Notícias | Região Fraude financeira

'Perdi 300 mil. Dinheiro de toda a família', diz investidor hamburguense sobre a Unick

Homem afirma que em julho começaram os estornos nos pagamentos e promessa de cancelamento por parte da empresa

Por Alecs Dall' Olmo
Última atualização: 17.10.2019 às 16:07

Polícia Federal cumpriu mandados contra a Unick, na sede da empresa, em São Leopoldo Foto: Diego da Rosa/GES
Além da Polícia Federal, na frente da Unick, no Centro de São Leopoldo, nesta quinta-feira (17), algumas pessoas que investiram na empresa acompanharam a ação. Entre elas um comerciante, de 42 anos, de Novo Hamburgo, que prefere não se identificar. “Fui convidado para conhecer a empresa. Pesquisei sobre a empresa. Estava tudo certo. A empresa vinha operando e pagando há quase dois anos todo mundo certinho. Entrei em março e investi 450 mil. Perdi 300 mil. Dinheiro de toda a família”, conta ele, explicando que nos primeiros meses teve retorno do investimento. "Recebi os rendimentos em abril, maio e junho. E em julho começaram os estornos nos pagamentos e promessa de cancelamento e até agora nada.”

Para ele, era um investimento de mercado. “E ao contrário do que estão falando, que é ganância, não é ganância. O negócio oferecia seguro de fiança com garantia real, com documentos, seguradora, falando que você podia resgatar a qualquer momento. O rendimento, para quem opera no mercado financeiro, é possível fazer. É possível fazer 100% em uma banca no mercado, 80 e 90% dentro do mês.”

Sobre a operação da PF, o comerciante espera que algo realmente seja feito. “Espero que as autoridades façam valer o que eles têm em mãos. Tem muitas pessoas envolvidas, tem um grande escritório de advocacia envolvido.” Ele conta que a última reunião presencial na empresa foi em 17 de setembro. “Encontrei o pessoal responsável da Unick pessoalmente. Na ocasião passei mal, fui socorrido de ambulância. Me disseram que o pagamento ia ser feito em 12 dias úteis para quem fez cancelamento. Não pagaram e a partir daí foram enrolando, enrolando.”

Investigação contra a Unick

O inquérito policial foi instaurado em janeiro deste ano e apurou que os clientes do grupo eram atraídos pela promessa de retorno na ordem de 100% sobre o valor investido, no prazo de seis meses. A captação de recursos estava estruturada em formato conhecido como de “pirâmide financeira”, em que os novos investidores subsidiam os pagamentos de remuneração daqueles que já aplicaram recursos há mais tempo.

A organização já havia sido notificada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para que se abstivesse de tais práticas não autorizadas, mas seguiu atuando e teve expedida uma ordem de parada de operações (stop order), que também foi ignorada. Ao longo da investigação se evidenciaram outras práticas criminosas como a aquisição de moedas virtuais para remeter ao exterior, em supostos atos de evasão de divisas, assim como crimes de lavagem de dinheiro, entre outros.

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