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Notícias | Região Golpe da pirâmide

Presidente da Unick diz que está sem dinheiro para advogado e ganha defensor público

Só aumenta mistério sobre paradeiro do dinheiro da empresa de Novo Hamburgo, que arrecadou R$ 28 bilhões e lesou milhares de clientes no Brasil e exterior

Por Silvio Milani
Última atualização: 18.05.2020 às 20:20

Unick Foto: Reprodução
Só aumenta o mistério em torno do paradeiro dos R$ 28 bilhões arrecadados em dois anos pela Unick Sociedade de Investimentos, acusada de lesar milhares de clientes no Brasil e exterior. Agora o presidente da empresa criada em Novo Hamburgo, Leidimar Bernardo Lopes, 39 anos, diz que não tem dinheiro para pagar advogado. Ele ganhará um defensor público. Enquanto isso, a Polícia Federal segue apurando possível ocultação de fortunas da Unick em paraísos fiscais na América Central e Europa.

A juíza da 7ª Vara Federal de Porto Alegre, Karine da Silva Cordeiro, intimou Leidimar, no último dia 5, a apresentar nova defesa porque os advogados dele renunciaram. O motivo da desistência da banca não é informado. Na semana passada, o réu respondeu. "Entrou em contato com a Secretaria, tendo informado que, atualmente, não dispõe de recursos para constituir defensor", despachou a magistrada. Karine determinou, na última quinta, que a Defensoria Pública da União passe a trabalhar para o presidente da Unick. É decisão automática na justiça criminal, pelo princípio de que o réu não pode ficar sem defesa.

Núcleo de comando

Leidimar e Danter ficaram sem advogados, que renunciaram por motivos desconhecidos Foto: Reprodução
Outros três dos 15 réus estão na mesma situação. Também renunciaram os advogados do diretor de Marketing, Danter Navar da Silva, 24, de Marcos da Silva Kronhardt, 49, e de Ana Carolina Lopes, 22, filha de Leidimar. Até o fim da tarde desta segunda-feira, eles não tinham se manifestado sobre a intimação da juíza para constituição de nova defesa. Danter e Marcos saíram da cadeia para prisão domiciliar no fim de março. Leidimar foi o último réu solto, no dia 2 de abril, com monitoramento eletrônico em casa, em Caxias do Sul. A filha dele não chegou a ser presa pela Operação Lamanai da PF, que capturou dez do chamado "núcleo de comando" da Unick na manhã de 17 de outubro do ano passado.

R$ 155 milhões foram para cooperativa, segundo MPF

O Ministério Público Federal aponta que diretores da Unick, investigada como uma das maiores pirâmides financeiras já erguidas no Brasil, aplicou R$ 155 milhões em uma cooperativa gaúcha. Para o advogado da Associação em Defesa dos Direitos dos Investidores da Unick, Demetrius Teixeira, a revelação demonstra que a empresa não tinha intenção de pagar os clientes. "Esse fato evidencia que os diretores da Unick Forex tinham o único interesse de se locupletar. Eles se apropriaram daqueles valores e começaram a abrir novos negócios e colocar esse dinheiro nestes novos negócios para maximizar os seus ganhos e os seus próprios rendimentos", comenta Teixeira. Outros R$ 250 milhões foram bloqueados pela PF, em bens e moedas virtuais.

'Não sei como vou pagar minhas contas', diz cliente

Atraídos pela promessa de rendimentos de até 3% ao dia, os clientes da Unick não eram pagos desde junho do ano passado. Para o morador de Novo Hamburgo Alcindo Herpich, 50, os cerca de R$ 6,5 mil investidos estão fazendo falta para as necessidades básicas. "O coronavírus me atingiu diretamente, pois os trabalhos que fazia em restaurantes foram cortados e fui demitido de uma empresa de cosméticos que tinha começado em fevereiro. Não sei como vou pagar as minhas contas."


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