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Notícias | Região Prejuízos

Pior seca em sete anos afeta em até 80% lavouras da região

Plantações de milho e soja são as mais atingidas, o que acaba impactando na silagem e na produção leiteira

Por Juliana Nunes
Última atualização: 09.01.2020 às 09:13


Na propriedade do agricultor Valdinei da Silva Bernardes, em Lomba Grande, área rural de Novo Hamburgo, cerca de 80% da produção de milho, ainda na fase de enchimento do grão, foi perdida, e chuva já não adianta mais Foto: Juarez Machado/GES/Fotos Juarez Machado/GES

A mais severa estiagem dos últimos sete anos afeta produtores em todo o Estado, causando prejuízos também na região. Em Lomba Grande, a falta de chuvas se reflete, principalmente, nas plantações de grãos. Na propriedade do agricultor Valdinei da Silva Bernardes, 42, cerca de 80% da produção de milho, ainda na fase de enchimento do grão, foi perdida.

O mesmo acontece na área em que o produtor planta soja. Os pés, que deveriam ter cinco bases, têm apenas uma e os grãos estão secos. "Do jeito que está, mesmo que chova não vai reverter o estrago, já morreu", desabafa Bernardes, que ontem teve acompanhamento do coordenador da Emater em Novo Hamburgo, Carlos Roberto D'Ávila. "Começamos um levantamento nas plantações de milho e soja. Nessa cultura de grãos geralmente não se utiliza irrigação, o produtor depende exclusivamente da chuva. Mas mesmo quem utiliza esse sistema enfrenta problemas, pois os reservatórios estão baixos", explica D'ávila.

A Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) criou um grupo de trabalho para acompanhar os efeitos da estiagem. Ontem, o governador Eduardo Leite reuniu-se com o chefe da Defesa Civil, coronel Júlio César Rocha Lopes, para pedir que o Estado agilize a homologação dos decretos de emergência dos municípios atingidos de forma mais severa. Até o momento, nove cidades decretaram situação de emergência: Chuvisca, Camaquã e Cerro Grande do Sul (região Sul), Pantano Grande, Sinimbu e Venâncio Aires (Vale do Rio Pardo), Boqueirão do Leão (Vale do Taquari), Maquiné (litoral norte) e Mariana Pimentel (Centro-Sul). "Estamos analisando relatórios já recebidos e aguardamos a conclusão de outros dados para avaliarmos novas providências", afirma o governador. Uma nova reunião será realizada amanhã para projetar novas ações.

Falta de chuva afeta o desenvolvimento das espigas de milho Foto: Juarez Machado/GES

Nesta semana, a Secretaria da Agricultura solicitou à Emater um acompanhamento aprofundado da situação da safra do milho e da soja, que acabam impactando diretamente também na produção de carne e leite.

O agricultor de Lomba Grande Irineu Scheuer, 50, investe em gado leiteiro há cinco anos e é impactado pela falta de chuvas. "Nunca sofremos desta forma. O gado está emagrecendo, olhar para eles é de doer. Pode afetar inclusive a produção de leite no inverno. Uso silagem, mas em algum momento vai faltar, porque o milho está seco. E mesmo quando há silagem ela não é de boa qualidade. Está muito difícil", comenta Scheuer, que tem usado outras formas para alimentar o gado. "Como a produção é orgânica, não utilizo ração, acabo usando raiz do aipim, mandioca, batata-doce, mas mesmo assim não está sendo suficiente porque tudo é afetado", observa o produtor de Lomba Grande.

Outras cidades da região também enfrentam problemas. Em Campo Bom há perdas nas lavouras de milho e pastagens. "O milho para silagem apresenta perdas e nas lavouras semeadas 40% das sementes não germinaram em dezembro. As pastagens nativas também apresentam perdas significativas", conta o coordenador da Emater local, Claudinei Moisés Baldissera.

Nível do rio em São Leopoldo preocupa

Em São Leopoldo, o Rio dos Sinos segue abaixo da média. O nível do rio não tem passado de 1 metro, quando a média costuma ser entre 2 e 2,5 metros. Mas a prefeitura garante que o abastecimento de água não será afetado.

Baixos volumes

Este verão não deve ter influência de fenômenos como El Niño ou La Niña, e são esperadas chuvas abaixo da média. Segundo a meteorologista da MetSul, Estael Sias, há uma diminuição no acúmulo de chuva desde novembro do ano passado. "Em dezembro choveu apenas 20 milímetros na região metropolitana, quando o esperado era de 100 milímetros. E até o dia 20 de janeiro não há previsão de chuva expressiva", diz Estael.

E além do acumulado de chuva não ser significativo na região, há também uma espaçamento entre as pancadas. Nesta quinta-feira há a previsão de chuva, porém, ainda conforme a meteorologista, não será suficiente para reverter o quadro.

A onda de calor registrada em dezembro de 2019 também evidenciou os efeitos da estiagem no Estado. "Os sete dias dias da onda de calor acima dos 35 graus acentuou e acelerou os efeitos da estiagem e ressecamento do solo", destaca Estael.

Hoje a máxima chega aos 39 graus e são esperadas pancadas isoladas de chuva. Na sexta, há risco de temporais, mas o sol também deve aparecer e a máxima deve chegar aos 33 graus.

 

Ainda não há estimativa de valores

Ainda não há como mensurar o que a perda nas lavouras representa na questão econômica do Estado. "Ainda estamos trabalhando no levantamento das informações", diz o diretor técnico da Emater RS.

Situação não é generalizada

De acordo com o diretor técnico da Emater RS, Alencar Rugeri, o milho é a cultura que mais representa perdas no Estado, seguido do tabaco. "A única solução é o restabelecimento das chuvas. Estamos buscando informações no momento para pensar novas ações. Não é uma situação generalizada. Varia bastante de uma região para outra. Tem áreas em que o produtor chegou a perder 100% e outro não teve perda significativa. Depende da cultura e também do ciclo do plantio".

2,5 metros

era a média do rio ontem em Novo Hamburgo. "Está tranquilo para o verão", fala o coordenador da Defesa Civil em Novo Hamburgo, Claudiomiro da Fonseca.

 

Sem risco de desabastecimento de água

Novo Hamburgo não está em situação de risco de desabastecimento porque o nível do rio ainda não é crítico. É o que afirma a Comusa.

 

Irrigação nas hortaliças de Campo Bom

Em Campo Bom as hortaliças só não tiveram prejuízo significativo porque grande parte dos produtores utiliza irrigação nas lavouras.

 

20%

é a média que os produtores de grãos em Novo Hamburgo devem colher do que já plantaram. "Alguma coisa se aproveita para silagem, mas sem teor de proteína", comenta Carlos D'ávila.

Reservatórios

No total, 20 municípios receberam o empréstimo de 32 unidades de viniliq pipa (reservatório móvel de água). Os reservatórios móveis, com capacidade de 4,5 mil litros, são utilizados para o abastecimento de moradores de áreas rurais. O Estado informou que trabalha também na construção de microaçudes.

 


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