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Notícias | Região Onde a fauna encontra refúgio para se recuperar

Minizoo de Canoas abriga cerca de 250 animais e recebe, diariamente, diversas espécies

Fundado em 2005, um dos destaques do local são os filhotes de gambás, que a partir desta época são presença certa no zoo

Por Bruna Aquino
Publicado em: 16.09.2020 às 08:04 Última atualização: 16.09.2020 às 10:51

Com 15 anos de luta pela preservação e tratamento de diversas espécies da fauna brasileira, o Minizoo - ou Zoológico Municipal de Canoas - se destaca pelo trabalho de recuperar esses animais para, sempre que possível, devolvê-los em condições de viver onde devem: em meio à natureza. Somente neste ano - até 31 de agosto, o local recebeu 240 bichos (entre resgates e aqueles levados pela comunidade) e cerca de 85 conseguiram retornar ao habitat de origem. Hoje, vivem lá cerca de 250 animais, entre expostos e os que recebem cuidados.

E se tem um local que não teve suas atividades afetadas pela pandemia, é este. Diariamente chegam animais para serem tratados pela equipe do zoo. Dentre os 23 mais recentes estão uma coruja Suindara e as fofuras dos filhotes de gambás. Por sinal, esta é a espécie que os profissionais mais obtém êxito em devolver à natureza e também são o "xodó" da bióloga Patrícia Martins Valentim, que atua no Minizoo deste os tempos de estágio, em 2004. Oito desses filhotinhos chegaram ontem.

Em agosto, foram quatro e, no início do mês, seis (cinco machos e uma fêmea) foram resgatados por uma senhora em Cachoeirinha, que prontamente trouxe os pequenos para o zoo. "Ela encontrou um gambá morto na rua e o filho dela foi olhar e viu os filhotes junto. Dos seis, três morreram no primeiro dia porque já chegaram muito debilitados. Ficaram três machos, que hoje estão em bom estado de saúde." Hoje, pesam em torno de 30 gramas.

Muita gente não sabe, mas os gambás são marsupiais. "Os gambás nascem neonatos e vão para a bolsa, e continuam lá se desenvolvendo. Esses que a gente recebeu no início do mês já estavam começando a criar pelinhos", comenta. "A gente sempre fala que, nesta época, se a pessoa vir um gambá morto, é importante olhar dentro da bolsa", ressalta Patrícia, alertando para a importância deste cuidado. Quando nascem, são apenas embriões com cerca de 1 centímetro.

O mais comum é esses animais serem levados pela comunidade até o Minizoo. "Ou as pessoas encontram os animais no pátio de suas casas, ou encontram na rua", afirma. Quando os gambás entram nas casas, Patrícia explica que, infelizmente, é muito comum que sejam mordidos por cachorros. "Na procura de alimentos, as fêmeas que carregam filhotes na bolsa começam a aparecer nas casas. Como elas estão mais lentas, acabam entrando em conflito com os cães e, muitas vezes, morrendo para proteger esses filhotes".

Calor antecipou chegada dos filhotes

"Normalmente começamos a observar o recebimento de filhotes a partir da metade de setembro, mas neste ano recebemos já em 28 de agosto. A chegada dos filhotes foi antecipada pelos picos de calor", comenta Patrícia. A época em que chegam mais filhotes de gambá é justamente esta e, segundo ela, o período de recebimento deles prossegue até janeiro e fevereiro. Em 2019, o Minizoo recebeu 112 gambazinhos. Destes, 89 já conseguiram retornar à natureza. "Quando começam a ter dentinhos, a gente interfere o menos possível na natureza. Eles precisam saber se defender."

Perigos como o fio de nylon

Coruja Suindara foi encontrada machucada Foto: PAULO PIRES
O Minizoo recebeu na última quinta-feira um de seus hóspedes mais recentes: uma coruja Suindara (Tyto furcata), também conhecida como Coruja-das-torres ou Coruja-de-igreja. O animal foi levado ao local por um munícipe do bairro Mathias Velho após ter sido resgatado por bombeiros, que a encontraram presa por fios de nylon à rede elétrica.

Debilitada ao chegar ao zoológico, a coruja estava muito estressada e com um nível leve de desidratação, mas não foram constatadas fraturas ou traumas físicos graves, de acordo com a bióloga e educadora ambiental Renata Gautier. "Hoje ela se encontra em recuperação, recebendo todos os cuidados necessários, foi transferida para um recinto no qual pode treinar a capacidade de voo e está sendo alimentada de acordo com as suas necessidades", afirma.

A Suindara é uma espécie muito comum no Brasil, segundo Renata, e bastante conhecida por nidificar em torres de igrejas e locais habitados. "Possui dois discos faciais bem destacados, em forma semelhante a um coração, que ajuda a levar o som até a entrada dos ouvidos externos. Essa é uma estrutura única, separando-a das demais corujas", explica. Esse tipo de animal está presente em todas as regiões brasileiras e do mundo, com exceção da Antártica. "Além de ser belíssima, faz um significativo controle de roedores em nossa cidade", acrescenta a bióloga.

Resgates e retorno à natureza

Diariamente chegam animais ao Minizoo, seja por resgate dos próprios profissionais após ligações da comunidade ou levados por munícipes. Fora os gambás e as andorinhas (a partir de outubro), os mais comuns são filhotes de pombinha, sabiá, bem-te-vi, tartaruga-tigre-d'água. "Temos recebido também ouriço cacheiro", comenta Patrícia.

Segundo ela, esses animais geralmente chegam bastante debilitados. "Como são filhotes, eles perdem muita caloria, geralmente caem do ninho e, por isso, acabam vindo quase sempre bem debilitados." A bióloga destaca ser fundamental que a pessoa preste atenção para ver se o animal não está acompanhado dos pais: "É bacana esse trabalho que a população faz de nos trazer, mas a gente sempre orienta que o melhor local para o animal é sempre na natureza. É importante que as pessoas identifiquem se os pais estão na volta, observar se estão alimentando o filhote, se o ninho é próximo. Se for, colocar de volta no ninho. A gente tenta fazer o possível e o impossível aqui, mas realmente não é a mesma coisa". Cerca de 30% dos animais retorna para a natureza.


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