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Notícias | Região Saúde

Casos de Covid em escalada e hospitais da região já operam no limite

Ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) atingiu recorde no Estado e circulação de variantes, mais transmissíveis, preocupa

Por Bianca Dilly
Publicado em: 23.02.2021 às 03:00 Última atualização: 23.02.2021 às 09:42

Profissionais de saúde em atendimento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Sapiranga Foto: Divulgação/Hospital de Sapiranga
Desde o início da pandemia, a maior taxa de ocupação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Estado foi atingida nesta terça-feira (23). Até as 9h30 de hoje, 86,7% dos leitos estavam sendo utilizados, ou seja, só 359 UTIs livres em todo o Rio Grande do Sul. Há duas semanas, a mesma taxa era de 73,6%.

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Na região, a situação não é diferente. Em três dos últimos quatro dias, a lotação dos leitos no bloco liderado por Novo Hamburgo no mapa de distanciamento controlado ficou acima da capacidade máxima.

Até o início da tarde de ontem, 100,9% das UTIs estavam em uso, mesmo índice do domingo e da sexta-feira. Isso ocorre porque há unidades que ainda não foram cadastradas no sistema.

Crescimento

A ocupação dos hospitais é reflexo da nova escalada de casos de Covid-19. Só na última semana, foram 1.903 confirmações nos testes realizados pela Universidade Feevale na região. O número é 94,5% maior do que o da semana anterior, quando 978 exames deram positivo.

Como resultado, casas de saúde restringem atendimentos, a exemplo do que ocorreu ontem no Regina, Centenário e instituições da capital. Em contrapartida, se trabalha com a abertura de mais UTIs, como os dez novos leitos que devem entrar em funcionamento no Hospital São Francisco de Assis (HSFA), de Parobé, até o final desta semana.

Principais fatores

Na avaliação do professor do mestrado em Virologia da Universidade Feevale Fernando Spilki, os principais fatores para explicar estes números são a circulação de variantes do novo coronavírus no Estado, medidas insuficientes de controle e os reflexos do carnaval.

De acordo com Spilki, as variantes P1 e P2 já foram detectadas em mais de um evento no Estado. Por isso, defende que medidas de controle devem ser adotadas.

"Nos testes do nosso laboratório, ainda não identificamos a variante P1, mas eu coloco como muito provável. Já temos a variante detectada em Gramado, em caso evidente de transmissão comunitária e temos notícia da detecção na região metropolitana", explica.

Ele acrescenta que a própria elevação abrupta dos casos é um indicativo disso, visto que as novas linhagens são mais transmissíveis.

Monitoramento

Após a confirmação do primeiro caso infectado pela variante P1, o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) informa que reforçou o monitoramento sobre possíveis outros contágios e já enviou 65 amostras de exames RT-PCR de pacientes gaúchos para análise na Fiocruz, no Rio de Janeiro.

O trabalho priorizou casos recentes da Serra, outros em Porto Alegre e regiões de divisa. O prazo para o resultado do sequenciamento genético dessas amostras é de até 21 dias. Da mesma forma, a Universidade Feevale já está ofertando o serviço de genotipagem.

Pacientes estão mais jovens

Além da preocupação com os idosos, que são grupo de risco para a Covid-19, pesquisadores alertam para o crescente número de internações de pacientes mais jovens.

Dados confirmam este aumento gradual no Hospital Municipal de Novo Hamburgo. "O grupo mais jovem, especialmente jovens adultos, tem se exposto demais, tanto em eventos sociais quanto em atividades laborais", diz Spilki.

 

Hospitais alertam para colapso

O Hospital Regina restringiu ontem o atendimento da emergência a pacientes com sintomas graves de Covid. A instituição alerta para a lotação dos leitos clínicos da doença. Em São Leopoldo, a UTI Covid do Centenário estava na capacidade máxima ontem. Em Porto Alegre, a Federação de Santas Casas advertiu em nota que "a estrutura hospitalar está beirando o colapso".

 


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