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Notícias | Região Investigação

Imagens mostram mãe de Miguel carregando mala no Litoral

Ministério Público acusa casal de tortura, homicídio e ocultação de cadáver em Imbé

Publicado em: 17.08.2021 às 21:38 Última atualização: 17.08.2021 às 21:46

Acusadas da morte do menino Miguel dos Santos Rodrigues, 7 anos, a mãe dele, Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, 26, e a companheira dela, Bruna Nathiele Porto da Rosa, 23, foram denunciadas na segunda-feira pelo Ministério Público. Na manhã desta terça-feira (17), em coletiva à imprensa, promotores explicaram a acusação de tortura, homicídio e ocultação de cadáver. À noite, o delegado de Imbé, Antônio Carlos Ractz Júnior, liberou imagens em que as duas estariam levando uma mala com o corpo da criança ao Rio Tramandaí.

Yasmin leva mala com o corpo, segundo a Polícia, acompanhada de Bruna na madrugada de 29 de julho Foto: Polícia Civil

"As denunciadas começaram a negligenciar os cuidados básicos que se destinam a uma criança, privando-a de uma alimentação adequada, de diversão, de lazer e de higiene pessoal, bem como isolando-a dentro de um apartamento pequeno, sem a devida ventilação, enquanto deixavam a residência com as portas e as janelas fechadas na maior parte do dia", detalhou o promotor de Justiça que atua no caso, André Tarouco.

Sofrimento

Na denúncia, ele ressalta que, entre os dias 17 de abril e 25 de julho deste ano, mãe e madrasta submeteram Miguel a intenso sofrimento físico e mental, como castigo pelo fato de a criança buscar carinho, cuidado e atenção. "Miguel chegou a ser trancado, com as mãos amarradas e imobilizadas com correntes e cadeados dentro de um pequeno guarda-roupas por longos períodos durante o dia. Caso conseguisse se desvencilhar, as denunciadas amarravam-no novamente".

Miguel dos Santos Rodrigues, de 7 anos, que sofria violência em casa, é procurado na orla gaúcha Foto: Reprodução

Quando aconteceu

Para o promotor, o homicídio foi consumado entre 26 e 29 de julho, decorrente de agressão física, insuficiência de alimentação, uso de medicamento inadequado e omissão de atendimento à saúde da vítima. Assim, Tarouco qualificou o crime como motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa do ofendido. "Após as torturas, por já não tolerarem a presença da criança, intencionalmente, planejaram, arquitetaram e executaram o homicídio, em uma cadeia sucessiva de atos que acarretaram o óbito."

Tarouco frisa que Miguel teve sua cabeça arremessada pela mãe contra uma parede com tamanha violência que quebrou um azulejo com o impacto. "Depois, a dupla trancou o menino dentro de um guarda-roupas, deixando-o naquele local, com alimentação insuficiente, aplicação de medicação inadequada a uma criança e não prestação de qualquer tipo de socorro."

Promotor detalha tortura contra a criança

De acordo com o promotor, Miguel era obrigado a se alimentar somente quando as denunciadas quisessem, da mesma forma que estava obrigado a fazer as necessidades fisiológicas no interior do móvel, inclusive sendo compelido a limpá-lo como punição. Mãe e madrasta mandavam que a criança escrevesse, repetidamente, em um caderno, frases depreciativas contra si, como "eu sou um idiota", "eu sou ladrão", "eu sou cruel", "eu sou malvado", "eu não presto", "eu sou um filho horrível", "eu sou um inútil", "eu sou um péssimo filho", "minha mamãe é maravilhosa e eu sou péssimo" e "eu não mereço a mamãe que eu tenho".

As qualificadoras

Conforme o MP, o crime foi praticado por motivo torpe, pois as denunciadas, que mantinham relacionamento amoroso entre si na época do fato, demonstravam total desprezo à vítima, responsabilizando-a por prejudicar o relacionamento delas, sendo considerado um entrave para o que supunham ser a felicidade do casal.

Outra qualificadora, o meio cruel, foi porque as denunciadas, após intensas agressões à vítima e aplicação de medicamentos, privaram-na de cuidados médicos adequados, o que causou nela sofrimento desnecessário. "As denunciadas também praticaram o delito mediante recurso que dificultou a defesa do ofendido, pois Miguel se encontrava debilitado física e psicologicamente, sendo forçado a ingerir medicamentos inapropriados a uma criança, não tendo forças para reagir e gritar por socorro diante do ataque de duas adultas, com clara desproporção de forças."

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