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Notícias | Região Fraudes e extorsões

Quem é o sócio da InDeal sequestrado em Novo Hamburgo por brigadiano e investidores

Conforme investigação, há pelo menos mais dois envolvidos, ainda não identificados, que ajudaram a arrebatar acusado de fraudes em Novo Hamburgo e exigiram resgate de R$ 2,8 milhões

Por Silvio Milani
Publicado em: 18.11.2020 às 21:14 Última atualização: 19.11.2020 às 09:24

A InDeal Consultoria em Mercados Digitais, empresa de Novo Hamburgo que lesou milhares de investidores no Brasil e exterior, não para de gerar novos processos e inquéritos. Desta vez como vítima. Um sócio da organização foi sequestrado por dois clientes, com ajuda de um policial militar e de pelo menos dois homens ainda não identificados. Eles queriam reaver o prejuízo. Pediram resgate equivalente a R$ 2,8 milhões em moeda virtual. O crime, cometido há seis meses, foi revelado nesta quarta-feira pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). A vítima foi solta, segundo a Polícia, sem pagar.

O nome do sequestrado não foi revelado pelo Deic. Porém, pela idade informada e situações nebulosas apuradas pela reportagem em condomínio de alto padrão no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, é Marcos Antônio Fagundes, 47 anos. O mesmo que teve 24 milhões de dólares apreendidos pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, em contas bancárias no distrito norte-americano de Columbia. Ele não foi encontrado nesta quarta. Nem o advogado.

Mistério do resgate

Fagundes teria sido surpreendido ao sair de carro da portaria do condomínio, na Rua Mundo Novo, por volta das 8h30 de 29 de abril. O brigadiano e outros homens armados o renderam e o levaram para o cativeiro. Conforme o Deic, a vítima foi libertada em Canoas, nove horas depois, sem pagar o resgate. Um mistério. Os investidores envolvidos, conforme a investigação, são um trader (investidor do mercado financeiro) e o pai dele. Fagundes foi embora do condomínio. Ele seria pivô do racha entre os cinco sócios da InDeal e teria conseguido ocultar fortuna ainda maior que a descoberta nos Estados Unidos. Estaria morando em Campo Bom.

Deic cumpre mandados em quatro cidades

Conforme investigação, há pelo menos mais dois envolvidos, ainda não identificados, que ajudaram a arrebatar acusado de fraudes em Novo Hamburgo e exigiram resgate de R$ 2,8 milhões Foto: Polícia Civil | Divulgação
Na manhã desta quarta, o Deic cumpriu mandados de busca em Campo Bom, Sapucaia do Sul, Canoas e Porto Alegre. A ideia era chegar a pistas sobre outros envolvidos no sequestro e reunir mais provas contra os três acusados. O delegado de Roubos e Extorsões do Deic, João Paulo de Abreu, não se manifestou sobre os resultados. Também não falou a respeito de eventuais prisões. Em nota, o órgão afirma que pelo menos cinco participaram do crime. “As investigações apontam que a extorsão mediante sequestro se deu em represália à perda de valores que teriam sido investidos, pelos autores, em uma empresa cuja vítima de sequestro era um dos sócios”, diz o comunicado. O policial seria da capital. A Brigada Militar não informou se o servidor foi afastado ou preso.

Enxurrada de novos processos

O bloqueio de valores na ordem de 135 milhões de reais, anunciado semana passada pelo Ministério da Justiça dos Estados Unidos, provocou uma corrida de investidores a fóruns em todo o Brasil. São dezenas de novos processos cíveis abertos contra a InDeal, alimentados pela esperança dos clientes em reaver o prejuízo. A empresa teria movimentado mais de R$ 1 bilhão com a promessa de rendimentos de até 15% ao mês. Um médico do Vale do Sinos chegou a perder R$ 800 mil em aplicações.

No bloqueio, o Departamento de Justiça dos EUA fala em medida para compensar os investidores vitimados, mas o destino do dinheiro é incerto. No processo criminal gerado pela Operação Egypto, que tramita na 7ª Vara Federal de Porto Alegre, a vítima é a União. Acusada de operar ilegalmente como instituição financeira, a InDeal estaria devendo fortuna em multas ao fisco brasileiro. Em leilões de carros de luxo apreendidos com os sócios, avaliados em R$ 7 milhões, só foi arrecadado R$ 1,1 milhão. Entre dinheiro e bens sequestrados no dia da operação, o montante não chegaria a R$ 10 milhões.

Vítima é um dos 17 réus

A vítima do sequestro é um dos dez presos na manhã de 17 de maio de 2019 pela Operação Egypto – Fagundes e mais quatro sócios, além de cinco colaboradores próximos. Outros sete foram denunciados pelo Ministério Público Federal e se tornaram réus, entre eles o gerente de um banco de Novo Hamburgo acusado de passar informações privilegiadas para uma advogada ligada à InDeal. Os 17 acusados respondem em liberdade.

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