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Notícias | Região Covid na região

Ocupação hospitalar desacelera após um mês de superlotação, mas os números ainda são altos

Especialista alerta que ainda é preciso ter cautela

Por Débora Ertel
Publicado em: 07.04.2021 às 03:00 Última atualização: 07.04.2021 às 07:19

UTI do Hospital Municipal de Novo Hamburgo teve redução, mas ainda segue com alta demanda Foto: Lu Freitas/PMNH
As medidas de distanciamento social estão surtindo efeito e a rede de saúde ganhou um fôlego esta semana. Na Região 07, formada pelos municípios do Vale do Sinos, nesta terça-feira a taxa de ocupação de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) era de 94,1% e havia dez leitos disponíveis.

A situação, embora ainda preocupante, é diferente da vivida há um mês atrás, quando a superlotação de 124% era o fantasma que assombrava profissionais da saúde, pacientes e familiares. Apesar disso, a rede privada ainda está sobrecarregada.

Nesta terça-feira, na região o índice de ocupação de leitos de UTI nos hospitais particulares era de 110,2%, com 65 pacientes internados para 59 vagas. Já a ocupação de leitos de UTI do Sistema Único de Saúde (SUS) era de 85,6%.

Uma boa notícia é que os leitos clínicos Covid, que também estavam com superlotação em quase todos os hospitais, ontem tinham ocupação de 70%, com 203 pessoas internadas, e a taxa de uso de respiradores em UTI era de 76,5%.

A região 06, que possui como referência Taquara, tem dados melhores. Ontem a ocupação dos leitos de UTI era de 77,2% e dos leitos clínicos de 50,3%. Desde segunda-feira a região 06 opera abaixo dos 80% na UTI. Já nos leitos clínicos, está abaixo dos 60% de ocupação desde 31 de março.

No Estado, a situação é semelhante, com ocupação de 89,8% dos leitos de UTI do SUS na manhã de ontem. Na rede privada, era de 109,2%. Embora a taxa ainda seja alta, são os menores percentuais registrados em um mês. Os dados são do Painel Coronavírus da Secretaria Estadual da Saúde.

Comparativo saúde  

Recorde de mortes

O Brasil bateu a marca das quatro mil mortes diárias por Covid-19, conforme balanço diário do Ministério da Saúde divulgado ontem. Foram 4.195 óbitos em função da doença em 24 horas.

O RS teve mais 7.801 novos diagnósticos positivos e 418 vítimas fatais. No Estado, já são 21.018 mortos em decorrência da doença.

Cautela necessária

Apesar da tendência de queda de novos casos e ocupação de leitos, o desafio de combater a pandemia continua e deve durar, pelo menos, até o fim deste mês. A data deve marcar o fim da terceira onda da Covid-19 no Estado.

Essa é a estimativa do coordenador do Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade Feevale, Fernando Spilki, com base na experiência do Amazonas. No Rio Grande do Sul, a terceira onda teve início em fevereiro, com a chegada da variante de Manaus (a P1).

"No Amazonas, Estado em que nós vimos a variante P1 completar o ciclo de um surto, esse período foi de quase três meses. É a experiência mais completa que se tem com essa variante", justifica Spilki.

A possibilidade de uma nova onda, no entanto, não está descartada. "Tem sido o histórico até agora, de uma sucessão de ondas que vêm com uma magnitude que supera a anterior."

O pesquisador considera que é preciso ter cautela nas flexibilizações de retorno às atividades, enquanto não houver um contingente grande de pessoas imunizadas, a fim de evitar um cenário como o que foi vivido no mês passado.

Situação nos hospitais da região

Das casas de saúde que integram as regiões Covid de Novo Hamburgo e Taquara, tinham superlotação na UTI na manhã de ontem os hospitais Regina e Unimed (Novo Hamburgo), Lauro Reus (Campo Bom) e Centenário (São Leopolpo). O Hospital Regina apresentava a pior situação, com 23 pacientes para 17 leitos, ocupação de 141%.

Já os hospitais Sapiranga e São Francisco de Assis (Parobé) operavam com taxa de ocupação inferior a 70%. O Hospital Bom Jesus (Taquara) tinha ocupação de 84,6% e o Hospital Municipal de Novo Hamburgo de 93%.

Na terça-feira, a superlotação dos leitos clínicos Covid era registrada em três instituições. No Lauro Reus, em Campo Bom, a ocupação era de 170%. Apesar de elevado, o índice está caindo. No dia 23 de março, era de 330%.

No Hospital São José de Dois Irmãos, a taxa era de 122,2% na manhã de ontem. No entanto, o quadro já foi mais crítico entre os dias 23 de março e 30 de março, quando operava sempre próximo dos 300%.

Superlotação ainda no Hospital São Francisco de Assis, índice de 102,7%, um paciente a mais do que as vagas disponibilizadas. No dia 28 de março, a ocupação era de 200%.

Chegam mais medicamentos para entubação

Um dos ingredientes do colapso na Saúde do RS havia sido a escassez de medicamentos para entubação de pacientes. Ontem começou a ser distribuída nova remessa, que beneficia 13 casas de saúde da região.

Em todo o RS, 69 casas de saúde receberão 92.799 frascos de sedativos e bloqueadores neuromusculares.

Casas de saúde

Instituições que receberam o kit na região:

Hospital Padre Jeremias - Cachoeirinha; Hospital Lauro Reus - Campo Bom; Hospital Municipal de Canoas - Canoas; Hospital Pronto Socorro de Canoas; Associação Beneficente de Canoas; Hospital São Camilo - Esteio; Hospital Arcanjo São Miguel - Gramado; Hospital Bom Pastor - Igrejinha; Hospital Montenegro; Hospital Beneficente São Vicente de Paulo - Osório; Associação Beneficente de Parobé; Hospital Centenário - São Leopoldo; Associação Hospitalar Vila Nova - Taquara.

Colaborou: Joyce Heurich


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