Publicidade
Botão de Assistente virtual
Notícias | Região CHUVARADAS

Idosa tem casa interditada após rua ceder no bairro São Jorge

Chuva abriu cratera na Rua Andaraí. Moradores afirmam que avisaram prefeitura sobre o risco

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 15.09.2021 às 03:00 Última atualização: 15.09.2021 às 15:19

Com um forte estrondo, o muro cedeu em meio à chuva. Só deu tempo de pegar os documentos e sair. O lodo já invadia o piso do imóvel. Maria Odete de Souza, 73 anos, teve de deixar a pequena casa onde viveu durante 44 anos, no bairro São Jorge.

Casa e rua interditadas na rua Andaraí, bairro São Jorge. muro desabou.
Casa e rua interditadas na rua Andaraí, bairro São Jorge. muro desabou. Foto: Inezio Machado/GES

“Estava um chuvão. Eu ouvi aquele estouro e falei: ‘Rita, isso não foi trovão. O muro caiu’”, recorda Odete. Ela conta que mora no local desde que se mudou do interior de Santo Antônio da Patrulha, criou vínculo afetivo e nunca quis se mudar.

O imóvel fica em uma área em declive, na Rua Andaraí. Com a força da chuva, o chão da via cedeu para dentro do terreno. A casa foi interditada pela Defesa Civil. Na rua, uma cratera aberta dá ideia do tamanho do estrago, que só não foi maior porque um banheiro de tijolos segura parte da estrutura que desabou.

A rua estreita de asfalto teve o trânsito bloqueado e moradores temem que o problema cresça e atinja outros imóveis. Eles contam que, com a chuva dessa segunda-feira (13), o buraco aumentou.

O desabamento ocorreu em uma madrugada de domingo, cerca de duas semanas atrás. Na casa, Odete morava sozinha desde o fim de julho, quando ficou viúva. Ela e a única filha, Rita de Cássia Pascoal, presenciaram a morte do esposo e pai, por causas naturais, no pátio da residência.

Rita, de 45 anos, do lar, foi quem ficou responsável pelos cuidados da mãe, que tem a saúde debilitada. Elas moram próximas e na madrugada do desabamento, Rita também dormia na casa afetada.

“Saimos só com a roupa do corpo, documento e a máquina de medir a pressão dela. O resto está tudo lá dentro, tudo que ela tem nessa vida. A gente é pobre, não tenho vergonha de dizer, mas meu pai trabalhou a vida inteira”, diz.

Sem acesso ao imóvel nem para retirar os pertences, a idosa foi morar com a filha. Na casa de dois dormitórios pequenos, moram Rita, o marido, dois filhos e, agora, a mãe. Odete passou a dormir em um sofá. A única renda da idosa é uma pensão de um salário mínimo.

Rita conta que chegou a verificar a possibilidade de doação de uma cama, por meio do Centro de Referência em Assistência Social (Cras), mas não havia espaço no imóvel para colocá-la.

Até o momento, a família não teve retorno do poder público e não tem uma perspectiva de como e quando o problema será solucionado.

A Prefeitura de Novo Hamburgo afirma que a área é de ocupação irregular, que acompanha o caso e estuda uma possível solução.

Mais transtornos

O drama da família de Maria Odete, mobiliza os moradores, que ajudam como podem. O estrago impacta também o acesso de moradores a suas casas. Alguns precisam deixar seus veículos no caminho, em função do bloqueio na via.

“Tem uma menininha que precisa de hemodiálise e todo dia vinha a ambulância buscá-la. Eu nem sei como estão fazendo com a rua bloqueada”, afirma o aposentado Paulo Gomes, de 54 anos. Ele percebeu uma rachadura na parede externa da sua casa, que fica do outro lado da rua.

De acordo com o relato dos moradores, há pouco mais de um ano, a prefeitura já havia sido comunicada do risco. “O pessoal da secretaria de Obras esteve aí, tiraram foto e tudo, só que não apareceram mais. O muro foi caindo, caindo, e não aguentou, né?”, diz Gomes.

Defesa Civil havia constatado risco

O coordenador da Defesa Civil, tenente Claudiomiro da Fonseca, afirma que a interdição se deu principalmente em função do acesso à casa.

“Tem uma escadaria que dá acesso e, se houver colapso do muro, alguma pessoa que esteja passando ali fica presa nos escombros. E foi interditada a via, porque aquele muro acaba sustentando a via, tanto que acabou cedendo justamente onde o muro fragilizou”, diz.

Fonseca afirma que, dias antes do desmoronamento do muro, a Defesa Civil havia sido chamada ao local e constatado uma rachadura no piso da rua. Foi feito um parecer de risco potencial, encaminhado à prefeitura. Fonseca afirma que naquele momento não havia risco iminente, por isso não foi feita interdição.

De acordo com a DC, o muro não foi construído com normas construtivas adequadas. “Todo local de encosta onde não tem direcionamento das águas da chuva, sempre corre risco. Infelizmente acabou acontecendo para eles”, lamenta.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de Novo Hamburgo acompanha e estuda uma possível resolução para o caso, mesmo sendo área de ocupação irregular. A Defesa Civil esteve no local por duas ocasiões e, pelo agravamento da situação, o órgão interditou a via em frente à casa. Já a Secretaria de Desenvolvimento Social irá contatar a família para avaliar suas condições e necessidades na área da assistência social.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.