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Notícias | Região Infecção

Aumento de vítimas jovens de Covid já começa a preocupar

Idosos ainda são grupo de risco maior, mas casos entre jovens avançam. Causa pode ser comportamental

Por Débora Ertel
Publicado em: 11.03.2021 às 03:00 Última atualização: 11.03.2021 às 07:10

UTI Covid do Hospital Centenário, de São Leopoldo, trabalha acima do limite Foto: Thales Renato Ferreira/Divulgação
O número de jovens que buscam atendimento médico e dos que acabam morrendo por complicações do coronavírus tem deixado os médicos preocupados. Ainda não há estatísticas oficiais sobre a mudança no perfil das vítimas da Covid-19, mas a mudança tem sido notada pelos especialistas.

Os relatos de quem está na linha de frente mostram que o vírus tem deixado doente quem até então não se considerava grupo de risco. Diariamente as cidades da região têm informado óbito de pessoas abaixo dos 60 anos.

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Na Região do Vale do Sinos, conforme o painel coronavírus da Secretaria Estadual da Saúde, das 228 pessoas internadas com Covid até a tarde de ontem, em leitos clínicos e de tratamento intensivo, 60% tinha menos de 60 anos, ou seja, 137 pacientes.

Perfil

Novo Hamburgo confirmou na terça-feira a morte de uma adolescente de 15 anos e Taquara, de uma jovem de 16. São as vítimas com menos idade nas duas cidades.

Segunda-feira, Rolante confirmou a perda de uma criança de 7 anos por Covid. O resultado do exame que atestou a doença só saiu após a família ter feito o velório.

Já Igrejinha chorou na segunda a morte de Maurício Baum Júnior, 29 anos, conhecido por ser líder gincaneiro e pelos trabalhos voluntários.

Em Capela de Santana, a dor foi pela perda de Fábio Barbosa (Fabão), 35 anos. Também na terça-feira, uma moradora de Ivoti de 32 anos, mãe de uma criança de dois anos, faleceu.

Comportamento

A agressividade do vírus causa preocupação às equipes médicas, principalmente pela gravidade dos casos e evolução rápida da doença. Esse é o cenário relatado por gestores dos hospitais de Novo Hamburgo, que enfrentam a superlotação há 18 dias.

A diretora do Departamento de Atenção Primária e de Políticas de Saúde da Secretaria Estadual da Saúde, Ana Costa, aponta que não há evidências suficientes que comprovem neste momento se houve crescimento localizado entre a população mais jovem.

"O fato é que aumentou o volume de casos em todas as faixas etárias, assim como os casos graves. Isso não foi constatado apenas aqui no Estado, mas em toda a região Sul", ressalta.

Na avaliação de Ana, o que pode estar pesando agora na balança é o resultado do comportamento social. "Talvez tenha um grupo que se cuide muito e um grupo que não se cuide nada. Isso tem custado um preço importante", avalia.

Um ano de pandemia

Hoje faz um ano que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o estado da contaminação pelo Sars-CoV-2 constituía uma pandemia. Na época, havia 120 países atingidos, 110 mil pessoas infectadas e mais de 4 mil mortos no mundo. Neste mesmo dia o Hospital Municipal de Novo Hamburgo foi confirmado como um dos cinco pontos de referência no Estado para receber pacientes Covid. No RS, eram só três casos confirmados até ali.

Idosos ainda são grupo sob mais risco

Dos 228 pacientes internados ontem por coronavírus no Vale do Sinos, 46 deles tinham entre 50 a 59 anos; dos 40 a 49 anos, 44 pessoas; dos 30 a 39 anos, 35; e dos 20 a 29 anos, 12 internados. Já os idosos somavam 91 pacientes, com 60 pessoas hospitalizadas na faixa etária dos 60 aos 69 anos, 27 na faixa dos 70 a 79 anos e apenas quatro com mais de 80 anos.

Vítimas fatais

Foram confirmadas 55 mortes no Vale do Sinos de 1º a 9 de março. Destas, 32 eram de pessoas acima de 60 anos e 23 de pacientes com idade inferior, sendo 11 entre 50 e 59 anos, sete na faixa etária de 40 a 49 anos, quatro dos 30 a 39 anos e uma morte de pessoa entre 20 e 29 anos.

No início de dezembro, a Secretaria Estadual da Saúde divulgou o percentual das taxas de internações por Covid-19.

Entre 20 a 29 anos, a taxa de internação era de 43,8 para cada 100 mil habitantes. Porém, a partir dos 60 anos, os índices aumentavam de maneira expressiva. Entre os idosos com mais de 80 anos, a taxa era de 1214,2 para cada 100 mil habitantes.

Já na faixa dos 60 a 69 anos a taxa era de 504,2, enquanto dos 70 a 79 anos, 800,9%.

O que tem acontecido dentro da UTI

O médico Augusto Lengler Vargas, que atua desde o início na UTI do Hospital Municipal de Novo Hamburgo, confirma que aumentaram os casos de pacientes mais jovens. "A evolução da doença está a cada dia mais rápida e gradativamente pior", salienta.

Segundo Vargas, pacientes que apresentam melhora muitas vezes acabam falecendo por complicações. A maioria daqueles que estão na UTI relata medo de morrer e sente muita falta de ar, diz ele. "Temos uma boa noção de como conduzir os casos, mas mesmo assim, trata-se de uma doença bastante traiçoeira", lembra.

A constatação é a mesma do médico infectologista do Hospital da Unimed Vale dos Sinos Marcelo Bitelo. "Observamos que no último mês tivemos uma mudança no perfil dos pacientes internados nas nossas unidades. Existe um aumento de pacientes mais jovens e mais graves", relata.

De acordo com ele, ao longo deste um ano trabalhando na linha de frente, os profissionais tiveram que ampliar seus conhecimentos sobre o manejo dos pacientes na UTI, como uso de ventilação mecânica, posicionamento no leito e manejo terapêutico.

Já a administradora executiva do Hospital Regina, Gisele Albaneo, em entrevista, também descreveu o crescimento de casos graves entre pessoas mais jovens.

Aliado a isso, está o esgotamento físico e emocional das equipes. "Dentro das UTIs e alas Covid os profissionais estão cansados. A população precisa se engajar nas medidas de prevenção ao coronavírus", pede Vargas.

 

Faixa etária com mais casos no RS é de 30 a 39 anos

Conforme dados da Secretaria Estadual da Saúde, a faixa etária com mais casos confirmados no Estado é dos 30 a 39 anos, até ontem com 157.019.

Do total de pessoas com testes positivos, 68% têm menos de 50 anos, sendo que o RS tem tido uma média móvel de quase 5 mil casos por dia. Esse número está em crescimento desde a segunda quinzena de fevereiro.

Outro dado é que a taxa de contaminação cresceu em média 4% em todas as faixas etárias nos últimos cinco dias.

 


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