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Notícias | Região CANOAS

Terapeuta holístico volta à cadeia em prisão preventiva

Delegada aponta descumprimento de uso da tornozeleira. Advogado nega

Publicado em: 11.10.2021 às 21:35

Foi preso pela terceira vez, agora de forma preventiva, no Igara, em Canoas, homem de 37 anos implicado em investigação em que é acusado de praticar abusos sexuais contra pacientes durante sessões de terapia holística.

Material apreendido pela polícia comprovaria atendimentos realizados pelo terapeuta
Material apreendido pela polícia comprovaria atendimentos realizados pelo terapeuta Foto: Reprodução/Polícia Civil
O trabalho da polícia iniciou em maio de 2020, quando duas vítimas procuraram as autoridades relatando que, durante as sessões da suposta terapia, o profissional acabava mantendo contato sexual com elas, sob a alegação de que o ato faria parte do tratamento.

O terapeuta foi preso pela primeira vez em junho do ano passado e foi denunciado no mês de agosto do mesmo ano. No decorrer do processo, porém, foi posto em liberdade - cerca de quatro meses depois de ir para cadeia. Ainda no ano passado, o inquérito foi concluído apontando a responsabilização do autor pela prática do crime de violação sexual mediante fraude.

“A prisão foi decretada no processo relacionado à investigação dos crimes de violação sexual mediante fraude e o fundamento da decretação é porque o réu estava descumprindo os termos do monitoramento eletrônico”, detalha Clarissa Demartini, delegada de Polícia titular da DEAM/Canoas, pela investigação.

Relembre o caso

Em comum com os relatos das vítimas, todas se apresentavam abaladas emocionalmente e mencionaram que o contato sexual era aceito, pois era tratado como um meio de tratamento para curar os problemas que as levaram a procurar os serviços do terapeuta. A delegada relembra mais detalhes: “Ele costumava dizer que o tratamento, chamado por ele de ‘apometria sistêmica’, era uma terapia sexual que ativava a energia masculina e feminina e que seria através dele que as vítimas conseguiriam encontrar o caminho da cura”, explica.

Conforme a delegada, as mulheres tinham todas idades entre 20 e 40 anos. Além da violência sexual, elas denunciaram perda de valores expressivos, tendo uma das vítimas mencionado que gastou cerca de R$ 25 mil em terapia e cursos que o acusado oferecia.

Durante a investigação, o terapeuta prestou depoimento em que admitiu contatos sexuais, mas negou os abusos, alegando que os atos aconteciam de forma consentida.

Defesa deve recorrer

O advogado do terapeuta Valdir Jung informou à reportagem que está estudando a decisão, mas adianta que entrará com recurso. Para ele, a nova prisão de seu cliente não se justifica, uma vez que ele se encontra sob monitoramento de tornozeleira eletrônica e vinha cumprindo as cautelares.

“O réu nega, veementemente, as acusações. É primário, tem residência fixa e lícita ocupação”, afirmou o advogado", afirma o advogado. Segundo Jung, o réu estava impedido de acessar as redes sociais e de se
aproximar das supostas vítimas e que tais restrições estavam sendo
cumpridas na íntegra.

 

Nas redes, bioterapeuta há oito anos

O acusado, em depoimento, disse que atuava como terapeuta há oito anos e tinha pacientes não apenas no Rio Grande do Sul, mas também em São Paulo e Minas Gerais. Nas redes sociais se identificava como bioterapeuta quântico e prometia “resultados incríveis” por meio da técnica chamada por ele de “Apometria Sistêmica”. 

Na descrição do seu perfil, afirmava que milhões de pessoas tinham assistido suas palestras ou experimentado as técnicas que utilizava. Após a sua primeira prisão, os perfis foram deletados.

 

Investigação coíbe outros casos

Na época da denúncia, o diretor da 2ª Delegacia Regional Metropolitana, delegado Mario Souza, ressaltou a importância social da investigação para coibir outros casos.

“Esta investigação ajudou a interromper a violência que ocorria. Foram diversas vítimas identificadas, mas estimamos que outras mulheres possam ter sido vítimas dos atos deste terapeuta e, por vergonha, permaneçam no anonimato”, disse na época.

 

Terapeuta é preso pela terceira vez no bairro Igara

O terapeuta foi indiciado por violação sexual mediante fraude e em agosto de 2020 foi denunciado pelo Ministério Público (MP), tornando-se réu em processo judicial. Em 10 de outubro, ele obteve liberdade e
passou a usar tornozeleira eletrônica.

A promotoria recorreu em instância superior por avaliar que poderia ter risco de novos casos acontecer ou até mesmo coação das vítimas. Após essa medida, nova prisão foi decretada pelo Tribunal de Justiça em
dezembro do ano passado e em março deste ano ele foi novamente solto.

Esta é a terceira vez que o acusado é preso desde que as investigações sobre o caso tiveram início.

Como denunciar

Para denunciar casos semelhantes, é possível entrar em contato pela
Delegacia da Mulher de Canoas - (51) 3462-6700 e também pelo
Disque-Denúncia - (51) 98459-0259.

 

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