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Notícias | Região Exclusivo

Até da Justiça Federal vazaram informações sigilosas para sócios da Indeal

Favorecidos com informações privilegiadas, sócios da empresa teriam conseguido ocultar R$ 600 milhões antes de serem presos

Por Silvio Milani
Última atualização: 04.10.2019 às 21:45

INVESTIGAÇÃO: Operação Egypto foi deflagrada na manhã de 21 de maio Foto: FOTOS Polícia Federal
A InDeal arrecadou aproximadamente R$ 1,3 bilhão com investidores, iludidos pela promessa de rendimentos de 15% ao mês, mas a Operação Egypto da Polícia Federal só conseguiu sequestrar R$ 700 milhões em bens e dinheiro da empresa sediada em Novo Hamburgo. Pelos menos R$ 600 milhões foram ocultados. A cúpula da firma vinha recebendo informações privilegiadas até do Judiciário. Policiais em cargos de chefia e um gerente de banco, conforme revelado pelo Jornal NH em maio, são suspeitos de vazar dados aos investigados.

Antes de serem presos, os cinco sócios e os cinco colaboradores mais próximos da InDeal já tinham em mãos parte do inquérito sigiloso da PF. Com pelo menos dois deles, em Novo Hamburgo e Estância Velha, os agentes apreenderam documentos privativos da investigação, na manhã de 21 de maio, quando foram cumpridos os mandados de prisão e de busca e apreensão. Os suspeitos teriam sido orientados a não se esconder. A única fuga seria do patrimônio que ainda não estava no nome deles. Em menos de três meses, todos já estavam soltos. Respondem em liberdade, sem necessidade de uso de tornozeleira, ao processo de crimes financeiros.

Precauções falharam

Recolhidos na operação: Land Rover e Nissan Foto: Polícia Federal
Para evitar vazamentos, os coordenadores da operação fizeram as providências sigilosas e mandados tramitarem em vara federal de outro Estado, que seria o Paraná. É de onde teria escorrido parte dos documentos aos investigados.

Investigado, coronel da Brigada nega envolvimento

Diretor do Departamento de Comando e Controle Integrado (DCCI) da Secretaria da Segurança Pública, o coronel da Brigada Militar Régis Rocha da Rosa é investigado por passar informações sigilosas da investigação à InDeal. Em fevereiro, quando ainda não havia mandados expedidos, ele teria consulado a situação dos sócios e avisado que estavam fora de risco de prisões. Na época, o coronel teria recebido R$ 10 mil em créditos na empresa, que seriam investimentos em criptomoedas. “Não vou prestar declarações agora, mas não cometi nenhuma irregularidade, posso adiantar”, declarou nesta sexta o oficial, que atuou durante vários anos no Vale do Sinos.

Advogada hamburguense é pivô de vazamentos

Régis teria sido procurado pela advogada da InDeal Veridiana Fumegalli Paiva, pivô de outros vazamentos. Foi ela quem recebeu, durante as investigações, a informação do gerente do então gerente de unidade do Bradesco em Novo Hamburgo, Alex Sandro Plamer do Amaral, que estava decretada a quebra de sigilo bancário da InDeal. Veridiana, arrolada como testemunha no processo, não quer se manifestar. No ano passado, ela foi procuradora-geral da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. Amaral, denunciado por violação de sigilo, não foi localizado. A advogada também teria relatado, em depoimento à PF, que dois policiais civis teriam praticado extorsão contra a InDeal. Seriam um delegado e um escrivão.


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