defesa

Na avaliação dos auditores, é intrigante a quantidade de pessoas que defendem a proposta vendida pela InDeal, declarando, principalmente, pelas redes sociais, que a Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público estão errados. "Nós trabalhamos para o bem da sociedade, para diminuir, o máximo possível, o tamanho do prejuízo que os investidores terão", salienta Caberlon.

Já Silva Neto destaca que o bloqueio de bens não é prejudicial aos investidores, mas uma proteção para que o dinheiro não seja escondido ou retirado do Brasil.

Valores devem passar de R$ 1 bilhão

A Receita apreendeu na terça-feira, em Porto Alegre, por meio de autorização judicial, o banco de dados da InDeal, ou seja, a plataforma onde eram realizadas todas as operações da empresa. Todas as informações, que vão desde os dados de todos os investidores, consultores, sócios, extratos emitidos e e-mails enviados, devem passar por um raio X do Fisco. A análise deve ser concluída em um mês. “A nossa expectativa é que o valor movimentado ultrapasse R$ 1 bilhão, e o rombo seja muito superior a R$ 300 milhões, como estimamos inicialmente”, explica Héverton Caberlon. Na avaliação do auditor, o funcionamento da InDeal é de uma ciranda financeira, onde o primeiro da fila era o favorecido, enquanto o último precisava esperar a sua vez.

Receita ainda busca bens de terceiros

Esta é a fraude com maior repercussão já investigada pela Delegacia da Receita em Novo Hamburgo devido à quantidade de pessoas envolvidas, 55 mil. A delegada Lilian Trapp estima que haja trabalho para os próximos meses. Os auditores ainda realizam diligências de fiscalização e termos de recuperação, principalmente de imóveis negociados pelos sócios, mas que ainda estão em nome de terceiros.

1ª DP de Novo Hamburgo deu suporte à investigação

Foto por: Silvio Milani/GES-Especial
Descrição da foto: Delegado Tarcísio Kaltbach
Após a primeira matéria do Jornal NH sobre a InDeal, em fevereiro, o Ministério Público requisitou investigação à 1.ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, que apurou fortes indícios de fraude. Eles se tornaram a base do inquérito da Polícia Federal, assim como documentos obtidos pela reportagem.

A investigação passou para a PF quando o MP se deu conta da complexidade do caso e pediu para o delegado da 1.ª DP, Tarcísio Kaltbach, conversar com a Procuradoria da República, que ficou surpresa com a quantidade de descobertas sobre o esquema. A conclusão foi de que se tratava de crime federal. O inquérito da 1.ª DP foi baixado e todo conteúdo passou para a PF, que pediu para a delegacia hamburguense permanecer no caso como um braço operacional na reunião metropolitana.

Na manhã de terça, quando deflagrada a Operação Egypto, Tarcísio ficou na base da PF, em Porto Alegre, e os seis agentes da 1.ª DP ajudaram no cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão. "Minha equipe fez sua parte com eficiência e empenho, que nos deixam recompensados pelo resultado, em parceria com a PF, pois era necessário parar logo essas operações ilegais e evitar prejuízos maiores a milhares de vítimas", declara Tarcísio.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.