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O difícil recomeço das famílias perderam a moradia para as chamas

Vítimas contam com a solidariedade para retomar suas vidas Reportagem: Susi Mello

Um incêndio não destrói somente as paredes de uma casa, mas abala o psicológico de quem viu tudo o que construiu ser destruído em poucos minutos pelas chamas. É o que aconteceu com a idosa Marina Celeste dos Santos, 75 anos, que não consegue controlar as lágrimas quando fica frente a frente com o que restou de sua casa de três quartos, sala, cozinha e banheiro, localizada na Avenida Alcântara, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo.

A casa foi destruída pelas chamas na manhã do dia 29 de setembro. Era um domingo. A idosa vivia no local há 11 anos.

Com ela, moravam o filho Vagner Cristiano dos Santos, a neta, a auxiliar de cozinha Fabiane Oliveira dos Santos, 27, e seus quatro bisnetos, filhos de Fabiane, um de 10, outro de oito e seis e mais um de cinco anos.

"Estávamos no pátio quando o fogo começou", lembra Fabiane, enquanto é observada pela vó, que ficou emocionada na segunda-feira, ao retornar no terreno e ver as paredes ainda em pé, mas comprometidas pelas chamas. No interior, móveis, eletrodomésticos e roupas, tudo queimado. Marina, viúva, não consegue emitir nada. Apenas enxugou as lágrimas, que teimam em correr no rosto, com o casaquinho que vestia.

Causas de incêndios

Segundo o sargento Michel Mastrantonio, as principais causas de incêndios em residências são redes de energia instaladas incorretamente e que provocam curtos circuitos, descuidos com velas acesas, lareiras ou fogões próximos de paredes de madeira e fiações de eletrodomésticos.

Quatro pedidos de aluguel social e materiais

É o número de casos de casas atingidas por incêndios avaliados pela Diretoria de Habitação com pedidos de materiais de construção e aluguel social

Bombeiros entregam documento

O sargento do Corpo de Bombeiros de Novo Hamburgo, Michel Mastrantonio, informa que a corporação entrega uma certidão de ocorrência. "Esse documento tem validade tanto para quem quiser acionar o seguro, quanto para quem precisa comprovar o incêndio para órgãos públicos", destaca. Essa certidão vai tornar verdadeiras as informações prestadas pelas pessoas.

Seis meses para voltar para casa

Quem teve a vida modificada também este ano foi a família de Juliana Oliveira de Souza, 33 anos. No dia 20 de agosto, a casa de sua mãe, com quem ela, seus quatro filhos e mais três irmãos viviam, foi tomada pelas chamas. Desde então a família mora em uma casa no mesmo bairro, cedida por um vizinho, mas no final de setembro receberam a resposta da Prefeitura que terão direito a aluguel social por seis meses, uma ajuda mensal de pouco mais de 400 reais. "Ainda não ganhamos o dinheiro, nos prometeram ainda neste mês. Vamos ficar nessa mesma casa, só que agora será alugada", conta.

Os sinais do incêndio ainda estão no terreno na Rua Vereador Carlos Emílio Kolling. Ela acredita que somente conseguirão reerguer a casa no final do ano. "Não temos dinheiro para pagar mão de obra e nem o IPTU do terreno, que está em atraso", conta Juliana, que é manicure desempregada, mas aceita fazer faxinas.

Ela conta que a solidariedade somou muito na sua vida. Eles ganharam duas casas, que poderão ser colocadas no terreno, além de móveis, roupas e calçados. "Tivemos apoio de muitas pessoas e isso é gratificante", comenta Juliana, que ainda viu a comunidade se mobilizar para fazer festa de aniversário de três de seus filhos.

Leis são a base para o auxílio

A Prefeitura pode ajudar famílias com casas atingidas por incêndios baseada em três leis: a que cria o banco de materiais; a que se refere ao aluguel social e a que institui o Bolsa Moradia.

Auxílio

Recomeçar tudo depois não é fácil. Moradores ficam sem saber o que fazer após ver as chamas consumindo paredes, telhados, forros, roupas, calçados, móveis e eletrodomésticos.

A família vive desde então em casa de familiares e já protocolou pedido de materiais de construção no dia 1º deste mês na Diretoria de Habitação do Município.

"Muitas pessoas ajudaram com roupas e rancho. Gente que nem esperava que ajudasse. Estamos agradecidos, mas precisamos voltar para nosso canto", comenta Fabiane, que disponibiliza seu telefone (51) 99318-9197 para quem quiser ajudar com materiais para reconstruir a casa.

Idoso precisa de casa nova

Problemas de saúde podem acarretar em uma série de episódios e complicações na vida de um ser humano. Um exemplo disso é a história de vida do secretário César Dias, 62 anos, que no ano de 2006 sofreu um infarto, o que o impossibilitou de continuar as atividades profissionais. Diagnosticado com hipertensão arterial severa, diabetes e encefalopatia (deterioração da função cerebral), o idoso vive hoje com auxílio do Bolsa Família, doações e a ajuda que recebe do irmão Alexandre. "Trabalhei a vida toda sem carteira assinada e agora estou na luta para conseguir ganhar um salário mínimo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)", desabafa.

Dias mora em uma casa que, segundo laudos da Defesa Civil, possui risco potencial de queda. "Entrei na fila para receber uma casa da Prefeitura, mas há muitas pessoas na minha frente. Não sei mais o que fazer. Tenho que tomar inúmeros remédios, muitos que não estão disponíveis pelo Município", lamenta.

Quem desejar fazer doações diretamente ao idoso, seja de materiais de construção, alimentos, produtos de higiene e limpeza, remédios ou gás, a residência fica na Rua Aquidaban, 292, no bairro Rio Branco, paralela a BR-116, em Novo Hamburgo.

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