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Notícias | Região Solidariedade

Das lágrimas da perda de Belinha à construção de um espaço para todos

Jackson, que viu sua cachorrinha ser morta em ato criminoso no Dia das Crianças em Sapucaia,transforma a dor em projeto para erguer uma pracinha pública com o nome da amiga

Por Priscila Carvalho*
Publicado em: 17.10.2020 às 07:00 Última atualização: 17.10.2020 às 08:56

No espaço, Jackson enterrou Belinha e colocou uma cruz Foto: Diego da Rosa/;GES/Diego da Rosa/GES
A dor do luto pela perda da companheirinha de anos se transformou em motivação para homenageá-la e, ao mesmo tempo, fazer algo pela sua comunidade. Na segunda-feira, Dia das Crianças, Jackson Delavechia, 13 anos, foi a um minimercado, localizado na Avenida Juventino Machado, no Loteamento Nascer do Sol, bairro Boa Vista, em Sapucaia do Sul, para fazer compras. Sua parceira de todas as horas, Belinha, uma cachorrinha de 8 anos de idade e pelo caramelo, foi junto. Mas, segundo depoimentos, o dono do estabelecimento não gostou de ver a cadelinha no local e atirou nela, usando uma arma de chumbinho. Jackson ainda tentou socorrer Belinha, que não resistiu e morreu. O responsável foi preso e o caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia.

O caso ganhou repercussão na região. Pelo ataque ao animal e pela tristeza que tomou conta de Jackson, algo retratado em imagens fortes que circularam em redes sociais. Mas foi em cima da tristeza que ele viu uma oportunidade. O menino mora em frente a um campinho, onde todos os dias ia brincar com Belinha. Ali, ele enterrou a cadelinha sob uma cruz com o nome dela. Sentindo falta da companheira de todas as horas, ele levou uma ideia à mãe, Alexandra Moreira da Silva, 44 anos: construir ali uma pracinha com o nome de Belinha Nascer do Sol.

Cachorródromo

O projeto de Jackson é instalar um playground para crianças, área de lazer para adultos e idosos e um cantinho específico para os cachorros brincarem. "Costumava muito vir brincar com ela, e eu sempre quis que tivesse aqui um cachorródromo ou uma pracinha que desse para entrar cachorro. Acho que todos os moradores daqui têm cachorro ou gato, por isso é uma coisa que queria muito fazer, e, como esse espaço não estava sendo muito utilizado, eu pensei na pracinha. Me apeguei nisso", conta o menino. Atualmente, a área, cuidada pela própria comunidade, tem apenas uma quadra de areia, árvores e folhagens.

Alexandra abraçou a ideia do filho na hora e já iniciou os contatos com quem poderia ajudar. "O sentimento dele de unir os humanos com os animais, eu achei muito legal. Desde então, comecei a focar nisso e estamos fazendo, até para ele se desligar das redes, das notícias", comenta, lembrando o apoio de amigos e vizinhos na causa.

Apoio

Alexandra já entrou em contato e recebeu o apoio da Cooperativa de Habitação Nascer do Sol (Coopsol), responsável pelo loteamento onde a família vive e onde será a pracinha. Uma instituição também já se colocou a disposição para montar o cachorródromo sonhado por Jackson. Durante a semana, a prefeitura de Sapucaia do Sul também manifestou apoio ao projeto. Até uma vaquinha on-line a fim de arrecadar fundos para a aquisição dos equipamentos necessários já foi ativada. E a união da comunidade é que pode fazer a diferença. "A gente não tem recurso, não tem condições de tocar esse projeto, mas temos muita força de vontade. Qualquer doação de brinquedos será bem-vinda e, se precisar ir até os empresários, bater de porta em porta, eu vou", completou a mãe.

Para ajudar na vaquinha on-line, que será totalmente destinada à construção da pracinha, os interessados podem contribuir acessando o link: http://vaka.me/1463887.

Lei agora prevê prisão

A questão animal teve importante mudança no final do mês passado, quando o presidente Jair Bolsonaro sancionou, sem vetos, a lei que estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão para quem praticar atos de abuso, maus-tratos ou violência contra cães e gatos. Antes, a legislação previa pena bem mais branda, de apenas três meses a um ano de detenção, para quem praticava os atos contra animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. E agora a pena é aumentada de um sexto a um terço se o crime causa a morte do animal. O termo "reclusão" indica que a punição pode ser cumprida em regime inicial fechado ou semiaberto, a depender do tempo total da condenação e dos antecedentes do réu.

Avanço na proteção

O comerciante que atirou em Belinha ficou preso por, pelo menos, 24 horas. Na terça-feira, um dia após matar o animal, o acusado conquistou a liberdade provisória. Embora o período de prisão possa parecer pequeno, o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (DPRM), o delegado Mario Souza, destaca que antes da aprovação da nova lei, os acusados de crimes de maus-tratos nem ao menos ficariam detidos e, portanto, houve um avanço com a nova legislação. "Antes, nem dez minutos a pessoa ficava presa. Há dois anos eu acompanho essa situação. Agora com a lei nova, embora no meu ponto de vista jurídico não sejam todos os crimes que se resolvam aumentando a pena, nesse caso a pena é muito baixa. Uma certeza agora temos: a pessoa é presa. Agora é reclusão de dois anos a cinco anos. Ou seja, a pessoa pode ser presa, e ir para o presídio", ressalta. O delegado caracteriza a morte de Belinha como "um crime cruel e injustificável" e "uma barbárie." Ele lembra que o comerciante foi preso em flagrante pela Brigada Militar e que, mesmo liberado pela Justiça, seguirá indiciado, investigado e responsabilizado.

*Colaborou: Jean Peixoto


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