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Notícias | Região Pirâmide

Réu da Unick negocia delação premiada com MPF

Acusado de fraudes financeiras estaria disposto a revelar "gente grande" envolvida e paradeiro de bilhões desviados por chefes da pirâmide

Por Silvio Milani
Última atualização: 27.01.2020 às 07:39

Operação Lamanai foi deflagrada no dia 17 de outubro com dez mandados de prisão Foto: Polícia Federal

O processo criminal que apura uma das maiores pirâmides financeiras do País, com R$ 28 bilhões arrecadados em dois anos, tem só cerca de R$ 250 milhões apreendidos em bens e moedas virtuais. 

Uma negociação de delação premiada, entre o Ministério Público Federal e um dos 15 réus, pode aumentar o número de denunciados e revelar o mapa do dinheiro desaparecido da Unick Sociedade de Investimentos.

Nos bastidores da investigação, é falado que o homem também estaria disposto a entregar "gente grande" envolvida no esquema.

O possível delator e seus advogados discutem com o MPF os benefícios que receberia por informações preciosas do núcleo de comando da organização. O nome está sob rigoroso sigilo, mas o caráter aprofundado das revelações denotam que se trata de pessoa influente na Unick.

Com a ruína da pirâmide a partir de junho, quando a empresa parou de pagar clientes, e a queda definitiva em 17 de outubro com a deflagração da Operação Lamanai da Polícia Federal, que prendeu dez da direção e os principais laranjas, alguns acusados começaram a tentar se dissociar da Unick.

Status

A defesa do diretor de Marketing, Danter Navar da Silva, por exemplo, alega que ele era apenas um prestador de serviço e que não cometeu crime.

Sustenta ainda que o status atribuído ao cliente se basearia exclusivamente em notícias juntadas ao processo, como revelações do Jornal NH sobre a atuação dele no negócio.

Os advogados argumentam ainda que a eventual proximidade de Danter com o presidente da empresa, Leidimar Bernardo Lopes, não permite concluir a interação com questões institucionais, ocultação de documentos ou evasão de valores.

Novas provas vão cercando o esquema

Apesar de haver processo em fase de instrução na 7ª Vara Federal de Porto Alegre, a PF segue com as investigações e estaria dando apoio ao MPF na negociação pela delação premiada. Na semana passada, o Jornal NH revelou escutas que mostram a intenção de Leidimar de não pagar clientes. Enquanto isso, milhares de lesados no Brasil e exterior se unem em redes sociais para pedir ressarcimento, mas os valores apreendidos estão longe de cobrir os prejuízos deixados pela pirâmide criada em Novo Hamburgo.

Defesa do diretor de Marketing é contestada

A tese da defesa de Danter, recolhido há mais de três meses na Penitenciária Modulada de Montenegro, foi para pedir habeas corpus. Em resposta, o MPF frisou que ele era figura destacada no esquema, tanto na organização quanto na captação de investidores, e que já é réu de outra pirâmide, a D9 Trader, fechada pela Polícia Civil em 2017 em Sapiranga. Danter é um dos quatro ainda presos que, depois de vários pedidos de liberdade negados, poderia estar inclinado a colaborar com as investigações.


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