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Preso da InDeal periciou urnas eletrônicas para partido de Bolsonaro

Especialista em segurança da informação questionou transparência da Justiça Eleitoral no ano passado

Por Silvio Milani
Última atualização: 29.05.2019 às 08:14

Foto por: Reprodução
Descrição da foto: Paulo Fagundes
Um dos dez presos da empresa InDeal, o engenheiro porto-alegrense Paulo Henrique Godoi Fagundes, 51 anos, é o perito indicado em outubro do ano passado pelo PSL, partido do então candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro, para inspecionar urnas eletrônicas. Especialista em segurança da informação, Fagundes criticou os meios de fiscalização disponibilizados pela Justiça Eleitoral. Segundo ele, sem ter acesso ao código-fonte, não era possível verificar o que era gerado dentro da urna.

A auditoria foi feita em Curitiba, no Paraná, antes do segundo turno que seria vencido por Bolsonaro. Escolhido pela cúpula da campanha, o perito não apontou indício de fraude, mas ressalvou a falta de transparência para examinar os equipamentos. O laudo assinado por Fagundes alimentou a desconfiança no sistema. O Tribunal Superior Eleitoral não concordou com os argumentos e afirmou que as urnas são seguras.


AUTORIDADE

Fagundes é visto até no meio acadêmico como autoridade em meios digitais. Era um dos palestrantes anunciados para o Fórum Regional de Contabilidade na Universidade de Caxias do Sul, no último dia 22. Ele abordaria o tema Blockchain e Criptomoedas. Um dia antes, porém, uma pessoa ligada ao engenheiro telefonou para a UCS e informou que ele não poderia comparecer. Ela não disse o motivo. Fagundes já estava no presídio. Assim como os outros nove indiciados da InDeal, foi acordado por policiais federais em casa, às 7 horas do dia 21, e informado sobre o mandado de prisão.

Auditoria foi destacada em redes sociais

Paulo Fagundes usou redes sociais para divulgar sua participação na inspeção das urnas eletrônicas em 19 de outubro do ano passado. No Linkedin, por exemplo, ele registrou a atuação como auditor, mas não mencionou que era na condição de representante do PSL, partido de Bolsonaro.


Juiz cita nova casa do engenheiro

Foto por: Silvio Milani / GES Especial
Descrição da foto: Paulo Fagundes morou em modesto apartamento durante 20 anos, até março
Ao decretar a prisão preventiva de Paulo Fagundes, o juiz Guilherme Beltrami, da 7ª Vara Federal de Porto Alegre, citou a nova casa do investigado. O apartamento de R$ 1,4 milhão, que teria sido pago integralmente pela InDeal, fica no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, a duas quadras do modesto prédio onde ele morou por 20 anos.

A mudança foi feita em março. “Ele morava com a esposa aqui. É gente boa. Sabemos que foi para um apartamento novo na Rua Sinimbu”, declarou, à reportagem do Jornal NH, uma ex-vizinha da Avenida Pirapó.

Patrimônio foi de R$ 88 mil para R$ 1,5 milhão

O juiz frisou ainda o significativo incremento patrimonial de Paulo Fagundes, que passou de R$ 88 mil em 2017 para R$ 1,532 milhão em 2018. Além disso, conforme Beltrami, o investigado não declarou a compra, em outubro do ano passado, de um Mercedes-Benz GLA200, no valor de R$ 163,9 mil, registrado em nome da companheira. O magistrado ainda citou um automóvel BMW X1 Active, como propriedade da empresa de consultoria do engenheiro.
Fagundes é apontado como consultor da InDeal, empresa de Novo Hamburgo investigada como pirâmide financeira que captou R$ 1 bilhão de investidores com a promessa de rendimentos de 15% ao mês.

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